Menu

Mostrando postagens com marcador Artigos diversos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artigos diversos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Lupus, Vitiligo, Plásticas e O Conceito de Auto-ódio


 

Lúpus, Vitiligo, Cirurgia Plástica e O Conceito de "auto-ódio". Será que Michael Jackson queria ficar branco?

 


Traduzido por Daniela Ferreira
Comentários em azul são da tradutora

 

Coincidências interessantes às vezes acontecem. Há uma semana, as acusações de que Michael Jackson se “autodesprezava por ser negro” impressionou-me tanto que decidi escrever algumas palavras sobre essa alegação – tocando sobre a saúde de Michael no caminho, e aqui estamos – certo Dr. Drew Pinsky, de repente, usa o programa de TV dele para divulgar as velhas mentiras sobre o nariz de Michael "caindo" e convida os chamados “amigos” de Michael Jackson (Brian Oxman e Deepak Chopra) para falar nada bem dele, exceto que ele era um “viciado”.

Surpreendentemente, mas o meu post também vai ser sobre a aparência de Michael e até mesmo alguns problemas relacionados com o vício e eu também citarei um ex-associado de Michael Jackson – Dr. Arnold Klein, que não é considerado amigo de Michael, de jeito nenhum, no entanto, é esse homem que vai nos garantir que o nariz de Michael estava muito no lugar e que Michael conseguiu se livar do vício em Demerol. Além disso, é este não-amigo que nos ajudará a entender como as drogas foram introduzidas na vida de Michael e quem é responsável por isso.

Nestes dias de batalha aberta para o bom nome de Michael Jackson é difícil dizer quem é amigo ou inimigo – algumas pessoas são definitivamente indecisas sobre de qual lado estão, e ficam indo e volatdndo. Hora de fazer sua escolha, rapazes – estamos quase lá e depois vai ser tarde demais.

Mas vamos começar de onde paramos a discussão sobre o alegado “autodesprezo por negros” de Michael. Um leitor levantou isso na seção de comentários e descobriu que algumas pessoas acreditavam nisso e aplicavam isso a Michael Jackson como a única explicação de por que ele se transformou de negro em branco e fez cirurgias plásticas no rosto.

 
FICANDO BRANCO 

Somente os surdos e cegos não sabem até agora que não era desejo de Michael de se tornar branco. A mudança na cor da pele dele foi devida ao Vitiligo, uma doença grave autoimune, que transformou a pele dele em porcelana branca e a vida dele em um pesadelo. Não poderia ser parada ou curada, foi um enorme obstáculo para o trabalho de Michael no palco e aparições públicas e, além de trazar grande sofrimento, foi considerado em todo o mundo como um sinal de que Michael querer trair a própria raça.

O site MJEOL perfeitamente redigiu: "Durante anos, Jackson viveu com uma acusação totalmente injusta, imerecida e sem fundamento, com base em algo contra que ele não podia fazer nada. Ele enfrentou todos os diabos e todas as piadas que foram feitas poderiam ter sido um enorme fardo sobre alguém que já estava totalmente auto-cosciente sobre a aparência dele”.

 


As filmagens de "They Don’t Care About Us" no Rio de Janeiro, em 1995. Maquiagen efetivamente cobrem a manchas escuras no vídeo real.


Eu creio que o vídeo pasa por edição e, assim, as manchas são escondidas.

Aqueles que ainda fazem piadas desagradáveis ​​sobre o desejo de Michael de “ficar branco” devem ser lembrados em uma base diária que esse tipo de comportamento por parte deles era mais ou menos tolerável, ​​quando as pessoas estavam no escuro sobre a doença de Michael. Repetir a mesma velha história, agora, depois que ele disse a Oprah e outros sobre o vitiligo e o diagnóstico foi confirmado por inúmeras fotos e até mesmo o relatório da autópsia é simplesmente monstruoso. Assim como é monstruoso rir das feridas dos outros.

Esse tipo de comportamento deve ser interrompido por uma mão de aço por todos que o vê, pois não se justifica de maneira nenhuma.

O dermatologista de Michael, Arnold Klein, disse em uma entrevista com Larry King, que o vitiligo de Michael foi muito ruim e a decisão final de “ficar branco” não foi de Michael.


KING: O que é vitiligo?

KLEIN: É uma perda de células de pigmento. E as células de pigmento, você – para cada 36 células normais em seu corpo, você tem uma célula de pigmento bombeando pigmento nelas. Infelizmente, é uma doença autoimune e o lúpus é uma doença autoimune. E elas tendem a ocorrer juntas, porque você produziz anticorpos contra as células de pigmento.

KING: Michael tinha isso?

KLEIN: Com certeza. Nós fizemos uma biopsia.

KING: O que provoca isso?

KLEIN: A causa disso é... É causada por seu sistema imunológico e seu sistema imunológico destrói as células de pigmento.

KING: As pessoas negras têm mais que os brancos?

KLEIN: Não. Mas é apenas mais visível em pessoas negras, porque eles têm uma pele escura. A outra coisa é que isso certamente ocorre com uma história familiar. E eu acredito que um dos parentes de Michael, de fato, tem vitiligo.

KING: Ele ficou muito mal?

KLEIN: Oh, ele ficou muito mal, porque ele começou a ter uma aparência totalmente salpicada sobre o corpo dele. E ele poderia...

KING: Sobre todo o corpo dele?

KLEIN: Em todo corpo, mas no rosto dele de forma mais significativa; nas mãos, que eram muito difíceis de tratar.

KING: Então, vamos deixar claro uma coisa. Ele não era alguém desejoso de ser branco?
KLEIN: Não. Michael era negro. Ele estava muito orgulhoso da herança negra dele. Ele mudou o mundo para os negros. Agora temos um presidente negro.
KING: Então, como você trata o vitiligo?
KLEIN: Bem, quero dizer que há certos tratamentos. Você tem uma escolha onde você pode usar determinadas drogas chamadas (inaudível) e tratamentos de luz ultravioleta para tentar fazer com que as manchas brancas fiquem escurar ou... Mas a dele se tornou tão grave, que a maneira mais fácil é usar cremes certos que farão as manchas escuras clarearem, assim você pode até mesmo retirar a pigmentação totalemte. 

Veja que Klein deixou claro que aopção por clarias o que restou da cor negra era a mais indicada para casos de vitiligo extenso como Michael tinha. Mas de qualquer forma, uma repigmentação com luz ultravioleta não seria posspivel. Michael tinha lupus eritomastose discoide e essa doença provoca feridas na pele quando exposta ao sol. Agora, o que é a luz ultravioleta senão a mesma radição que vem do sol? Um tratamento com UV mataria Michael, ou seja, era um beco sem saida.

KING: Então a sua decisão foi clareá-lo?

KLEIN: Bem, sim, isso é, em última análise, o que a decisão tinha que ser, porque havia vitiligo demais para lidar e...

KING: Caso contrário, ele teria parecido ridículo?

KLEIN: Bem, você não pode... Ele teria que usar maquiagem pesada, maquiagem pesada no palco, o que seria ridículo. E ele realmente não podia sair em público sem parecer terrivelemente diferente. 

Aqui está o vídeo deles conversando:


 A versão de Dr. Klein dos eventos são as mesmas palavras que a maquiadora de Michael, Karen Faye, usou para explicar por que Michael ficou branco, quase da noite para o dia (ou pelo menos alguns de nós tínhamos essa impressão). Karen Faye diz que primeiro tentou cobrir as manchas brancas com maquiagem escura, mas quando o vitiligo se tornou demasiadoextensa, eles tiveram que usar maquiagem clara, o que naturalmente provocou uma mudança quase imediata na aparência de Michael na cor oposta:


A mudança foi rapidamente notada pela mídia e foi atribuída a uma operação para “substituição de pele” a qual ele tinha, alegadamente, se sujeitado. Essa mentira foi tão eficaz que até mesmo em minha parte distante do mundo um grande número de pessoas inteligentes que acreditavam que a pele de Michael tinha sido substituída.

E isto apesar da ideia ser completamente ridícula, absurda e até mesmo delirante. Onde é que um homem negropega tanta pele branca? De um doador? Mas não há precedentes de uma substituição cirúrgica de pele em todo o corpo! A substituição máxima que eles fazem agora são remendos isolados de pele (quando ocorrer ferimentos, queimaduras) E como essas pessoas imaginam a substituição completa? Escalpelando-o compeltamente primeiro? E depois colando a pele de outra pessoa? Algumas pessoas devem ter assistido filmes de terror demais e não podem contar a vida como resultado de uma ficção!

A ideia é ridícula e até risível, mas só para comprovar a impossíbilidade disso, saiba que, quando uma pessoa é vpitima de queimadura grave e precisa de enchertos de pele, o corpo rejeita essa pele estranha. O que os médicos fazem é colocar pele retirada de cadáveres para proteger a vítima de queimadura, mas els sabem que é questão de tempo até que o corpo comece a se livrar da pele enchertada. Uma nova pele cresce – pele da própria pessoa – enquanto a enchertada é descartada pelo corpo. Isto é, se Michael tivesse trocado toda a pele (faça um esforço para imaginar algo tão absurdo), o corpo dele teria se livrado da pele estranha, e uma nova pele original (e negra) teria se formado.

Outros detratores acreditavam que Michael usou cremes para clarear a pele. Ele fez uso de alguns cremes branqueadores, como os médicos prescreviam, para fazer as manchas escuras parecer mais pálidas, mas esses cosméticos são um procedimento padrão para todos os pacientes com vitiligo, para poupá-los do constrangimento de enfrentar o público com uma aparencia de leopardo. E uma vez que o uso desses cremes é padrão, todas aquelas pistas sujas sobre “clareamento da pele dele” completamente perdem lugar. Não rimos de pessoas que usam creme dental para a higiene diária, rimos? Então por que todas as insinuações e risos sobre o “creme de clareamento encontrado na casa dele”? Por que não rir quando encontrar creme dental na casa de alguém, também?

Como todas as pessoas que sofrem de vitiligo, Michael ficava muito constrangido pela condição dele e confessou que tinha a doença apenas quando ele estava praticamente branco. Se ele tivesse dito isso antes a histeria sobre ele “querer ser branco”, provavelmente, poderia ter diminuído, mas sabendo que ninguém acreditava em Michael, mesmo depois da admissão dle, eu duvido que uma confissão antes tivesse feito muita diferença.

Em vez disso, poderiamos termos sido soterrados com fotos de Michael pintado, secretamente feitas por paparazzi, escndidos em alguns arbustos, e publicadas em todos os tabloides com manchetes escandalosas. Você pode imaginar as suculentas histórias que acompanhariam as fotos? Eu posso muito bem: “A aberração se tornando mais aberração que nunca”; "Um Terror Salpicado", “Você já está assustado?”.

Não; foi sábio ele não dizer nada até que ele se tornou de uma só cor, de novo.


O CONCEITO COMUM DE BELEZA

Mas a teoria do “autopreconceito racial” de Michael é baseada não só na mudança dramática da cor da pele. Muita conversa sobre esse assunto gira em torno da cirurgia plástica no rosto. Alguns têm certeza de que, dessa forma, Michael estava interessado em adquirir uma “aparencia branca” e que o desespero dele para “mudar a raça dele” era tão grande que ele supostamente fez mais de 50 operações. Após a entrevista de Bashir ir ao ar, a mídia escreveu:


No início desta semana, um especial da ‘Dateline NBC’ examinou a negação do cantor, que ele fez apenas duas operações de cirurgia plástica. Um médico que compartilhava um escritório com o cirurgião plástico de Michael Jackson alegou que o cantor pop teve mais de 50.”

Qual médico? Nome, por favor! E quanto ele poderia ver se ele apenas dividiu o escritório?

Contudo, não vamos perder tempo com essas pessoas que tentam evitar de voltar para o inferno (que é de onde eles vieram), a questão que precisamos buscar é se Michael realmente odiava a si mesmo por ser negro e se ele realmente “traiu a raça dele” por ter feito cirurgias plásticas no rosto.

Em primeiro lugar deixe-me dizer que a ideia de “autopreconceito racial”, como tal, e em aplicação à cirurgia cosmética, em particular, parece para mim uma construção mental tendenciosa e alatamente artificial. Você pode sentir que algo está basicamente errado com essa afirmação, mas não determinar onde está o erro. Tudo o que posso dizer é que a ideia é muito primitiva para explicar coisas que são, na verdade, muito mais complexas.

Infelizmente, o fenômeno da “autoódio” existe, embora eu fosse preferir chamá-lo autoinsatisfação ou não-aceitação de si mesmo do jeito que é. Mas chamar isso de fenomeno unicamente negro seria um exagero ridículo, para dizer o mínimo.

A verdade da questão é que a maioria das pessoas é incapaz de aceitar-se plenamente.  Insatisfação com nós mesmos é uma característica típica para a maioria de nós e é apenas o grau dela que varia de pessoa para pessoa. Esse fenômeno não é apenas uma das maiores forças motrizes humanas (uma vez que incentiva mudanças e trabalhar em si mesmo), mas também é um dos maiores males da vida (pois traz neuroses).

Tomadas em um contexto mais amplo, a incapacidade de sse aceitar não inclui apenasa aparência. Algumas pessoas não aceitam o peso e fazem dieta. Alguns estão descontentes com as capacidades intelectuais e dosn que a natueza lhes deu – eles queriam algo melhor ou mais. Alguns sofrem de falta de confiança em si próprios ou incapacidade de socializar adequadamente e tornam-se totalmente neuróticos, como resultado. Alguns têm dificuldade em aceitar a sexualidade ou posição social e isso pode provocar excessos enormes. No entanto, há uma coisa que é comum a todos nós – praticamente todos nós estamos insatisfeitos como parecemos.

Eu não conheço uma pessoa na minha vida que esteja totalmente feliz com a aparência dela. Algo está sempre erradonariz, orelhas, condição da pele, forma dos quadris, barriga, pernas ou a boca. Alguns têm o cabelo muito pouco ou não, alguns têm muito cabelo e não nos lugares certos, aqueles com cabelo encaracolado os desejam lisos, aqueles com cabelos lisos os querem encaracolados, e assim por diante; a lista pode continuar para sempre.

Insatisfação com a aparência é tão difundido que o conjunto da indústria da beleza é com base nesse conceito, assim, tornando-se tecnicamente possível chamar todos os usuários ávidos de produtos de beleza autoinimigos também. Essa seria uma afirmação absurda, claro, mas a popularidade de procedimentos cosméticos e maquiagens de todos os dias mostram que a autoinsatisfação e parcial não aceitação da própria aprência é uma coisa absolutamente rotineira, que mostra o desejo de cada um de nós para chegar a certo padrão – sim, o padrão ideal de beleza.

Eu não ficaria de repente falando sobre esse conceito, se não tivesse uma relação direta com Michael. Ele foi acusado por todos de um desejo de parecer mais atraente e a hipocrisia dessas acusações é simplesmente impressionante quando você olha para ele do ponto de vista de um grande número de nós que estão fortemente envolvidos em atividades semelhantes, nós mesmos.

Se alguns de nós não recorremos a procedimentos cosméticos, isso significa que ou são pessoas muito sábias que aprenderam a aceitar a si mesmas do jeito que são ou simplesmente é falta de meios para desfrutar de todas as coisas boas que a indústria da beleza pode nos oferecer. Considerando o último fator, eu suspeito fortemente que se tivéssemos o dinheiro não seriamos capazes de resistir a algumas das tentações cosméticas e também encontrar o que fazer para nossos rostos ou figuras (e com a idade também). 

Como você legitimamente, aconteceu que o ideal de beleza foi de alguma forma forçado no mundo pela raça branca, embora tenha começado a mudar sensivelmente nas últimas décadas. Mas mesmo apesar das novas tendências, a mente humana ainda é fortemente dominada pelos ideais que foram evoluindo ao longo dos séculos e que são implantados em nossas mentes sem nos darmos conta.

Como resultado disso, ou, provavelmente, porque o conceito de beleza é algo embutido em uma mente humana (?), eu arriscaria a dizer que há certa imagem mental de beleza que existe em forma abstrata para todas as pessoas do mundo independentemente da raça e cor da pele dela. Esse ideal de beleza inclui uma combinação de vários elementos obrigatórios – o mínimo de que são uma pele limpa e saudável, nariz reto e bem proporcionado, os olhos que são de preferência maiores, orelhas que não se destacam, lábios não muito finos, cabelo bom, etc.

E é engraçado, mas consideramos cabelo bom o cabelo liso, e o cabelo crespo é chamado ruim. Daí concui-se que o ideal de beleza são os traços da raça branca. 
 


Madonna Negra
A cor da pele não é tão importante porque é um fator menor, em comparação com as características faciais – se todos elementos acima estão presentes, o rosto permanece dentro de um certo padrão comum de beleza e a cor da pele é apenas um tempero que pouco acrescenta para o quadro inteiro. Olhe para os rostos bonitos de refugiados da fome no Chifre da África, que estão atualmente em telas de TV de todo mundo e você vai entender o que quero dizermuitos dos rostos são tão belamente modelados que, se não fosse a tragédia, muitas destas mulheres magras poderiam se tornar modelos. Os rostos delas ajudam a perceber que não é a cor da pele que faz com que uma pessoa seja bonita, mas os traços do rosto e as proporções.
O ponto que eu estou tentando fazer aqui é que a beleza não está na cor – a beleza está nas proporções do nosso rosto, o complexo que é registrado por nosso cérebro em algum nível muito básico reconhecido por todos.
Esse padrão universal de beleza tem levado muito tempo para formar e vai novamente levar algum tempo e alguns mecanismos psicológicos desconhecidos para fazer o nosso cérebro perceber a beleza de forma diferente. Não está em nosso poder mudar a percepção pública da massa do que é bonito e o que não é – especialmente desde que a mídia está fazendo o melhor que pode para que todos nós desejemos paracer o que eles consideram bonito no momento. No século seguinte, o conceito de beleza vai mudar e todos vão novamente tentar parecer de tal maneira – e isso é algo que simplesmente não pode ser evitado por qualquer um de nós.
O tema pode parecer ianda mais pertinente se você tiver em emnte que Michael via o próprio rosto como uma obra de arte, uma tela na qual ele esculpia, não necessariamente um padrão de beleza de acordo com um senso comum, mas o que ele julgava belo. Isso é uma longa discussão, que foi abordada em diversos artigos de Joie e Willa (do Dancing With the Elephants) e outras autoras como Susan Fast. Bem como o livro M. Poetica de Willa Stilwater
 
 Continua...
 
 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Matt Forger conta os segredos de Bad 25


“Chicago 1945 foi feita antes de Al Capone”, Matt Forger: os segredos de  BAD 25
 


Matt Forger fala: Os segredos de BAD 25

 

Traduzido por Daniela Ferreira para o blog The Man in the Music

 

Ouvir música de Michael Jackson é sempre algum tipo de uma experiência única. Não só porque os vocais e as músicas são bons, mas também porque as canções dele são realmente como uma tapeçaria, com tantas camadas, que você sempre se encontrar descobrindo novos detalhes, cada vez que as ouve. Com 25 BAD, o Espólio de MJ e a Sony lançaram luz sobre várias faixas inéditas das sessões de Bad. Claro, ainda existem mais músicas dquela era a serem descobertas, mas as faixas que são liberados este ano dão uma visão interessante e genuína do processo criativo de Jackson, muitas vezes subestimado. 

Desta vez, BAD 25 entrega a mercadoria: todas as faixas nele são apresentadas sem ser melhoradas ou em overdub, como explica o engenheiro de som e colaborador de longa data de MJ, Matt Forger: “Foi decidido que qualquer coisa que seria incluído no lançamento e apresentado para o público tinha que ser exatamente no estágio de produção em que existia em 1987. Nenhuma gravação adicional, sem elementos adicionais... Fiquei muito feliz em saber que a direção era só podemos usar os elementos que foram gravados até 1987. Deve ser o trabalho desse período’.”

Forger trabalhou com Jackson para os álbuns de estúdio dele (desde Thriller até HIStory) e também o ajudou na produção de outros projectos, como Captain EO, além da trilha sonora de abertura da Victory Tour dos Jacksons em 1984. Em 2000, ele trabalhou na série de Edições Especiais de o box set Ultimate Collection de 2004. Forger também fez parte da equipe que desenvolveu o projeto Thriller 25 no final de 2007. Então, logicamente, ele se viu envolvido na elaboração da versão BAD 25: “Fui convidado pela Sony e o Espólio para participar disto, porque este foi um trabalho no qual eu estive muito envolvido, durante a gravação de muitos destas músicas. (...) Eu sou a pessoa que foi chamada muitas vezes como consultor, para ajudá-los quando eles tinham perguntas sobre material mais antigo dos arquivos, ou quando alguém precisa entender um ponto em particular.”

Escavar os arquivos de MJ é, naturalmente, um dos melhores empregos do mundo. Mas a forma como as canções e as fitas foram tratadas demanda perícia que muito poucas pessoas têm. Forger estava lá quando tudo aconteceu, por isso ele é capaz de rastrear coisas que os documentos e notas podem ter negligenciado.Quando eu revejo notas ou caixas de fitas, todas estas lembranças voltam para mim. Lembro-me da situação em que a canção foi gravada, quem eram os participantes e os músicos, e algumas das coisas particulares que nós fizemos, como o estilo e o som da gravação ou o equipamento que usamos. Toda essa informação vem apenas do meu banco de memória, porque eu estava lá trabalhando com Michael Jackson na época.

Isso, é  claro, mostra quão abrangente e cheias de surpresas as obras de Jackson no estúdio pode ser. O que tem que ser mantido em mente é que, desde o álbum Off The Wall (1979), Michael Jackson tinha tomado gradualmente o controle sobre as música e todos os aspectos da carreira dele. O auge desse processo ocorreu durante a era BAD. Como o episódio final e última parte da trilogia que começou com Quincy Jones no final dos anos 70, o álbum também foi uma importante transição para Jackson, que se deslocaria para novos rumos e colaborações no início dos anos 90, quando ele lançou Dangerous. E, em muitas ocasiões, Bad 25 insinua essas mudanças por vir.

Michael Jackson entrou no mundo da música como, provavelmente, o último verdadeiro Motowner da geração dele. Depois de uma carreira de quebra de recordes com os irmãos, o Jackson 5 e The Jacksons, ele entrou para a vida adulta com uma coleção de canções que não só provou que ele tinha feito a transição difícil, a partir da infância, mas também gerou faixas que, desde então, se tornaram clássicos de danceteria, instantaneamente. Em BAD, ele mostrou que ele ainda poderia fazer isso em clubes, mas também se inclinou para outros estilos e gêneros musicais. A imagem global do álbum é uma evolução dramática da imagem de durão que ele desenvolveu no curta-metragem Beat It (1983). Músicas como Man in the Mirror também mostra que ele vem com uma mensagem, e que a música é sempre uma questão de som, mas também de melodia e letra.

Em BAD, Jackson escreveu nove das 11 faixas apresentadas ao público. Como Quincy Jones colocou, nas entrevistas bonus no primeiro relançamento de Bad em 2001 entrevistas de bônus do primeiro relançamento de BAD, em 2001, as músicas “são sempre de alguma forma autobiográficas”. Então, em algum lugar no caminho, pode haver uma linha tênue entre o que eu apenas não posso I Just Can’t Stop Loving You e Dirty Diana: aqui está uma definição fascinante de amor e ódio que ele também desenvolveu em outras obras.

BAD é conhecido pelas 11 faixas que fcompoem o álbum. Mas ele também é conhecido por ser um projeto com cerca de 60 faixas mais a ser consideradas. Algumas delas têm vocais de Jackson nelas, em fases diferentes de produções. Algumas delas são apenas faixas instrumentais de músicas e ideias que não foram, eventualmente, mais desenvolvidas. BAD 25 humildemente foca nas sessões de Bad com uma série de seis faixas inéditas que documentam o proceso criativo de Jackson. Então, como um pouco mais do que 10% do material gravado foi apresentado ao público, essas obras inacabadas e, ainda, por vezes, experimentais, dão uma ideia de como os sons foram criados.

 

Don’t Be Messin’ ‘Round

(Gravadapor Brent Averill e Bruce Swedien)

Don’ Be Messin’ 'Round foi lançada em junho deste ano, como o outro lado do single relançado I Just Can’t Stop Lovin’ Young. Ela definitivamente soa como um esboço cru que Jackson lança sobre a mesa de som, só para ver como os diferentes elementos se fundem e, eventualmente, coincidem. Com leves toques de música pop e uma definitiva influência de Bossa Nova, Don’t Be Messin 'Round é também uma reminiscência de Don’t You Worry ‘Bout a Thing de Stieve Wonder. Jackson frequentemente cita Wonder como um dos mestres dele e grande influência na música. Em muitas ocasiões, ele também elogiou alguns dos trabalhos dele. Em 2003, ele deu uma entrevista especial para Brett Ratner para uma entrevista (publicada no início de 2004) e falou sobre o álbum Innervisions, de1973, de Wonder (que inclui Don’t You Wprry 'Bout a Thing): "Ouvir esta música me fez dizer a mim mesmo: ‘Eu posso fazer isso, e eu acho que posso fazer isso em um nível internacional’”.

Michael gravou a canção, pela primeira, com o engenheiro de som, Brent Averill, no início dos anos 80. “Esta é uma das músicas que foi gravada muito cedo, possivelmente para o álbum Thriller”, explica Matt Forger. “Por alguma razão, não foi desenvolvido qualquer adicional àquele tempo. Michael a trouxe de volta e nós fizemos mais um trabalho nela no período do álbum Bad. Algumas gravações adicionais foram feitos, na época, com Bruce Swedien, em Westlake. Eu fiz algum trabalho adicional e mixagens, naquela época, para a valiação de Michael.”

A versão lançada por BAD 25 é uma tentativa de dar a melhor representação da versão da faixa de 1987, a que foi deixada no estúdio naquela época:Muitos dos elementos que foram trabalhados na era BAD foram alguns dos elementos básicos dessas demonstrações anteriores. Elementos selecionados foram transferidos e, em seguida, o trabalho adicional foi gravado para o álbum Bad. E, então, foi decidido que não era para ser incluído no álbum, e nesse ponto, nenhum trabalho adicional foi feito. E para BAD 25 eu tive que voltar para muitas fitas de várias faixas porque os elementos da gravação em fitas eram diferentes: alguns foram registrados em Westlake, e, alguns, no Hayvenhurst, e eu tinha que ter certeza de que todos esses elementos representativos podem ser montados em uma única versão, e uma mistura única de música”.

Forger também confirma que outras versões da canção foram feitas mais tarde, as quais eram mais refinadas do que as gravações anteriores. Don’t Be Messin’ ‘Round, uma canção inacabada que agora se apresenta ao público como é, e de propósito, mostra a espontaneidade de Jackson no melhor dele: "Eu entendi o que o sentimento da música deve ser. O que é interessante na música é que você pode ouvir Michael dando instruções como ‘ponte’ ou ‘guitarra’ e ele realmente canta as partes, ele próprio. Isso foi, naturalmente, um trabalho em sessão progressiva.”

A emoção é algo que sempre foi muito importante em canções de Jackson. No documentário de 2004, The One, Jill Scott explica que ela percebeu a importância da entrada emocional na obra dele: “mas é as escolhas que ele faz quando canta uma canção, ele transmite emoção. Isso é um dom”.  Assim, mesmo quando ele canta letras aleatórias em demos, pode-se sentir que ele está procurando os melhores lugares e momentos na melodia para introduzir emoção genuína e sincera. "Michael estava experimentando e testando elementos e estilos", diz Forger. "Ele iria avaliar a melhor forma de abordagem. Mas a emoção é a coisa que está muito à frente”.

 

I’m So Blue

(Gravada pory Matt Forger e Bill Bottrell)

Surpreendentemente, a depressão é um tema que Michael Jackson apresentou muito cedo na carreira dele como compositor, quando ele lançou Blues Away no álbum dos Jacksons, de 1976, de mesmo nome. Aos 17 anos, ele já estava em temas bastante maduros que ele iria desenvolver em trabalhos posteriores. I’m So Blues é sobre uma história de amor com um final triste, e Michael canta a solidão dele.

A balada é envolvida com arranjos doces. A sequência intridutória instantaneamente estabelece o palco e o humor da faixa. Os acordes são suaves e brandos e a voz de Jackson nos primeiros versos reflete a tristeza da história.

A seção da ponte da canção tem esse amplo solo de gaita, ou um instrumento que realmente soa como uma gaita: "Foi, de fato, um sintetizador de gaita", revela Forger. "E isso foi realmente John Barnes. Ele é um músico muito talentoso no teclado. E ele poderia tocar muitos instrumentos de sopro e brasses. Assim, ele poderia entender como um músico toca o instrumento real e como as notas tinham que ser atacadas; e isso é uma das coisas nas quais que ele era muito versátil e muito talentoso.”

I’m So Blue está incluída em BAD 25 como uma gravação demo. A sofisticação de alguns dos arranjos polidos dela realmente coloca a música em outra categoria. O que a maioria dos artistas consideraria gravações finalizadas, Michael Jackson iria chamar de demos.

Song Groove (Também chamada Abortion Papers)

(Gravada por Brian Malouf e Gary O)

Em Song Groove, Michael Jackson aborda um problema social que ainda alimenta debates hoje. Esse é um tema que tem sido desenvolvido por muitos artistas pop antes. E, inesperadamente, Jackson escreveu uma música sobre o assunto, tentando não ofender as mulheres que podem enfrentar tal situação.

O título da canção, Song Groove, é seguido por outro título: Abortion Papers. Isso soa como se os dois títulos dificilmente combinacem: de certa forma, como pode um título como Song Groove ser usado para uma canção sobre o aborto? Uma das habilidades de Jackson era criar músicas à frete do tempo e cativantes, com temas profundos e sombrios. Billie Jean pode ser o melhor exemplo, como ele conta a história de uma mulher que alega ter filho de Jackson. Em Abortion Papers, Jackson também usa um tema musical uptempo para espalhar a mensagem dele. A história deste duplo título reflete a maneira de Jackson trabalhar em ideias para músicas: "Quando fizemos a pesquisa havia duas fitas e em cada fita é uma fita analógica multitrack, dizendo Song Groove", lembra Forger. "Mas nós não percebemos que Abortion Papers foi gravada em duas metades. Metade da canção era uma fita, metade da canção era outra fita. E ao ouvir eu disse "esta fita é a metade de outra fita que temos". E, depois, fizemos mais pesquisa e encontramos outra fita e tivemos que colocar as duas metades juntas para obter a gravação completa”.

Assim, isso leva pessoas como Matt Forger a entender completamente o que está nos arquivos. Algumas músicas estavam trabalhando títulos que mudaram no processo. Em BAD, o primeiro título de The Way You Make Me Feel era Hot Fever. Esse título da música de trabalho apareceu apenas uma vez, em um raro CD Promo Special Edition de Bad, dos EUA, em 2001.
Musicalmente, Song Groove dá dicas sobre texturas sonoras e os projetos que seriam desenvolvidos em Dangerous: a atmosfera moderada, mas tensa, de sons de máquinas e sons metálicoseles já estão lá. "Em Song Groove há uma qualidade agressiva da música que ele estava desenvolvendo e escrevendo", diz Forger. "Este foi o momento em que, com incentivos de Quincy, Michael escreveu todas as canções do álbum Bad, tanto quanto pudesse. Eu trabalhei com Michael, juntamente com Bill Bottrell, John Barnes e Chris Currell. Nós estávamos trabalhando com ele em no estúdio Hayvenhurst, que Michael chamava de Laboratório. Meu trabalho era trabalhar com Michael e obter todas essas ideias de músicas que Michael estava trabalhando e desenvolvendo: o estilo de produção, o estilo de escrita, o estilo de arranjo dele. Tudo sobre isso era Michael desenvolvimento isso, e foi fascinante, para mim, ser capaz de observar isso. Grande parte desses estilos que você pode ouvir nas músicas incluídas em BAD 25 está desenvolvida em álbuns posteriores.”
 

Free

(Gravada por Bill Bottrell)

Mais uma vez, a influência de Stevie Wonder é altamente palpável nessa canção. A partir da referida Blues Away, de 1976, até trabalhos posteriores, como Beautiful Girl (lançada no box set de 2004, Ultimate Collection), as baladas de autoria de Jackson muitas vezes apresentam características harmonias inspiradas por Wonder. Free também soa fresca como alguns das obras do fim dos anos 70 de Jackson como um grupo. O amor de Jackson por melodias doces pode ter sido fonte de escárnio ao longo dos anos, mas como o compositor francês e um dos colaboradores de Celine Dion, Jean Jacques Goldman, disse à rádio RTL em 2009: "Ele é um grande compositor. We Are the World pode parecer coisa fácil, mas é preciso algum talento para vir com tal melodia. Ele é um músico e arranjador.”
Free é  Jackson, o cantor de baladas, no meljhor dele: com alma, feliz e, assim, no momento. “Esta é uma das minhas músicas favoritas aqui, porque você pode ouvir a emoção de Michael, e o espírito dele, você pode ouvir a felicidade e a alegria dele", confirma Forger. “E este é o sentimento que tínhamos no estúdio. A atmosfera no estúdio seria sempre emocionante. Ele estaria feliz e desfrutaria muito o trabalho. Quando você ouve a voz de Michael, ela faz você sorrir e se sentir tão bom, que você pode sentir a alegria. Sempre que eu ouço a música Free, isso me faz sentir tão bem por dentro.”
 

Price of Fame

(gravada por Bill Bottrell e Matt Forger)

Aqui está uma música que tem uma longa história na comunidade de fãs de MJ. Price of fame foi programada para ser o tema principal de uma campanha da Pepsi. A canção não foi lançada e acabou por ser substituída por uma versão especial de BAD com novas letras Pepsi. Matt Forger lembra: “havia uma versão especial de Price of Fame com letras diferentes para a Pepsi. Eu não acho que muita gente já ouviu falar dela. Mas essa é a versão original de Price of Fame em BAD 25, e foi gravada no Hayvenhurst”.
Enquanto ela soa como uma sequela de Billie Jean e uma préva de Who Is It, Price of Fame também tem a  própria identidade e originalidade. Ela é construída em torno de uma batida suave Ska / Reggae, uma das escassoes incursões de Jackson no gêneroele também gravou os vocais de fundo para Don’t Let a Woman (Make a Fool out of You) – de 1982, de Joe King Carrasco.
As letras refletem perfeitamente o estado de espírito em Jackson podia estar tão logo Thriller alcançou as alturas que até hoje permanecem intocáveis​​: "Este é Michael falando sobre experiências muito pessoais", explica Forger. "É sobre o tipo de coisas que aconteceu na vida dele, especialmente após o sucesso de Thriller. A popularidade era tão extrema que ele não era mais capaz de sair em público sem atenção”.
 

Al Capone

(Gravada por  Matt Forger and Bill Bottrell)

Outro título de canção conhecido há anos por fãs de MJ e especialistas. Descrito como uma demo muito anterior ou encarnação do que viria a se tornar Smooth Criminal, Al Capone reflete o amor de Michael Jackson por contar histórias. É claro, o cinema e os filmes tiveram um enorme impacto sobre o trabalho e sua visão dele como artista. Começando com o vídeo épico para Can You Feel It (The Triunmph, 1981), Jackson sempre empurrou os limites de inovar e apresentar peças de música com uma forte vertente cinematográfica. A canção foi gravada em Hayvenhurst e Matt Forger lembra o ângulo original da faixa: "Al Capone foi escrito em torno de uma figura histórica real. Ela estabelece as bases para a canção que se tornou Smooth Criminal. Michael usou muitos dos mesmos temas e ideias semelhantes para criar Smooth Criminal”.
Como Al Capone era sobre uma figura histórica, Jackson refinou a visão e optou por outra história totalmente diferente: "Em Smooth Criminal ele escreveu uma história e a tornou única. Não era sobre uma figura histórica como Al Capone. Ele fez a própria história e isso foi algo novo e fresco em na visão dele”.
Assim como as ideias e elementos de Streetwalker foram retrabalhados para criar a primeira versão da música Dangerous, Al Capone e Smooth Criminal foram criadas com o mesmo tipo de elementos. E, na verdade, ambas as músicas parecem ser derivada de outra canção que Jackson gravou mais cedo e que tem sido amplamente falado por fãs de música de MJ: "Chicago 1945 foi feita antes de Al Capone", explica Matt Forger. "Ela fala sobre uma era na época, sobre o que estava acontecendo naquele momento, em Chicago, naquele ano. Era quase como se você estivesse lendo os jornais na época. Foi uma canção a qual, talvez, Michael tenha usado como a ideia para Al Capone, e Al Capone foi a ideia para Smooth Criminal. Então talvez haja algumas semelhanças, mas essa é uma canção diferente. Al Capone era uma definitiva nova abordagem e Smooth Criminal era muito mais refinada”.
 

Je ne veux pas la fin de nous

Vazada na internet, em 2001, Je Ne Veux Pas La Fin De Nous é a tentativa única de Jackson para cantar em francês. Ele escolheu adaptar a canção I Just Não pode Stop Loving You em espanhol e francês para chegar a novos públicos. Outros cantores também foram nessa direção, e simplesmente o objetivo era melhorar a imagem deles em mercados específicos.
Assim como a versão em espanhol, Todo Mi Amor Eres Tu, foi co-escrita por Ruben Blades (Jackson também trabalhou com ele na versão espanhola do single all-star internet de 2003 dele, What More Can I Give), a versão francesa foi escrita pela escritora belga, Christine Decroix, uma ex- protegida de Quincy Jones. Decroix lembra que a faixa foi gravada às preças, pouco antes de Jackson ir ao Japão para lançar a turnê Bad. Levou cerca de uma noite para escrever as letras e ela estava no estúdio com ele para treiná-lo e dar-lhe instruções para que ele pudesse obter o sotaque certo.
A mixagem da música apresentada em BAD 25 é a último que foi feita em 1987: "Este não é um novo mix", confirma Matt Forger. “A mixagem existia naquela época. Eu só sabia que havia uma versão em espanhol e uma francêsa. Houve um monte de investigação e interesse para liberar a música. Disseram-me para mixa-la para BAD 25. No entanto, as pessoas com quem trabalhei... eu disse que temos que pesquisar isso completamente e nós sabíamos que algo foi feito em 1987. Minha filosofia toda é: cada vez que eu pudesse encontrar uma mixagem muito boa, representativa de que a música deveria ser e da maneira como Michael iria querer a música, àquela época, minha escolha é de que isso é o que deve ser usado. Nós fizemos um monte de investigação e encontramos a mixagem e nós ficamos tão felizes por termos sido capazes de encontrá-la. Era tão autêntica.”
Durante as sessões de BAD, Michael Jackson considerou muitas canções, que, finalmente, foram descartadas. O compositor Rod Temperton, que era parte do Time-A de Off the Wall e Thriller, apresentou algumas músicas para Bad, sendo uma delas o Groove of Midnight. Essa canção foi finalmente gravada por Siedah Garrett e foi lançada no álbum de estréia dela, Kiss of Life, no Qwest Records (1988). "Rod Temperton tinha algumas músicas", lembra Matt Forger. "Quincy pediu a ele que tivesse músicas prontas. Groove of the Midnight é uma dessas músicas. No entanto, nós procuramos e não foi possível encontrar uma versão com vocais de Michael. Não era uma música que eles consideraram para o álbum Bad eventualmente”.
BAD foi a colaboração final entre Michael Jackson e Quincy Jones. Ambos os artistas seguiriam caminhos diferentes após o lançamento do álbum. Jones se afastou do negócio da música e mergulhou na era multimídia, principalmente com o lançamento da aclamada publicação urbada dele: Vibe Magzine. Jackson entrou na década de 90 reconhecendo a cultura Hip Hop, pois ele trabalhou com o magnata do New Jack Swing, Teddy Riley, e trabalhou obras cada vez mais ambiciosas como compositor, arranjador e produtor. Muito tem sido dito sobre o respectivo papel e real responsabilidade de Michael e Quincy no sucesso da música que eles fizeram juntos.
Matt Forger sente que debates podem ter ido um pouco longe demais: "Eu li todas estas discussões sobre Quincy e Michael na internet. Eles brigam e discutem sobre o real envolvimento de Quincy ou de Michael na produção da música. Uma dessas coisas nós vemos agora 25 anos depois, é o trabalho incrível que Michael fez. Quincy incentivou Michael como compositor, arranjador e produtor. Houve algumas diferenças de opinião, como quando Quincy disse sobre Streetwalker verus Another Part of Me nas entrevistas da Special Edition de 2001, e é claro que essas coisas acontecem”.
Durante as sessões de We Are the Worlds, Quincy tinha uma placa na entrada do estúdio, afirmando: "verifique o seu ego na porta". O que deve ser lembrado sobre álbuns como Bad é que quando essas músicas foram liberadas para o público, a palavra "álbum" tinha um significado e o conceito era desenvolver grandes imagens em torno das músicas. Isso é algo que pode ter sido alterado ou gradualmente negligenciado ao longo dos anos. Não é por acaso que 9 das 11 músicas foram lançadas como singles e foram amplamente aclamadas. Aqueles foram os dias em que álbuns não seriam sobre preenchimento, mas – extaamenete com Thriller foi orientado – uma coleção de canções que poderiam ser consideradas para lançamento como single.
Com BAD, Michael Jackson chegou a novas alturas que muitas pessoas da idade dele jamais ousaram e conseguiu alcançar. E 25 anos depois, a música e a visão estão chegando a uma nova geração: BAD 25 está no topo das paradas em todo o mundo. Enquanto ele tentava superar Thriller, Michael Jackson, na verdade, fez um álbum que, eventualmente, pode também ser considerado como uma coleção dos maiores sucessos dele, que reflete as fantasias dele, a visão da vida, e que também difunde uma mensagem muito forte com Man in the Mirror: "Se você quer fazer do mundo um lugar melhor, dê uma olhada em si mesmo, e então faça a mudança". Isso é o que os “dias Bad” eram.
 

Richard Lecocq, autor de Michael Jackson: KING

Edição adicional de Chris Cadman e Craig Halstead, autores de Michael Jackson: For the Record