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quarta-feira, 20 de março de 2013

M Poetica: A Arte de Conexão e Desafio de MJ : Stranger in Moscow






Stranger in Moscow

 

Esta é a maldita paisagem que Jackson habita em Stranger in Moscow, do álbum de 1995 dele, HIStory. E, novamente, ele faz uma pergunta ética, embora dessa vez seja uma persona singular: o que o artista deveria fazer, quando o público se volta contra ele, e a fonte de inspiração dele – ou seja, o relacionamento dele com crianças, a e energia criativa da infância – se tornou suspeita?
Como em Billie Jean, ele caminha consigo, enquanto pondera sobre o que fazer; com o que está em torno dele, mais uma vez, refletindo a jornada psicológica dele. A “veloz e repentina queda da graça” o tem deixado “sozinho e frio por dentro/ Como um estranho em Moscow”. Mas mesmo nesse estado angustiante, ele continua sintonizado com as pessoas em volta dele: o homem só em um apartamento, uma mulher em uma cafeteria, um mendigo, um negociante, um adolescente vendo outras crianças jogando bola. Ele entende que eles estão sós e tristes e que têm os próprios tormentos. Ele é apenas uma das milhares de pessoas que sofrem, e a solução não é fácil. Alguém atira uma moeda para o mendigo, exatamente como Jackson fez com o bêbado em Billie Jean, mas agora, nós estamos olhando para a transação do ponto de vista do mendigo, vendo a moeda cair em direção a ele/ nós. Mas dessa vez, ele não se transforma; ele é apenas um mendigo com uma moeda. Dinheiro não pode consertar isso.
Começa a chover, basicamente um símbolo universal para tempos ruins, e as letras confirmam isso: “Dias ensolarados parecem distantes... De novo e de novo e de novo isso vem./ Queria que a chuva apenas me deixasse estar.” Os adultos se encurvam, blindando-se contra a chuva e se sentindo ainda mais tristes e isolados. De repente, nós escutamos um grito excitado, e, então, um pequeno grupo de crianças vem espalhando água do aguaceiro. Como as empobrecidas, mas alegres crianças em Jam, elas aceitam os tempos difíceis e estão alegres de qualquer forma.
A energia criativa da infância ainda existe, e ainda tem a capacidade de inspirar. Através delas, o significado da chuva, em si, é transformado de dificuldades para um tipo de batismo, uma fonte de renovação. Uma a um, os adultos, estende uma mão para a chuva e começa a se aventurar.
No fim do vídeo, Jackson está na chuva também, completamente encharcado, ele atira a cabeça para trás e o cabelo molhado forma arcos sobre ele. Daí, ele fica de pé com os braços estendidos, a chuva caindo. É um notável gesto, desde que essa era uma pose característica para ele, quando ele estava em concerto – uma que ele tipicamente adotava durante os aplausos de uma audiência, como se ele estivesse tentando reunir tudo isso, como um enorme buquê de flores, sem deixar que nenhuma delas caísse. No entanto, aqui ele não está sendo banhado em aplausos, mas em condenações, e os braços dele caem com o peso delas. Mas ele decide aceitar esses tempos difíceis, exatamente como ele uma vez aceitou os aplausos, e, embora ele não esteja feliz, talvez como as crianças que estão correndo, ele irá encontrar isso dentro dele mesmo, para ter momentos de alegria na chuva também.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Michael Jackson tinha como objetivo dirigir um filme sobre crianças orfãs


Michael Jackson tinha como objetivo dirigir um filme sobre crianças orfãs

 

 

Por Alex Ben Bloc, Sexta, 17 de julho de 2009

Traduzido por Daniela Ferreira para o blog The Man in the Music


LOS ANGELES (Hollywood Reporter) – Três meses antes da morte dele, Michael Jackson se comprometeu em codirigir e financiar um filme – um drama comovente sobre crianças em lares adotivos – e planejou começar tão logo concluisse os concertos dele em Londres. 

A notícia é a mais recente de uma série de revelações que estão ajudando a lançar luz sobre as paixões e projetos do pop star, mesmo quando a investigação sobre o abuso de medicamentos prescritos dele e uma briga pela custódia dos filhos dele esquenta. 

O projeto do filme também é assustadoramente marcado por um dos aspectos mais inesquecíveis da vida de Jackson: o parente sentimento dele de que o sucesso enorme do Jackson 5 o privou da infância. 

“Ele estava muito animado em fazer filmes e queria as mãos dele em tudo, desde trabalhar em roteiros para a produção a escrever a música. Porém, ele nunca mostrou qualquer interesse em atuar”, oprodutor e diretor cinematrográfico Bryan Michael Stoller disse de Jackson, que estrelou “The Wiz” em 1978. 

Stoller disse que ele tinha uma amizade de 23 anos com a estrela pop e foi parceiro dele na empresa cinematográfica Magic Shadows. Ele iria codirigir o filme, chamado “Eles Enjaulam Os Animais à Noite”, que Stoller disse que tinha vindo a desenvolver há sete anos. 


Inspirado por livro

 

O projeto foi baseado em um livro, de 1985, sobre as experiências da vida real do autor, Jennings Michael Burch, que passou por lares adotivos quando criança. Jackson mostrou o livro a Stoller em 2002, na propriedade dele, Neverland, e perguntou se ele queria produzir e codirigir uma versão cinematográfica. 

“Michael me disse, muitas vezes, que ele se sentia que ele cresceu como um órfão, como uma criança em lar adotivo, porque ele nunca estava em uma casa”, disse Stoller. “Para ele, cada hotel foi como um lar adotivo diferente. Ele disse que costumava se sentar na janela e ver as crianças brincando lá fora, e chorar, porque ele não poderia ser parte disso.” 

Stoller adquiriu os direitos do livro por US $ 1 – inicialmente sem dizer a Burch sobre o envolvimento de Jackson. Quando lhe disse, Stoller disse que o autor ficou animado por trabalhar com o cantor. 

Jackson, por sua vez, estava preocupado que Burch, então com 67 e sofrendo de câncer, não pudesse sobreviver para ver o filme pronto. Assim, Stoller sugeriu trazer Burch para Neverland em 2003, onde Jackson virou o jogo e o entrevistou para o que era para ser um especial de TV e um eventual DVD.

Durante a conversa altamente emocionada, Jackson perguntou ao autor se ele já havia considerado suicídio. Burch disse que ele tinha, e Jackson disse que também tinha considerado durante os dias mais sombrios dele. (Um clipe desse vídeo está disponível em THR.com.)

Stoller gravou o encontro deles, uma adição a uma coleção de vídeos que ele fez com Jackson ao longo dos anos, e de horas de gravações de áudio das reuniões deles. 

Stoller disse ao The Hollywood Reporter que ele está revelando isso porque ele acredita que esse material humaniza o amigo dele em um momento em que muito mito inventado sobre Jackson está ocorrendo. O produtor também está comercializando o vídeo, áudio e fotos, quer para venda direta ou como um projeto que iria produzir e dirigir. Ele disse que já teve interesse da NBC, CBS e E!.

Maspessoa de dentro do campo de Jackson disseram que não há acordo formal para qualquer envolvimento de Jackson com “Enjaulam”, as discussões entre o artista e Stoller ocorreram quando Jackson estava sem gestão, o que pode ter franzido a testa em qualquer distração, enquanto ele se preparava para os shows em Londres.


Cast Away, Cast Off

 

A última incursão de Jackson em filme foi uma farsa cômica de 2005, “Miss Cast Away and the Island Girls”, produzido, escrito e dirigido por Stoller e estrelado por Eric Roberts.  Jackson aparece brevemente no filme como o Agente MJ, que vem para o resgate de vários personagens em um feixe de luz. O filme foi um lançamento direto em DVD vendido brevemente nas lojas Blockbuster. 

Quando Jackson foi indiciado por acusações de abuso sexual infantil, pouco depois do lançamento do filme, a Blockbuster retirou o filme das prateleiras. “Miss Cast Away” foi vendido no exterior por Showcase Entertainment, e Stoller disse que tem ofertas para um lançamento de novo vídeo doméstico pela última aparição de Jackson em filme. 

“Eles Enjaulam Os Animais” também foi afetado pelas acusações de abuso sexual, Stoller disse. Em 2003, o produtor arranjou uma reunião de três horas em um hotel da Universal City entre Jackson e Mel Gibson, que além de ser um ator é um produtor e parceiro no Icon Prods. “Eles se deram muito bem”, disse Stoller. “Foi engraçado. Mel estava um pouco nervoso. Ele estava abraçando um travesseiro o tempo todo, meio que brincando com ele. Michael estava meio tímido.” 

Icon assinou um acordo para desenvolver o projeto com um orçamento entre US $ 13 milhões e US $ 20 milhões (de 7 a 12 milhões de líbras), de acordo com Stoller, que foi pago por Icon para escrever o roteiro. Um par de meses depois, quando Jackson foi indiciado em Santa Barbara, na Califórnia, Icon deixou cair o projecto, e Gibson parou de retornar as chamadas de telefone de Stoller. Houve relatos de notícias em 2005 de Icon tinha abandonado o projeto. Um porta-voz da Icon disse que a empresa esteve brevemente envolvida em 1995, mas tinha perdido o interesse em 1997. Stoller tem uma cópia do contrato com a Icon datado de 2002. 

Stoller disse que a Icon ainda detém o roteiro, mas um representante da Icon refutou isso, dizendo que a empresa não teve nenhum envolvimento ou participação por 10 anos. Gibson se recusou a comentar para esta reportagem.
 

Assistindo a Filmes

 

Jackson perdeu o contato com Stoller por cerca de dois anos, durante o período em que o cantor foi a julgamento. Mas depois da absolvição, Jackson estendeu a mão para ele. Eles tinham visto dezenas de filmes no cinema de Neverland; Stoller disse que o favorito de Michael Jackson era “To Kill a Mockingbird”, e que eles também discutiram fazer um remake da comédia musical “Chitty Chitty Bang Bang”. 

“Quando Jackson ligou em 2007, ele ainda tinha filmes na mente dele”, disse Stoller. “Ele começou a comprar equipamentos de produção de filme. Ele estava sempre perguntando como as coisas funcionam, mas eu nunca o vi realmente funcionando as coisas. Mas ele queria todos os brinquedos. Ele comprou uma boneca e queria que eu mostrasse as crianças como usá-la, porque elas a estavam usando como um brinquedo, brincando montados nela.” 

Jackson não estava interessado em fazer um blockbuster. “Ele queria fazer filmes que a Academia gostaria”, Stoller lembrou. 

Três meses antes da morte de Jackson, ele e Stoller tiveram “uma reunião muito séria” sobre reviver “Eles Enjaulam Os Animais” como uma produção independente, disse o produtor. 

“Michael iria investir até US $ 8 milhões e não teria que lidar com quaisquer estúdios ou produtores e, em seguida, iria levá-los aos estúdios”, disse Stoller. “Ele era muito apaixonado sobre ser um diretor. Ele estava determinado a fazer esse filme.”


(Edição de Sheri Linden Reuters)

  

Nota da tradutora: dizer que a criança está em um lar adotivo, nos Estados Unidos, muitas vezes significa que ela está sendo cuidada por uma família que recebe dinheiro do governo para isso. Não é uma adoção no sentido legal (não como é entendida na legislação brasileira). Daí o sentimento ruim de não pertencer a lugar algum, pois, diferentemnte dos filhso adotivos (no sentido legal) que são filhos tanto quanto os biológicos, as crianças colocadas em “lares adotivos” (no sentido americano do termo) não se sentem filhos da família, que apenas cuida dela por dinheiro. Claro, pode haver exceções, mas não é o caso abordado pelo livro que inspirou o filme que Michel queria dirigir. No livro escrito por Michael Burch, “Eles Enajulam os Animais à Noite”, o autor relata como foi crescer em orfanatos e “lares adotivos” sofrendo violência físicias e psicológicas ao extremo.

Aqui está o vídeo da entrevista que Michael Jackson fez com Burch em Neverland em 2003.

 


 

Fonte: Reuters

sexta-feira, 8 de março de 2013

Não É Nada Disso



Não É Nada Disso

 

 

 


Postado por Willa e Joie em 06 de amrço de 2013

 

Traduzido por Daniela Ferreira

 

 

 


Willa: Então, Joie, algumas semanas atrás, nós falamos sobre como Michael Jackson parecia ver uma conexão entre a vida criativa e a vida espiritual dele, algo sobre o que nós já conversamos um par de vezes antes. Mas você sabe, ele também via uma conexão entre a criatividade, a espiritualidade dele e a fisicalidade do corpo dele, especialmente os movimentos do corpo dele como dançarino. Ele parecia sentir uma profunda ligação entre a energia espiritual, energia criativa, e energia física, incluindo a energia sexual.


Tudo isso tem me feito perguntar: como o sexo e energia sexual são representados na obra de Michael Jackson, o que isso significa, e isso significa talvez, coisas diferentes em momentos diferentes? Por exemplo, o que significa quando ele canta sobre sexo em “Don’t Stop til You Get Enough” ou “Give In To Me” ou “Superfly Sister” ou “Break of Dawn”? O que significa quando ele fecha o ziper dele durante a dança da pantera em Black or White? E o que isso significa, exatamente, quando ele está dançando e agarra a virilha?


Joie: Hmm. Todas as perguntas muito boas, Willa. Mas você sabe, eu me lembro de Michael dizendo à Oprah que ele realmente não pensava sobre isso quando ele estava dançando e que a coisa toda de agarrar a virilha apenas meio que acontecia sozinha e não significava nada. Eu acho que ele disse que era apenas um escravo do ritmo ou algo assim.

 


 


Willa: Bem, eu acho que é verdade, Joie, mas eu acho que não é toda a verdade. Eu acho que, às vezes, ele estaria dançando e realmente absorvido na música e Bam! Ele pontuava uma sequência agarrando a virilha, como de espécie de um ponto de exclamação no final de uma frase. Mas eu também acho que, às vezes, ele decidia que ele gostava de ponto de exclamação e deliberadamente o torna parte da coreografia.


Assim, por exemplo, temos aquele hilário ensaio de dança em This Is It, onde duas mulheres de meia idade estão ensinando um grupo de jovens dançarinos a técnica de agarrar a própria virilha, e eu tenho que dizer, toda aquela cena só me faz rir. Primeiro, há a instrutora de balé russo, Irina Brecher, explicando como os movimentos que estão fazendo se comparam com os de Baryshnikov:


“Eu vi você! Você ia assim. O que isso? Isso é russo! Isso é o russo. Então Baryshnikov faz assim, e vocês estão fazendo assim. Mesma coisa.”


Em seguida, a coreógrafo assistente, Stacy Walker, ajuda-os a aperfeiçoar a técnica deles. Ela diz: “Uma vez mais”, e todos eles fazem um agarra virilha em uníssono. E eles estão todos tão sérios – isso me faz rir. Então, ela demonstra adequados movimentos de agarramento de virilha, enquanto diz:


“Nós estamos para cima e para baixo, certo? Eu não acho que é qualquer coisa, exceto a mão se movendo... Eu acho que é mais suave, você sabe o que quero dizer? Quer dizer, eu não tenho nada a mover...”


Essa é uma cena tão engraçado! Recebo como um chute, mas eu também adoro ver como esses jovens e talentosos dançarinos são respeitosos e confiantes com essas mulheres mais velhas. É realmente maravilhoso.


Então essa cena engraçada nos mostra várias coisas importantes: que agarrar a virilha era uma parte deliberada da coreografia, que isso realmente não era sexual em um sentido tradicional (e Michael Jackson sempre disse que não era), e que, certamente, não era uma forma de mostrar o domínio sobre as mulheres. Afinal, duas mulheres eram as instrutoras! E elas estavam lidando com isso de uma forma muito, divertida e alegre.


Joie: Bem, eu acho muito engraçado que estamos tendo uma discussão sobre agarrar virilha!


Willa: Ah, vamos lá, Joie. Esta é uma discussão muito acadêmica!


Joie: Uh huh. Mas eu tenho que dizer que concordo com você, Willa. Eu acredito que ele gostava de agarrar a virilha como “o ponto de exclamação” e isso realmente se tornou uma espécie de movimento característica dele – ou um dos movimentos característicos dele, porque, todos sabemos, existem vários.

 

Willa: Isso é verdade. Como há esse movimento chamado de Moonwalk que tem um pouco de atenção...

 

Joie: Sim. Ou o chute de perna de torcida. Mas ele realmente é sinônimo de agarrar a virilha agora. Sempre que virmos outro cantor ou dançarino executar esse movimento, a nossa mente vai imediatamente, e para sempre, associar isso a Michael Jackson.


Mas você disse uma coisa que eu acho muito interessante. Você disse que agarrar a virilha não era sexual e que Michael sempre manteve que não era sexual. A razão de eu encontrar essa declaração interessante é porque eu acho que a maioria das pessoas sempre assumiu o completo oposto. Eu acho que, na maior parte do mundo, a razão de agarrar a virilha ter sido tão polêmico ou provocador foi precisamente porque eles projetaram uma conotação sexual para isso, que Michael nunca teve intenção de dar.


Willa: Bem, agora que você me fez pensando, Joie: O que eu quero dizer quando eu disse que não era sexual? Hmmm... Agora que eu penso sobre isso, parece demasiado absoluto, porque, obviamente, há conotações sexuais, mas eu acho que eu quis dizer que não parece erótica para mim, como se ele não o estivesse usando para evocar um sentimento sexual ou sugerir uma situação sexual – não como, digamos, o agarrar virilha longo e ondulante no segmento de “Billie Jean”em This Is It. Oh meu Deus. Agora,isso é sexual. Assim, ele certamente sabia como fazê-lo de uma forma sugestiva, se ele quisesse, mas ele nunca fez isso no palco, jamais. Aquela cena em This Is Itfoi estritamente uma coisa divertida para o gozo do elenco e da equipe no ensaio, especialmente os jovens bailarinos. Ele nunca fez nada parecido em um desempenho real.

 

Em vez disso, era quase sempre apenas um ponto de exclamação rápido, como dissemos antes, e parecia-me que expressa um impulso artístico em vez de um impulso sexual, embora seja difícil separar completamente isso, desde que ele parecia sentir uma forte ligação entre criatividade e energia sexual. Nós conversamos sobre isso um pouco com Give In To Me em abril passado.

 


Mas há outro elemento a isso também, que é que agarrar a virilha sempre meio que me impressionou como algo de uma declaração política, bem como, especialmente quando ele desafiadoramente continuou a fazê-lo, apesar de toda a controvérsia. Você sabe, ele era um homem negro muito sexy – um ídolo do sexo, mesmo em um país que é muito desconfortável com homens negros sexuais, e eu acho que ele sentiu muita pressão para conter a sexualidade dele por causa disso. E nesse sentido, a agarrar virilha sempre me parece como um caminho para ele recuperar a sexualidade e o próprio corpo, de uma forma. É como se ele estivesse chamando a atenção para o fato de que, não só ele tem um belo corpo, talentoso incrível, mas é um órgão sexual também.


Joie: Eu acho que você pode estar em algo, Willa. Também poderia ter sido uma maneira para ele meio que ecappar do mundo. Eu não quero ser grosseira, mas aqui, agarrar a virilha nunca foi realmente visto como um gesto bonito. Na verdade, muito antes de Michael o adotar e transformar em movimento de dança de característico, um cara agarrando a virilha foi visto como um insulto (se isso era direcionado para outro homem) ou um gesto muito obsceno (se era direcionado a uma mulher). Portanto, a sugestão de que isso poderia ter sido uma espécie de gesto político realmente se encaixa aqui. Ele poderia definitivamente ser considerado um desafiante gesto “vá se ferrar”.

 


Willa: Uau, isso é verdade, Joie. É engraçado, mas eu nunca pensei sobre isso antes, mas você está certa, isso definitivamente poderia ser interpretado dessa forma. E ele expressa esses impulsos de vez em quando, como se vê em Scream. E há essa linha no rap de Shaquille O'Neal em “2Bad”:


Pegue minha virilha, torça meu joelho, então eu atravesso

 

Mike é mau. Eu sou mau. Você é?

 

“2Bad” como um todo é uma declaração de que ele não será quebrado ou curvado – "Eu estou de pé enquanto se você está me chutando” –e essa linha, em particular, é uma declaração bastante desafiadora.

 

Joie: Isso é uma declaração desafiadora, Willa. Na verdade, toda a música é bastante desafiadora, você está certa. Mas me pergunto se podemos voltar à sua pergunta original, se pudermos. Você perguntou o que significa quando Michael canta sobre sexo nas canções dele e como é que a energia sexual se expressa no trabalho? Então, obviamente, eu estou pensando que você tem alguns pensamentos sobre isso?


Willa: Eu não sei se eu realmente tenho pensamentos, ou quaisquer conclusões firmes – apenas um monte de perguntas. Eu vejo sexo representado de muitas maneiras diferentes no trabalho dele, e eu me pergunto como tudo se encaixa. Por exemplo, o que você acha das referências sexuais na dança da pantera? Essa seção inteira é um forte protesto contra o racismo, mas inclui alguns gestos sexuais muito explícitos – mais explícitas do que os críticos estavam acostumados a ver de Michael Jackson, isso com certeza. Houve muitas críticas sobre isso quando Black or White foi ao ar. Aqui foi uma canção que muitos críticos interpretaram como sendo sobre harmonia racial, e, de repente, na seção dança da pantera, Michael Jackson está quebrando vidro, fechando a braguilha, e agarrando a virilha muito explicitamente. Por que isso? Como você interpreta isso?

 


Joie: Bem, eu não estou, honestamente, certeza sobre como interpretá-lo. Mas você está correta em dizer que era muito mais explícito do que os críticos estavam acostumados a ver com ele, e, às vezes, eu acho que foi o fim pretendido. Talvez tenha sido feito simplesmente para agitar as coisas um pouco. Se você pensar sobre isso, foi feito num momento em que Michael estava passando por algumas mudanças. Ele se afastou da longa e bemsucedida assosciação dele com Quincy Jones e ele estava tomando as rédeas de produzir sozinho e ele estava ansioso para experimentar coisas novas, novos produtores, novos sons. E o álbum resultante, Dangerous, realmente soa muito mais ousado por causa disso. Então talvez ele simplesmente quisesse fazer algo irado. E vamos admiti-lo, aquela dança pantera é certamente irada.


Mas, também, quero chamar a atenção para o fato de que os insultos raciais que estão escritos no carro e no edifício, na dança pantera, não estavam, na verdade, na versão original, que foi ao ar para milhões de pessoas ao redor do mundo. Aqueles foram adicionados depois da polêmica inicial sobre a“pertubadora violência e masturbação simulada”. Então, eu realmente nunca tive a crença de que essa parte do vídeo era para ser um protesto contra o racismo. Talvez fosse, mas não parecia assim para mim. Como você interpreta isso?


Willa: Sério? Uau, eu estou surpresa, Joie. Para mim, adicionar os slogans não mudou em nada o significado, apenas esclareceu o que já estava lá. Quer dizer, o título da canção é “Black or White”, e as letras são todas sobre lutar contra preconceitos raciais – ele até mesmo faz referências a KKK especificamente quando ele canta: “Eu não tem medo de lençóis”. Então, quand ele acrescentou a pichaçã KKK e neonazista e pichações do tipo Nação Ariana, parecia certo para mim e parecia caber exatamente.

Como você vê isso?


Joie: Bem, é verdade, encaixa perfeitamente. Mas, eu não sei, eu acho que eu sempre olhei para isso como um adendo, uma maneira de simplesmente tentar limpar a controvérsia. Mas o que você disse faz muito sentido também, que foi feito como uma forma de esclarecer as intenções do artista. Você provavelmente está certa.


Willa: Bem, é bastante ambíguo. Há vidro quebrando por toda Black or White, começando com o cartaz quebrando e janelas explodindo na sequência de abertura, de modo que violência da quebra de vidro pode significar muitas coisas diferentes. Na verdade, a dança da pantera toda é um pouco ambígua, com tantos elementos intrigantes e tantas formas diferentes de abordar e interpretá-las.


Ela começa com a pantera andando em um porão, assim como o personagem de Michael Jackson faz antes da primeira sequência de dança em You Rock My World, e, em ambos os casos, há uma sugestão de que estamos entrando em território subterrâneo literal e figurativamente, bem como, no subconsciente. Ele se transforma de volta em um ser humano, e é imediatamente preso em um holofote. Para mim, ele não se sente tão bem como o centro das atenções de um palco, como o centro das atenções de uma prisão ou um interrogatório, e as barras nas janelas e sobre a porta reforçam essa ideia. Mas ele faz uma pose nesses holofotes, no entanto, com uma mão em na virilha. Então ele se endireita, ergue-se, e um gato salta para fora de uma lata de lixo, o que é interessante, desde que Michael Jackson está frequentemente ligadao a gatos simbolicamente. Ele era apenas uma pantera, depois de tudo.


Então, o gato saiu do saco, ou da lata, e parece que algum aspecto do próprio Michael Jackson foi lançado. Ele puxa a camisa de volta como um pistoleiro prestes a entrar num duelo com o delegado da cidade, e um misterioso vento sopra contra ele, o que parece sugerir que ele está entrando em um espaço e tempo alternativo. (Por exemplo, um vento semelhante sopra quando ele abre a porta do Clube 30 em Smooth Criminal, um vento que transporta de volta para Dem Bones Cafe de The Band Wagon). Ele começa uma rotina de dança que evoca uma longa história de dança nos EUA, então, ele e a pantera uivam em uníssono, e é aí que ele começa o segmento que teve críticos em alvoroço.


Joie: Eu gosto da maneira que você colocou, Willa. Que alguns aspectos do próprio Michael Jackson foram lançados. E eu acho que você acabou de bater exatamente sobre como é que é que eu me sinto quando vejo a dança da pantera. Você me perguntou como eu a interpreto, e você ficou surpresa quando eu disse que nunca atribui qualquer tipo de protesto racial a ela. Mas eu acho que você tocou no motivo. Porque para mim, isso só se sente como Michael desacorrentado e livre. É uma sequência de dança muito apaixonada, expressiva, em que nos é dado o prazer de ver um dos maiores bailarinos do mundo apenas... vamos... nessa! Somos tratados por quatro felizes, surpreendentes (e, sim, eróticos) minutos de Michael Jackson fazendo o que somente Michael Jackson pode. E para mim... não há nada de racial sobre isso. É bonito, é celebração, é vivo! É a eterna dança da Criação sobre o que ele fala uma e outra vez em Dancing the Dream, e é pura alegria testemunhar!


Willa: Oh, eu concordo com isso, Joie! Mas eu também acho que é especialmente significativo por causa de quem ele era e a posição cultural que ocupou.

 

Nós vivemos em uma idade muito estranha, que nós, como uma cultura, somos tanto supersexuados quanto excessivamente reprimidos. É uma combinação bizarra. E eu acho que Michael Jackson sentiu isso muito mais intensamente do que a maioria de nós, por causa da posição única dele como o primeiro ídolo adolescente negro – um símbolo sexual que claramente despertou o desejo em mulheres brancas, mulheres negras, mulheres de muitas raças. Essa foi uma situação potencialmente explosiva, e ele teve que ser muito cuidadosos sobre como ele se apresentava em público. Ele era, obviamente, muito sexy no palco, mas fora do palco ele fez certo de que as pessoas - pessoas brancas, em particular- sentia que ele era “seguro”, assexuado. Na verdade, eu me lembro de uma sátira do Saturday Nigth Live, anos atrás, onde Eddie Murphy puxou as calças de um boneco de Michael Jackson e usou isso como prova de que ele era, literalmente, assexuado– sem órgãos sexuais.


A dança da pantera se sente como uma partida dramática de tudo isso. Ele está recuperando a sexualidade dele – ele é negro, bonito e sexual –, mas isso não significa que ele pretende gastar muito tempo com groupies. Em outras palavras, resistir à repressão sexual não parece significar defender uma vida de uma só noite. Como ele canta em “Superfly Sister”:

 


Empurre-o para dentro

Coloca-o para fora

Não é nada disso

 


Então, ele não está falando de sexo sem sentido. Como nós falamos sobre um par de vezes antes, ele parece ver a sexualidade como muito mais do que apenas um ato físico. Em vez disso, ele parece estar dizendo que precisamos recuperar nossa sexualidade como parte de todo o nosso ser, porque a nossa sexualidade não é algo que só aparece atrás de portas fechadas, mas está integrada com o que somos como pessoa – de forma criativa, emocionalmente, psicologicamente.


Então, para mim, quando se olha para como a sexualidade é representada na dança da pantera, a parte mais importante não é a seqüência de “extravasar” que tem críticos em um tumulto – apesar de que isso é importante –, mas a sequência de“integraçaõ”,que acontece imediatamente depois. Ele está de pé na calçada com o vento etéreo soprando, e o zoom da câmera passa por ele quatro vezes e ele repetidamente empurra as mãos do coração à virilha, visualmente ligando-os, integrando-os.

 


Joie: Bem, isso é uma interpretação interessante, Willa. E parece-me que as nossas ideias não estão muito longe um do outro. Você parece ver a dança da pantera como uma declaração ousada em recuperar nossa sexualidade. Enquanto para mim, a dança da pantera é uma sequência de dança muito sexualmente carregada, incrível. Um que Michael Jackson parece ter prazer em realizar. Dançando apenas pelo o puro prazer de dançar.

 


Willa: Bem, na verdade, eu o vejo recuperar a sexualidade dele apenas com um aspecto disso – para mim, é realmente sobre recuperar a totalidade de si mesmo e de seu corpo, incluindo a sua sexualidade. Mas eu amo o que você disse, Joie, e eu acho que você está certa, não estamos tão longe, e eu acho que você colocou seu dedo direto para o ponto central – é a alegria.

 


Eu acho que, na dança da pantera, vemos Michael Jackson empurrando de volta contra todas as narrativas culturais que foram impostas a ele e o corpo dele–idéias sobre o que significa ser um homem (ou mulher), o que significa ser negro (ou branco), o que significa ser normal (ou anormal), o que significa esfruae (ou não esfriar), o que significa ser desejável (ou não desejável), o que significa ser amável (ou ser amável) – um ser humano digno (ou indigno) do amor. Ele empurra para trás com tanta força que quebra as narrativas de confinamento escritas no corpo dele, como ele quebra as feias narrativas de confinamento escritas no vidro.


E o que nós encontramos quando rompem todos esses rótulos e preconceitos e ideologias falsas é algo tão simples, mas tão profundo – uma pessoa totalmente habita o corpo dele, e encontrar alegria nisso. Como você disse tão bem, Joie,“É bonita, é celebração, é vivo! É a eterna dança da criação”.

 



 


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

M Poetica : A Arte de Conexão e Desafio de Michael Jackson: Blood on the Dance Floor


Blood on the Dance Floor

 

É claro, Jackson estava errado quando ele cantava: “Você não pode me ferir”. Todos têm fraquezas. Em 1993, um ano depois do lançamento de Jam, Jackson foi acusado de abusar sexualmente de um menino e os resultados foram devastadores para todos os desenvolvidos. Blood on the Dance Floor, do álbum, de 1997, de mesmo nome, retrata um caótico mundo sombrio. Por toda a vida e trabalho, Jackson incorporou arte, e, especialmente, dança, tanto socialmente quanto pessoalmente transformativo. Mas agora há “sangue na pista de dança” e a dança em si se tornou contaminada, meramente mais uma forma de sedução e traição.

Jackon senta em uma cadeira em uma boate, irritado e desorientado. Críticos musicais o castigaram por sentar a maior parte do vídeo, mas esse é precisamente o ponto. E quando ele vai para a pista de dança, ele apresenta uma dança muito diferente do que nós já o tínhamos visto dançar antes. Ele não é o líder de uma gangue de dançarinos, definitivamente alegres no meio de um ambiente sem vida. Em vez disso, ele é outro cansado da vida cara. E ele não está dançando para transformar o mundo dele ou ganhar renovação, mas para se perder, esquecer. Como ele canta: “Para escapar do mundo eu tenho que desfrutar desta simples dança”.

Mas Jackson não é meramente um dançarino nesse vídeo; ele é também o narrador de uma história de violência e revanche. Uma mulher, Susie, é seduzida no clube e abandonada. Ela, então, planejou para matar o amante desiludido dela, na pista de dança, com uma faca. De muitas formas, esse vídeo é uma continuação do ciclo Billie Jean/ Dirty Diana, mas naqueles vídeos Jackson trabalhou para entender essas personagens. Aqui, ele não. Susie é simplesmente tão diferente Ele pode se simpatizar com uma mãe solteira ou adotar o ponto de vista de uma groupies, mas ele aprece não precisar entrar na cabeça de uma assassina.

A envolvente personagem Billie Jean / Dirty Diana/ Susie tinham, finalmente, se tornado um monstro, apesar dos esforços de Jackson para humaniza-la. (Ela também se tornou masculina, ela crava a faca “sete polegadas dentro”.) Mas como Billie Jean e Diana, ela não é apenas uma mulher. Ela também representa audiência de Jackson – uma audiência que não está satisfeita com as performances públicas dele, mas que acesso à vida privada dele, da mesma forma. Billie Jean dança com o narrador, depois, tenta retirá-lo da pista de dança, alegando que ele é o pai do bebe dela. Dirty Diana ama o artista que ela vê dançando no palco, depois, tenta tirá-lo do palco, também, entrando no carro dele e convidando-o para ir para casa com ela. E Susie foi seduzida por um homem que ela conheceu na pista de dança, e, quando ele não quer nada mais que isso, ela o apunhala na pista de dança.

Interessantemente, a letra de Blood on the Dance Floor move para frente e para trás o “você” do sedutor e o “eu” do narrador. O sedutor e o narrador têm histórias paralelas, e Susie está lá fora para pegar os dois. Isso sublinha o que Jackson, mais uma vez, está contando a história dúbia de uma mulher com o amante dela, assim como o artista com a audiência dele. O amante de Susie a seduziu na pista de dança, exatamente como Jackson nos seduziu, a audiência dele, no palco. Nós nos apaixonamos pelo Michael Jackson que nós vimos cantando e dançando no palco. Mas como Billie Jean, Diana e Susie, nós queríamos reclamar a pessoa por trás do artista também, a pessoa que existia fora da pista de dança, e fora do palco. E quando não pudemos pegar isso – quando a aparência em transformação dele e as perturbadoras entrevistas nos confundem, e ele, simplesmente, não seria quem nós queríamos que ele fosse – nós nos voltamos contra ele com toda a ira de um amante desdenhado e o atacamos.

É importante notar que o Michael Jackson “piadas” e a crucificação tabloide “Wacko Jacko” começaram muito antes das acusações de abuso sexual. Jackson lançou Leave Me Alone, a resposta dele ao bombardeio dos tabloides, em 1987 – seis anos antes das acusações de 1993, e 18 anos antes do julgamento de 2005. Em uma entrevista, em 1987, Robert Robertson do The Band, falou sobre este “estranho fenômeno americano, no qual nós pegamos estes heróis e nós os construímos e o expulsamos do paraíso. Nós continuamos a falar do assassinato de John Lenon, mas nós atacamos artistas populares de uma maneira mais sutil, da mesma forma: com palavras e piadas cruéis e um tipo único de desprezo que reservamos apenas para estrelas que, por qualquer razão, não mais nos encanta”.

Kacosn estava bem consciente desse fenômeno e falou sobre isso na entrevista de 1984 no auge da fama dele: “Streisand uma vez disse... ‘Eu superei isso, em 20/20’, ela disse que quando ele chegou, ela era nova e fresca e todo mundo a amou. Eles a elevaram e então... eles a derrubaram... Você sabe, ela é humana. Ela mão pode aguentar isso”.

Nós fizemos a mesma coisa com John Travolta, Houve um tempo, após o colapso do disco, quando Travolta era tão miseravelmente impopular que isso era como uma doença contagiosa capaz de infecta todo mundo que ousasse defende-lo: admitir que você gostava do trabalho de Travolta ou apreciava o talento dele era revelar que você mesmo era, terminantemente, chato.

Nós nos voltamos contra Elvis Presley também. Nós tendemos a esquecer disso por causa da renascente popularidade dele depois que ele morreu, mas há uma razão porque ele passou os últimos anos da carreira dele tocando em boates bregas em Las Vegas. Piadas e paródias sobre Elvis eram um grampo para de rotinas de comédias e passatempo nos programas de rádio nos anos setenta, embora olhando para trás com nostalgia, nós, convenientemente ignoremos o quão difuso o sentimento anti-Elvis estava de volta, então, ou o quão viciosamente ele era atacado – pela alegada paranoia dele e excesso, as armas dele, o peso dele, os sanduiches de nana com manteiga de amendoim dele, os terninhos dele e gola alta, até mesmo o distintivo estilo vocálico dele.

Os americanos se voltaram contra um dos heróis de Jackson, Charlie Chaplin, também.  Embora um cidadão bretão, Chaplin se tornou um dos atores mais amados da América, e ajudou os americanos a superar dias guerras e a Grande Depressão. No entanto, ele teve uma tempestuosa vida amorosa e uma suposta ascendência judaica (o que ele se negou a confirmar ou negar, dizendo que qualquer uma das declarações poderia ser usada para apoiar antissemitismo), ele foi criticado pelos esforços políticos, antes e durante a II Guerra Mundial. Em Chaplin: Uma Vida, o biografo Stephen Wissman alega que isso resultou em esforços engendrados para desacreditá-lo:

A reação contra Chaplin reuniu ímpeto no final de 1942. Westbook Pegler, um jornalista conservador..., deu o pontapé inicial na campanha com duas mordazes invectivas. Caracterizando as atividades de Chaplin em apoio ás nossas alianças militares com os soviéticos como pro-comunistas antiamericanas, ele recomendou deportação. E com ainda mais veemência, Pegler também sugeriu que os três divórcios anteriores do ator eram provas claras do desprezo dele pela pátria “pelos padrões americanos de relacionamento de casamento, família, e lar”.

A última acusação provou ser uma que pegou mais facilmente... Chaplin estava bem no caminho dele de ser publicamente marcado como um “leproso moral”.

O que é, talvez, mais mordaz sobre esse estágio da vida de Chaplin era a acurada consciência dele de que a audiência dele poderia se voltar contra ele.

Os pais de Chaplin eram, ambos, artistas talentosos, que terminaram a carreira deles em desprezível pobreza, e Wissman escreve sobre “o medo fixo” de Chaplin de que, como os pais dele antes dele, ele também estava a ser desprezado e esquecido pelo público, uma vez apaixonado, dele.

Os americanos suavizaram as condenações moralistas sobre ele por volta do fim da vida dele, e, quando ele foi premiado com o Oscar Honorífico em 1972 aos 82 anos, ele recebeu a mais longa ovação de pé de acordo com um premiado do Oscar. Alistair Cooke notou: “ele é agora – como diz a canção – ‘fácil de amar’, absolutamente seguro de adorar.” É claro, tudo foi esquecido quando ele morreu e os americanos voltaram a escarniá-lo mais – um padrão que temos repetido com inúmeras estrelas, desde então, incluindo Elvis Presley e Michael Jackson.

Nós nos voltamos contra um chocante número de artistas, incluindo performers tão diversos quanto Liza Minelli, Berry Gibb do Bee Gees e Sammy Davis Jr. Significativamente, Jackson foi publicamente apoiado por todos os três, antes que eles caíssem da graça do público. Ele era um amigo de longa data de Liza Minelli e a conduziu no casamento dela; ele era amigo próximo de Barry Gibb e padrinho do filho dele, Michael; e ele abertamente admirava Sammy Davis Jr., e escreveu um lindo tributo para a celebração do 60º aniversário dele, cantando:

 

Você esteve lá, e graças a você

Agora há uma porta por onde todos nós entramos

Sim, eu estou aqui porque você esteve lá

 

Jacksons e recusou a deixar a opinião do público influenciar a afeição dele por esses artistas ou oscilar o julgamento deles sobre o talento ou contribuições deles. Quando Eminem realizou um vídeo ridicularizando Jackson em 2005, um momento quando a opinião do público estava amplamente contra ele, Jackson replicou: “Eu tenho sido um artista na maior patê da minha vida, fazendo o que eu faço, e eu nunca ataquei um colega artista”.  Na verdade, ele sentia que artistas deveriam se unir e ajudar uns aos outros a lidar com a tempestade de uma inconstante e, às vezes, cruel audiência.

Mesmo como um jovem artista, Jackson foi muito consciente dos perigos que artistas e entretainer enfrentam. Um repórter gravou esta troca durante uma entrevista nos bastidores de um concerto em 1982:

Michael está questionando um dançarino se ele sabe sobre as recentes crises de um de um caído superstar. Michael quer saber qual é o problema. O dançarino fez mímica para a resposta dele, passando um dedo sobre o nariz dele. Michael balançou cabeça e traduziu para o amigo dele: “Drogas. Cocaína”.

... “Eu sempre quis saber o que faz bons performers desmoronarem. Eu sempre tentei descobrir. Porque eu simplesmente não posso acreditar que é a mesma coisa que os pega de novo e de novo.”

Nas músicas dele, Jackson aborda o lado mais sombrio da vida de um artista, incluindo isolação, vício ou, mais frequentemente, o espectro de um público imprevisível e potencialmente ameaçador. Mesmo a veloz “Wanna be Startin’ Somethin’” tem, notoriamente, letras sombrias – “Você é apenas um buffet. Você é um vegetal./Eles comem você. Você é um vegetal” – e nos diz: “Você faz Meu Bem chorar”.  Ele retorna a essa imagem em “Monster”, do álbum póstumo dele, Michael, cantando: “Você dá a eles tudo de si. / Eles lhe assistem cair./ E eles comem sua alma como um vegetal.”

Quando ele produziu Blood on the Dance Floor, os piores medos de Jackson se tornaram, horrivelmente, realidade. As acusações de abuso sexual infantil contra ele dominaram a mídia por meses e, como Chaplin antes dele, Jackson “estava bem no caminho dele de ser publicamente rotulado de um ‘leproso moral’”. A imprensa e o público estavam, agora, atacando-o, tão fervorosamente quanto, uma vez, o idolatraram e, dentro do espaço de um ano, ele foi de ser um dos mais amados homens do mundo a objeto de desprezo e mesmo ódio. Ele escreveu músicas temendo um público ameaçador por mias de uma década. Ironicamente, no entanto, uma vez que essa mudança no humor do público verdadeiramente aconteceu, isso não era a preocupação principal. Enquanto ele está desconfiado desta criatura furiosa que se virou contra ele. Ele está cada vez mais horrorizado pela devastação espiritual da pista de dança