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domingo, 23 de junho de 2013

Livro "Michael Jackson, Mestre Americano", por MC Mecca





Michael Jackson

Mestre Americano

Por MC Mecca

Traduzido por Daniela Ferreira para o blog The Man in the Music

 

Este livro é dedicado a

Michael Jackson

E todos os Mestres

Ainda a ser

 

 

 

“O mundo aplaude as conquistas; o autor aplaude o homem.”

sexta-feira, 15 de junho de 2012


Lembrando Michael Jackson: Moowalking Entre Contradições




Por Sylvia Martin
Traduzido por Daniela Ferreira




Sylvia J. Martin obteve o doutorado dela em Antropologia é uma Professora Assistente dos Estudos de Mídia convidada na Faculdade de Boston. Ela e beneficiária de uma Bolsa Fulbright para Hong Kong para 2010-2011.

Como o aniversário de um ano da morte de Michael Jackson se aproximando, centenas de fãs de lugares tão distantes como França, Japão e Ucrânia devem convergir para a sepultura dele no cemitério Forest Lawn Memorial Park, em Los Angeles. Uma vez que Jackson foi enterrado lá há nove meses, fãs de Michael Jackson têm vindo a fazer a peregrinação ao mausoléu dele. Em uma de minhas visitas lá, um fã Afro-Americano me disse que sentia que Jackson havia se distanciado da comunidade negra ao longo dos anos. Um fã branco discordou e respondeu que nas músicas e nas mensagens dele, o Rei do Pop era “daltônico” e “amava igualmente a todas as raças como Jesus amou”. Durante o ano passado eu tenho observado que há um reconhecimento recém articulada entre os fãs de Jackson – normalmente e injustamente retratado como um "fanático" e massa indiferenciad – que existem vários riscos para pessoas diferentes no status dele como um ícone global.

Raça importa?

Jackson foi, durante anos, servido como um ponto de entrada interessante no discurso popular sobre se vivemos em uma sociedade daltônica. De admiradores a acadêmicos, Jackson foi saudado como liminar e, portanto, utópico. Jean Baudrillard afirmava que, na falta de especificidade racial dele, Jackson representa um híbrido de proporções universais e, portanto, “mais capaz até mesmo que Cristo para reinar sobre o mundo e reconciliar suas contradições.”

No entanto, tanto para Jackson quanto para Jesus, um reino cheio de elementos tão díspares não é uma entidade fácil de unir. O Rei do Pop – inicialmente orientado pela Motown na arte complicada de “crossing over” para platéias brancas – há muito tempo sabia disso. Quando a revista Rolling Stone se recusou a colocar Jackson na capa dela pelo álbum dele, Off the Wall, em 1980, Jackson acusou a revista de não querer correr o risco de vendas baixas, colocando os negros na capa dela.

A morte de Jackson ocorreu em um ano significativo para a comunidade afro-americana. Meses antes ds morte do mais bem sucedido entertainer afro-americano, um homem afro-americano foi empossado como presidente dos Estados Unidos pela primeira vez. Apenas algumas semanas depois que Jackson morreu, o professor de Harvard, Henry Gates, foi preso por conduta desordeira na própria casa.

Presidente Obama enfrentou um clamor de desconfiança sobre o local de nascimento dele: ele era "autenticamente" americano? O professor de Gates enfrentou perguntas sobre o comportamento dele com a força policial: ele era apropriadamente dócil? Eu diria que estes incidentes servem para lembrar que a nossa sociedade ainda não é daltônica.

O relacionamento de Jackson com a base de fãs multicultural, o público em geral, e a própria identidade racial dele, têm cada vez mais estado sob debate. Discussões preliminares de ambivalência e se temos realmente transcendido as divisões raciais estão ocorrendo nas comunidades de fãs online e offline e além.

 Em uma conferência que eu assisti algumas semanas atrás, no Harlem sobre Jackson, no Centro Schomberg de Pesquisa da Cultura Negra, um ativista negro falou da necessidade de abrir "um espaço seguro para ter as conversas que tivemos em particular sobre ele." Esse "espaço seguro" invocado revela, contrario ao que Baudrillard colocou, que a raça continua sendo uma questão e que algumas disparidades continuam a ser difíceis de conciliar.

Como o autor e jornalista musical afro-americano Nelson George sublinhou, a "fluidez racial" de Jackson foi estigmatizada por alguns, na comunidade afro-americana, e, ainda, adotado pela comunidade global.

Considerando-se essas desigualdades, você poderia dizer que o Rei do Pop reinou sobre uma entidade que se assemelha a um império mais do que um reino, um vasto território formado por múltiplas etnias, origens culturais, linguagens e gêneros, com diferentes entendimentos e experiências de discriminação racial.

Que Jackson estava ciente das dificuldades de gerenciar uma base de fãs díspar se tornou evidente nas relações públicas e na música dele. O artista afro-americano que penetrou nos escalões brancos de música popular ao superar Elvis e possuir o catálogo dos Beatles, sabia que tinha que andar com cuidado.

Uma Coreografia de Contradições

Embora muitos tenham criticado Jackson por gerir mal a imagem dele ao se envolver em comportamentos publicamente caprichosos e excentricidades, ele, às vezes, desenvolvia uma forma hábil para entregar comentário sobre a identidade racial. Por exemplo, no vídeo musical dele, Black or White, ele incorporou uma crítica das relações raciais nos EUA, o que muitos consideram seu hino ao "pós-racismo", a noção escorregadia de que as divisões raciais foram transcendidas.

O vídeo foi preocupante para alguns, porque a letras e a primeira parte do vídeo era sobre a imaterialidade da raça, quando, na época que isso foi lançado, as pessoas ficaram intrigadas sobre o clareamento da pele de Jackson. (As suspeitas sobre a veracidade da explicação de Jackson sobre vitiligo foram acalmadas, agora, pela verificação do relatório do legista.).

As cirurgias estéticas dele também perturbaram alguns fãs, especialmente na comunidade negra. As letras promoviam namoros inter-raciais e camaradagem. A tecnologia metamorfose para esse vídeo, visualmente famosa, sugeriu que não há fronteiras entre os povos do mundo. Jackson também demonstrou a capacidade dele de se inserir sem problemas em culturas, ao redor do mundo, através do poder transformador da dança.

No entanto, a letra – "Não importa se você é negro ou branco" –  adotou um abraço racial, há uma mensagem contraditória, no final da versão estendida do vídeo.

Assim que a sequencia metamórfica termina, a câmera se afasta e vemos o estúdio onde foi filmada. Sem o conhecimento do grupo, uma pantera negra caminha pelo set. A escolha de Jackson do animal aqui é pungentemente reveladora. Originalmente dedicada proteger as comunidades negras da brutalidade policial, os Panteras Negras eram uma organização afro-americana mergulhada no movimento Black Power dos anos 60 aos anos 70. Quando a pantera sai do set, ela para rosnar para o que, o fã Samar Habib tem observado, é uma estátua de George Washington.

Além de ser o primeiro presidente dos Estados Unidos, Washington aprovou a Lei de Naturalização de 1790, uma lei que excluía os negros da cidadania dos EUA. O rosnado da pantera pode ser lido como uma expressão de ira por uma lei discriminatória, que permaneceu vigendo por décadas. O animal, então, se transforma em Michael, que passa a executar uma dança furiosa e bonita. Durante essa dança, uma das cenas mais chocantes para os telespectadores foi quando Jackson, com raiva, destruiu um carro, quebrando as janelas. Epítetos raciais foram elaborados para as janelas na pós-produção para explicar a exibição incomum de raiva de Jackson.

Dentro da mensagem cuidadosamente elaborada dele de unidade, Jackson estava alcançando os telespectadores que reconhecessem a importância do rosnado da pantera para a imagem de George Washington. Em minha opinião, a sequência de pantera serve como uma expressão artística da própria experiência de Jackson como um homem negro na América, onde a questão do racismo continua a assolar os membros da comunidade negra, do Harlem a Harvard. Depois de lutar para a MTV exibir os vídeos musicais dele, no início de 1980, quando poucos artistas negros podiam penetrar na MTV, Jackson sabia que, apesar de o ideal de daltonismo dele, é absolutamente importante se você é preto ou branco, particularmente na indústria do entretenimento.

O que é fascinante é que no vídeo, Jackson primeiro apresenta uma mensagem alegre de harmonia racial, levando-nos em uma direção inclusiva. No entanto, sem nenhuma explicação, ele empurra-nos para uma história de exclusão nos EUA, rompendo com a noção linear de progresso racial. É uma jogada confusa, até que nos lembramos de que esse é o artista que nos apresentou o moonwalk. O moonwalk, afinal, é uma delisamento para trás, em que o dançarino parece estar se movendo para frente. Em outras palavras, o moonwalk é uma coreografia da contradição.

Embora ele não execute o moonwalk como um passo de dança nesse vídeo, a filosofia de ação contraditória disso – proferindo inclusão, enquanto aponta para a exclusão – é a estratégia de Jackson aqui. Acredito que o moonwalk tornou-se uma metáfora de como Jackson, por vezes, governou nossas expectativas sobre ele e as mensagens dele, a fim de tentar falar com uma ampla gama de experiência humana. Ao fazer isso, Jackson sutilmente nos mostra que pop – um gênero comercial comumente descartado como brando – carrega o potencial de ser subversivo.

Apesar da previsão de Baudrillard, Jackson – e, possivelmente, em algum grau, o presidente Obama e o professor Gates – não poderiam transcender completamente uma história de tensões raciais. Isso foi inevitável? Em 1985, quando Jackson estava montando o rolo compressor de sucesso recordista, Thriller, James Baldwin prescientemente escreveu: "A cacofonia de Michael Jackson é fascinante, na medida em que não se trata de Jackson absolutamente... Todo esse ruído é sobre a América, como o desonesto guardião da vida dos negros e da riqueza; os negros, especialmente os homens, na América; e a queima, a culpa americana enterrada; e sexo e papéis sexuais e pânico sexual, sucesso, dinheiro e desespero.”




Parece Que O Mundo Tem Um Papel Para Mim



Parece Que O Mundo Tem Um Papel Para Mim



Postado por Willa e Joie, dia 13 de junho de 2012
Traduzido por Daniela Ferreira

Willa: Esta semana Joie e eu estamos animadas por ser acompanhadas por Sylvia J. Martin, pesquisadora da Universidade da Califórnia, em Irvine, com um Ph.D. em antropologia. O trabalho de Sylvia centra-se em relações socioeconômicas em comerciais indústrias de mídia, e esta pesquisa a levou a estudar a arte e o impacto cultural de Michael Jackson, tanto aqui nos EUA quanto no exterior, enquanto vive e trabalha em Hong Kong com uma bolsa Fulbright. Ela está interessada no discurso do público e da mídia sobre Michael Jackson e realizou entrevistas com pessoas que trabalharam com ele. Recentemente, ela publicou um artigo em Ciências Sociais e Sociedade Moderna que explora a forma como, nas palavras dela, “Como Superman, Michael Jackson é um ícone americano que se tornou global.” Muito obrigado por se juntar a nós, Sylvia!

Joie: Sylvia, podemos falar sobre a palavra "ícone" por um minuto? Às vezes eu acho que nós tendemos a usar essa palavra um pouco demais nestes dias e parece ter se tornado um pouco banalizada. Mas quando alguém ou alguma coisa atinge status "icônico", é realmente um grande negócio em nossa sociedade, não é? Você pode nos dizer exatamente o que significa ser um ícone americano e o que isso significa quando se pensa em Michael Jackson?

Sylvia: Ótima pergunta, Joie. Eu acho que um ícone, no contexto que estamos a usar essa palavra, é alguém que capta o sentimento e estilo de um determinado momento, que representa a essência de um tempo específico e / ou local. Objetos e lugares também podem ser icônicos, por exemplo, o edifício Chrysler pode ser considerado "emblemático" do movimento Art Déco. No entanto, ao mesmo tempo, um ícone tem o potencial para ultrapassar o lugar e momento particular dele, para ser digno de nota fora do contexto imediato dele.

Willa: Como a Mona Lisa tornou-se ícone, ou Munch Scream? Ou até mesmo o cabelo selvagem de Einstein ou a cadeira de rodas Stephen Hawking? Eles são todos instantaneamente reconhecíveis fora do contexto imediato deles, como você diz, e todos eles parecem evocar significados conotativos específicos que transcendem o significado literal deles. Por exemplo, a cadeira de rodas de Stephen Hawking não é apenas algo que o transporta de um lugar para outro, também parece representar a pungência de uma mente brilhante presa dentro de um corpo deficiente.
Sylvia: Exatamente, Willa. Como McDonald é um ícone ou simboliza a propagação global de produtos e “valores” norte-americanos e (fast food para pessoas em viagem, refeições a preços acessíveis para as famílias), por vezes à custa de alimentos produzidos localmente.
Então, como eu discuti no meu artigo, Michael era um ícone americano, porque ele não estava apenas cobrindo todas as cartas em sua própria indústria, ele também foi saudado na Casa Branca, no Superbowl, na cerimónia militar dos EUA. Muitos o consideram o intérprete americano por excelência dos anos 1980, o sucesso interno dele reflete as lutas e conquistas do movimento de direitos civis americanos. Mas por décadas, desde então, ele encontrou fãs na antiga União Soviética na China (alguns dos inimigos dos Estados Unidos na "Guerra Fria”), Irã e Índia, lugares com trajetórias políticas e econômicas bem diferentes das da América.
Agora, o termo "ícone" tem conotações religiosas, em que é uma representação de uma divindade ou reverenciada figura religiosa, geralmente sob a forma de uma escultura ou um mosaico. Um comparativamente secular ícone contemporâneo, tal como Michael, também pode gerado discípulos, um misticismo. Ele certamente parece ter gerado! Para colocar reverência de fã no contexto, na Índia, a estrela de cinema de Bollywood, Amitabh Bachchan, é considerado quase divino por muitos dos fãs dele. E no sul da Índia, os fãs de Tamil construíram templos para as estrelas favoritas deles. Então, essa conotação religiosa para um ícone de celebridade é observável através das culturas. Mas também é importante ressaltar que o alcance de Michael não é apenas um resultado dos talentos enormes dele, é também facilitado pela nossa economia cultural globalizada – pelo capitalismo global.

Willa: Fiquei muito intrigado com esse aspecto de seu artigo, Sylvia, e como você sugere que o status de ícone de Michael Jackson no exterior serviu como uma função política também. Como você escreveu, "A música de Jackson e a narrativa de vida foram mantidas em casa e no exterior como provas irrefutáveis ​​da ascendência do individualismo americano, o empreendedorismo, o multiculturalismo, e capitalismo de consumo."
No entanto, por vezes, o trabalho dele também forneceu uma crítica aguda da vida e da política americana, especialmente em termos de preconceitos raciais, como você aponta também. Então, como você vê esses dois impulsos contraditórios atuando, tanto a nível global quanto nacional?

Sylvia: É um desafio ser tanto o garoto propaganda quanto um provocador das sortes. Fora dos EUA, na maioro parte, as pessoas parecem gostar do que ele falou para a mainstream e os marginalizados. Dentro os EUA, era mais complicado de tirar, mas na década de 1980, no auge da carreira americana solo dele, a crítica musical dele teve um toque muito leve. A crítica dele se tornou mais explícita quando ele experimentou extorsão, calúnia da mídia e a busca de "justiça" por indivíduos americanos e agências com poder estatal considerável.

Joie: Essa é uma afirmação muito verdadeira. Uma vez que ele experimentou o lado negativo da fama – a extorsão, a calúnia da mídia e o “julgamento por tabloide” que se seguiu – ele se tornou muito mais sincero nas críticas dele sobre os males sociais que nos afligem.

Sylvia: Exatamente, Joie. E vamos olhar um dos "valores americanos" que Michael veio a resumir – o individualismo. As escolhas de leitura dele refletem esse valor (Jonathan Livingston Seagull, o escritor Ralph Emerson). Mas Michael também expressa, repetidamente, a necessidade de comunidade, ele falou de se preocupar e agir para a comunidade, a nossa dependência do outro, e ele colocou esse valor comum em ação. E alguns desses, ele colocou quando o presidente Reagan estava retirando apoio estatal para os serviços sociais para pessoas de baixa renda, e promovendo ideologia “Ergam-se pelo próprio esforço”.
Letras como "Nós somos o mundo" e "Faça um lugar melhor / Para você e para mim / Cure o mundo em que vivemos / Vamos salvá-los para nossos filhos" – notem-se as referências a "nós" e "nosso", para o coletivo. Há tantas referências líricas e visuais para a importância da comunidade no trabalho de Michael. Claro, ele alegremente recolheu os muitos elogios atribuídos a ele pessoalmente, mas ele também reconheceu os antecessores dele, a comunidade de músicos de onde veio, e ele era um enorme filantropo.
E apenas um exemplo disso – de como ele representava o individualismo e, na outra extremidade do espectro, a comunidade, – mostra que ele tinha um apelo muito grande. Talvez as pessoas enchendo estádios em todo o mundo para ouvi-lo executar nem sempre estivessem conscientemente pensando sobre o espectro tão grande que Michael representava, mas eles os estavam enchendo, no entanto, e capacitando a iconicidade (e valor de mercado) de Michael.
Agora, quando Sylvia Chase perguntou a ele, em 1980, em uma entrevista de 20/20, o que ele sentia ao se apresentar para centenas de pessoas, Michael respondeu que elas davam as mãos e balançavam e “e todas as cores de pessoas estão lá, todas as raças, é a coisa mais maravilhosa, e os políticos não podem mesmo fazer isso”. Embora isso possa ser um pouco de exagero, em geral, é difícil para os políticos reunir um grupo diversificado de pessoas em todos os lugares como Michael fez.

Willa: Isso é verdade, e eu não sei se os políticos são capazes de levar as pessoas a darem as mãos e balançarem, à maneira que Michael Jackson fez.

Joie: Sim, eu tenho que dizer que eu não acho que foi um exagero da parte dele, absolutamente. É quase impossível para os políticos unir as pessoas dessa maneira!

Sylvia: Bem, eu acho que alguns candidatos presidenciais (para não mencionar os ativistas políticos e monarcas) inspiraram grupos multiculturais de pessoas a cantar, a torcer, bater palmas, saudar, e bater os pés deles em números muito grandes.  A performance de Fleetwood Mac, de "Não Pare" no Baile de Inauguração do presidente Clinton vem à mente – e na verdade, Michael estava lá. Ele mesmo entrou com Fleetwood Mac e os Clintons para cantar no palco! Mas não, os políticos americanos provavelmente não poderiam unir as pessoas da maneira que Michael estava falando, de mãos dadas verdadeiramente.
De qualquer forma, apenas para dar um passo atrás e olhar para o contexto cultural mais amplo em que Michael se tornou tão proeminente na década de 1980, provavelmente deveríamos lembrar que alguns carismáticos homens negros falantes nos EUA, como Fred Hampton (o ativista que formou a Coligação Arco-íris) e Dr. Martin Luther King, Jr. encontaram mortes prematuras apenas algumas décadas antes do auge americano Michael.
Eu não estou dizendo que Michael era um ativista político ou que ele era um protegido deles, mas com o racismo sempre apenas sob a superfície, ou na superfície, havia riscos definidos para homens negros que tentaram falar com uma pluralidade de pessoas, que ultrapassaram as fronteiras que os outros têm trabalhado duro para manter no lugar.
Portanto, à luz dessa história, talvez não seja surpreendente que Michael enfrentou alguma folga para ocupar um espectro tão amplo e, para ser capaz de obter tanta gente a se reunir em um espaço, mais e mais. E é por isso que eu citei James Baldwin em outra peça, Remembering Michael Jackson: Moonwalking Between Contraditions” – Baldwin identificou que tal sucesso e atenção sem precedentes em Michael não poderia ser separado do papel da América como uma “desonesta custódia da vida dos negros.”
Como Michael disse ao Rabino Schmuley Boteach, um monte de imprensa branca não gostou que ele tivesse tocado para estádios cheios de garotas brancas gritando ao redor do mundo, e eu acho que Michael estava certo em grande parte. A propósito, eu falava com um repórter fotográfico que cobriu Michael ao longo dos últimos anos da vida dele, e o jornalista não estava apenas confuso a respeito de por que tantas mulheres consideravam Michael e os aspectos masculinos, andrógino, e feminino dele tão sexualmente atraente, ele estava claramente incomodado por isso.
Joie: Sério? Isso é tão interessante para mim. Fico sempre fascinada pelo fato de que muitos olharam para ele e o viram assim de forma completamente diferente. Todo mundo na mídia sempre tentou fazê-lo parecer este estranho de aparência mal acabada, com um rosto estranho, mas ainda assim, milhões de outras pessoas o viam como muito bonito e incrivelmente sexy.

Willa: Eu fico fascinada por isso também – que as pessoas diferentes poderiam vê-lo de maneiras tão radicalmente diferentes. Ele realmente parecia refletir as expectativas e preconceitos que cada um de nós trouxe para ele. E eu acho que você levanta um ponto extremamente importante, Sylvia, e que não foi abordado o suficiente. A maneira como ele desafiou as noções de gênero e sexualidade são tão ameaçadoras quanto a transgressão de fronteiras raciais dele – talvez até mais – e diretamente se alinham com as ações policiais contra ele, bem como os meios de comunicação e reação pública.

Sylvia: Exatamente, Willa. Michael profundamente desafiou a sexualidade masculina heterossexual branca americana, alcançando isso em questões de raça e "autenticidade". A "confusão" causada por Michael é imperdoável, como Susan Fast também menciona, no artigo dela,“Difference that Exceeded Understanding: Remembering Michael Jackson 1958-2009.”

Willa: Sim, como Susan Fast coloca tão bem em seu artigo, "Por favor, seja negro, Michael, ou branco, ou gay ou hetero, pai ou mãe, pai para criança, não uma criança você mesmo, assim pelo menos saberemos como dirigir nossa liberal (in) tolerância. E tente não confundir todos os códigos ao mesmo tempo."
Com tantas de nossas divisões mais tensas – de raça, sexo, idade, sexualidade, família – ele não apenas teve que atravessar a fronteira, mas habitar em um espaço exatamente entre a interseção. E é isso que foi tão "imperdoável", como você diz.

Sylvia: Sim, ele "confundiu" códigos musicais (como Lisha apontou na discussão dela sobre "Black or White") De qualquer forma, no processo de lidar com folga sobre vários assuntos, Michael viu que alguns dos problemas que ele tinha identificado, particularmente nos EUA, não estavam indo embora, e de fato mereciam mais críticas (como o preconceito racial e ético na mídia) a que ele se dirigiu na obra posterior dele.
Ele viu que apesar de, na verdade, talvez por esta razão, o sucesso sem paralelo dele, ele estava se tornando algo que ele provavelmente não tinha pensado que ele estava em perigo de se tornar: um homem negro criminalizado.

Joie: Eu não sei se eu concordo totalmente com essa afirmação, Sylvia. Acho que para cada homem negro americano, o pensamento de que você poderia um dia com muita facilidade, e não por sua própria culpa real, tornar-se “um macho negro criminalizado” é muito real. Então eu não poderia dizer que o pensamento nunca passou pela mente de Michael antes. Na verdade, eu estaria disposta a apostar dinheiro que isso aconteceu em algum momento. Eu acho que é apenas um fato que todos os homens negros americanos vivem, não importa o quão bem sucedido você se torna.

Sylvia: Eu concordo totalmente com você que, com toda a probabilidade, Michael sabia que ele poderia ser criminalizado. No entanto, eu não disse que o pensamento "nunca" passou pela mente dele, mas que ele "provavelmente" não tinha pensado que ele estava em perigo de se tornar criminalizado. Há uma grande diferença.
A razão por que eu disse que, "provavelmente ele não tinha pensado que ele estava em perigo" é que, pelo que tenho lido e ouvido, era possível que ele esteve, por vezes, compreensivelmente, embalado em uma falsa sensação de segurança, por ter um ítem de segurança privada (Bill Bray, etc), o acesso aos melhores advogados, e elogios institucionais. Em outras palavras, a localização de classe e profissão dele complica a questão racial, porque ele tinha acesso a recursos que muitos não-famosos e pessoas comuns da classe trabalhadora não têm.
Não estou dizendo que ele não era um alvo tanto quanto qualquer outro homem negro, nem estou dizendo que a visibilidade dele o tornava imune – na verdade, no meu comentário sobre a ameaça a carismáticos oradores negros, eu estou sugerindo que Michael estava também muito em risco. Mas tanto quanto Michael sabia que ele era um alvo porque ele era tão famoso, eu ainda acho que houve momentos em que ele pensou que ele poderia ter acesso a mais proteção a ser criminalizado que um homem negro que não é celebridade.

Willa: Esta é uma questão muito complicada, eu acho. Na biografia de Randy Taraborrelli, ele descreve o momento em 1993, quando a mãe de Jordan Chandler e o padrasto primeiro o alertam sobre as ameaças Evan Chandler: Michael não os levou a sério.
"Oh, esse tipo de coisa acontece comigo o tempo todo", disse eles. "As pessoas estão sempre tentando tirar dinheiro de mim. Eu vou ter o meu pessoal trabalhando com isso. Não se preocupem com isso." No entanto, quando eles tocaram para Michael a fita que Dave havia gravado, da conversa com Evan, Michael tornou-se ansioso. "Ele parecia tão furioso", Michael disse-me de Evan Chandler em uma entrevista meses depois. "Eu soube, então, era uma extorsão. Ele disse isso mesmo na fita. Assim, o que fiz,”, Michael me disse, “foi entregá-lo para [advogado] Bert [Fields] e [detetive particular] Anthony [Pellicano] e decidi tentar esquecer isso.”
Quando Taraborrelli o questionou sobre isso, ele respondeu:
“Eu não penso assim”, Michael disse sem rodeios. “Eu não vivo minha vida com medo.”
Mas então eu penso sobre algo que ele disse a Gerri Hirshey em um artigo da Rolling Stone dez anos antes, não muito antes de o vídeo de Thriller sair. Ela escreveu:
Ele é conhecido por conduzir a vida privada dele com cuidado quase obsessivo "assim como um hemofílico que não pode se dar ao luxo de ser arranhado de qualquer forma.” A analogia é dele.
Essa linha sempre ficou comigo – basta imaginar o que deve ser sentir que você tem que viver sua vida dessa maneira, com o “cuidado obsessivo” de um hemofílico. Então eu acho que ele tentou não “viver minha vida com medo”, como ele disse Taraborrelli, mas ele era um estudante de história, especialmente história negra, e os EUA tem uma longa história perturbadora de “criminalizar” os homens negros bem sucedidos. E ele era o mais bem sucedido homem negro americano já visto. Assim, ele foi um grande alvo – para a polícia, os tabloides, os críticos, todos – e acho que ele estava muito consciente disso.

Sylvia: Ele estava realmente consciente. E como podemos ver no exemplo que você citou, ele passou o assunto para um advogado e investigador particular de alto perfil, provavelmente, na esperança de que seria resolvido sem maiores danos.

Joie: Willa, eu amo essa entrevista de Hirshey e esse comentário sempre me pareceu bem. Especialmente a última frase – “A analogia é dele.” Isso significa que aquelas foram as palavras dele, ele se descreveu a si mesmo como “um hemofílico que não pode se dar ao luxo de ser arranhado de qualquer forma.” Sabendo que essa é a descrição dele de si mesmo e o modo que ele guarda a vida privada dele é muito eloquente, eu penso.
Willa: Eu concordo, e você sabe, é tragicamente irônico, em retrospectiva, mas várias pessoas que o conheceram têm sugerido que uma razão pela qual ele passava tanto tempo com as crianças era porque ele pensava que com elas estaria seguro. Adultos poderiam traí-lo – e traíram– e ele estava preocupado com isso, mas ele confiou em crianças. E eu penso que ele estava certo em sentir que poderia confiar nas crianças. Se você olhar para o que aconteceu em 1993 e em 2003, levando até o julgamento de 2005, as acusações não começaram com as crianças – começou com adultos.

Sylvia: Eu tenho que citar o crítico de arte marxista, David Walsh, que escreveu aqui parte da cobertura mais astuta do veredito do julgamento de 2005, logo após ele ter sido anunciado. Walsh alfineta no que eu acredito que estava em jogo: a percebida ameaça de Michael aos “valores americanos” ameaça de Michael Walsh escreve:
“Na brutalidade de um Sneddon se vê, em microcosmo, o caráter da elite dominante americana: ignorante, irresponsável, amargurado, perseguindo infinitamente qualquer pessoa e qualquer coisa que simbolize a oposição ou a ‘contracultura’. Por que Michael Jackson realmente foi a julgamento, de verdade?”
“Porque o estilo de vida dele é diferente, até mesmo esquisita, porque ele é percebido como gay, porque ele é negro. Na visão, paranoica, pornográfica, da extrema direita, cuja perversa vida mental merece ser analisada por um Freud, Jackson representa uma provocação e ameaça aos ‘valores americanos’.”
Portanto, o homem que era uma vez o topo do ranking de estrela pop ocidental no antigo bloco soviético de acordo com a Voz da América, e que foi celebrado tanto por Republicanos quanto Democratas, acaba se tornando uma ameaça aos “valores americanos”. O Rei da música popular e cultura torna-se a “contracultura”. Olha como ele se move agora (ou, tem sido movido) através do espectro.

Willa: É realmente muito chocante, não é? E é como um replay do que aconteceu com Charlie Chaplin durante a Guerra Fria – de fato, isso é quase a linguagem exata que foi utilizada contra Chaplin. Então isso não é apenas uma questão de raça, embora raça tenha desempenhado um papel muito significativo.

Sylvia: Sim, ideologia e maiores circunstâncias políticas desempenham um papel aqui, também, como fizeram com Chaplin. A moralização entre a “elite” da América após caso do presidente Clinton, que foi repetido por alguns meios de comunicação, provavelmente levaram a um maior escrutínio (e distorção) do estilo não convencional de vida de alta visibilidade de Michael.
Eu também estou me lembrado de um webchat de 2003, ao vivo, com Bjork, quando as pessoas escreviam perguntas a ela, e Michael foi um deles. Ela respondeu à pergunta dele sobre a influência da natureza na música dela, e depois estendeu algum apoio a ele comentando: “É como nos EUA neste momento, é ilegal ser excêntrico.”

Willa: Que grande citação!
 Joie: É uma grande citação!
Willa: E ela está certa.

Sylvia: E sobre “valores americanos”, aqui novamente, nós vemos as contradições atuarem, sim, os EUA valorizam o sucesso... Mas quando somos confrontados com todas as complicações que ele acarreta e as fragilidades humanas por trás dele, voltamo-nos contra ele.

Quando Michael tomou o passo incomum de formar famílias substitutas, como ele fez com os Chandlers, e amizades com crianças, como forma de compensar a perda da infância, que foi sacrificada a fim de atingir esse sucesso “tão-americano”, a reação em muitos quadrantes foi imediatamente sexualizar e, portanto, criminalizar isso.
O complexo industrial da mídia de entretenimento, em particular, tem uma longa história de sexualizar as crianças. (Mostrei aos meus alunos o filme “Baby Burlesks”, 1932, de Shirley Temple, e eles ficaram bastante chocados ao vê-la, em fraldas e com 3 anos,  dançando de uma maneira “brincalhona” sedutora.)
Portanto, não é tão surpreendente que muitos na indústria da mídia de entretenimento tomaram o caminho mais fácil e, por sua vez, apressaram-se a sexualizar as relações de Michael com as crianças. Eu acho que Michael fez algumas escolhas insensatas ao longo do caminho, mas este “farol” sonho americanos Pós-Direitos-Cívis foi feito para pagar a plena expressão da arte dele, e da humanidade que a alimentava. E ele pagou pela iconicidade multifacetada dele.

Willa: Ele realmente pagou – ele pagou por ela mais dolorosamente. Bem, muito obrigado por se juntar a nós, Sylvia! Nós realmente gostamos de falar com você.

Nós também começamos a trabalhar na Biblioteca de Letras e acabamos de enviar as letras do encarte de Off  the Wall , portanto, quero convidar a todos para vir dar uma olhada, quando vocês tiverem uma chance. Estamos esperando que ela seja um lugar divertido e útil para compartilhar ideias e coletar informações sobre as letras de Michael Jackson.



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Apresentando Michael Jackson: Dangerous, Nevermind, e a Reinvenção do Pop

Dangerous, Nevermind, e a Reinvenção do Pop



 
Transformações culturais, é claro, nunca são tão simples assim. Vários meses depois que Nevermind alcançou o 1 º lugar, Nirvana dividiu o palco nos prémios da MTV Video Music com roqueiros de estádio como Def Leppard, Van Halen, Metallica, e a que continuou a ser a maior banda da américa Guns N’ Roses. Na verdade, se fôssemos forçados a fechar um ponto de viragem cultural, o VMA de 1992 não seria uma má escolha.

Observando o desempenho subversivo do Nirvana subversivo (que começou com alguns bares do proibido "Rape Me" antes de ceder ao temperamental "Lithium") logo após e caricatural “Let’s Get Rocked” de Def Leppard, não só fez o rock dos anos 80 parecer ridículo, mas logo tornou isso quase obsoleto. Até mesmo o poderoso Guns N 'Roses, que fechou o show com uma performance espetacular de "November Rain", eram abertamente ridicularizado por Nirvana como "rock corporativo" e "rebelião embalada". Se alguma vez houve uma pública troca da guarda, foi nessa noite.
Michael Jackson, por sua vez, a definição de ícone pop dos anos 80, criou um álbum Dangerous em que tinha como muito – ou pouco – a ver com pop como Nevermind fez. As diferenças de estilo são bastante óbvias. Nevermind foi enraizado no punk rock e grunge, enquanto Dangerous foi principalmente fundamentado em R & B / New Jack Swing.
No entanto, ambos expressaram um sentimento muito semelhante de alienação, com muitas canções funcionando como uma espécie de poesia confessional. Compare as letras de Cobain de "Lithium" – "I’m so happy/Cause today I found my friends/They’re in my head (Hoje estou tão feliz/Porque encontrei meus amigos/ Eles estão aqui na minha cabeça) à "Who Is It" de Jackson " It doesn’t see to matter/ And it doesn’t seem rigth/ ‘Cause the will has brought no fortune/Still cry alone at night” (Isso parece não importar/ E isso não parece certo/Porque o desejo não trouxe sorte/ Eu continuo chorando sozinho à noite)/ eu ainda grito sozinho à noite. "
Ambos os álbuns também continham a sua quota de atrativos ganchos pops e refrãos, introduzindo sons mais underground para o público principal e ambos os álbuns foram cantados por almas feridas e sensíveis, que, por acaso, eram marqueteiros brilhantes / criadores de mitos.
Sonoramente, Dangerous tinham muito pouco em comum com o trabalho de colegas estrelas do pop, como Madonna, Whitney Houston e Mariah Carey. Seu tom era muito mais sinistro, sombrio, urbano e industrial. Em curtas-metragens como "Black or White", Jackson também foi explorar território mais escuro, chocando o público de classe média com sua expressão de dor e indignação com o racismo.
Ironicamente, foi a "o consagrado pop star", não a banda grunge outsider, cujo vídeo musical foi censurado após o protesto público sobre o seu conteúdo controverso. "Smells Like Teen Spirit", enquanto isso, estava em tão alta rotação, que teve um executivo da MTV espalhando que eles tinham "uma geração totalmente nova para vender."
http://www.youtube.com/watch?v=MJxOHD3Bsrw&feature=results_video&playnext=1&list=PLEA9BA4B7BA5BE0B1

O ponto é que, ao contrário da sabedoria convencional, até o final de 1991, o Nirvana era tão "pop" quanto Michael Jackson e Michael Jackson era tão "alternativo" quanto o Nirvana. Ambos os álbuns dos artistas foram lançados por grandes gravadoras e tiveram sucessos comerciais e gráficos similares , apesar de serem medidos em relação a muito diferentes expectativas. Cada um produziu singles de sucesso. Cada um gerou vídeos memoráveis ​​e performances que jogaram lado a lado na MTV. E cada um até agora vendeu mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo.
Nevermind, é claro, recebeu muito mais elogios da crítica, tanto por seu alcance cultural quanto por sua substância artística. No entanto, 20 anos depois, Dangerous está ganhando admiradores quanto mais as pessoas se movem além do estranho nonsense, que era tão proeminente em opiniões contemporâneas, e prestar atenção ao seu conteúdo: seus temas presciente, o seu vasto inventário de sons, a sua pesquisa panorâmica de estilos musicais.

A linha inferior é esta: Se de fato ele é considerado um álbum pop, Dangerous redefiniu os parâmetros do pop. Como explicar então um álbum que mistura R & B, funk, gospel, hip-hop, rock, industrial, e clássica, um álbum que apresenta uma canção ("Will You Be There"), com a Nona Sinfonia de Beethoven e outro ("Dangerous") que soa como o coração de uma fábrica de aço da cidade; um álbum que pode alternadamente ser paranoico, enigmático, sensual, vulnerável, idealista, sombrio, transcendente, e medroso? Mesmo a capa do álbum – uma pintura acrílica criada pelo pop surrealista Mark Ryden, com uma máscara circense através da qual Jackson olha de volta para o público dele – significa uma nova profundidade e consciência.





Jackson dá o tom a partir da faixa de abertura. No lugar do primitivo, grooves cinematográficos de Bad, é algo mais sintonizado com o mundo real, algo mais ousado e urgente. Os estilhaços de vidro no início de "Jam" apropriadamente simbolizam a descoberta. Dangerous foi o primeiro álbum de Michael Jackson sem o lendário produtor Quincy Jones. Muitos pensaram que ele estava louco por se separar de Jones, dado o sucesso sem precedentes da dupla juntos.
Mas Jackson gostava de desafios e foi revigorado com a ideia de atuar como produtor executivo e trabalhar com uma tela nova. Ele começou a experimentar com um grupo de produtores e engenheiros talentosos com quem ele tinha desenvolvido relações nos anos anteriores, incluindo Bill Bottrell, Matt Forger, e Bryan Loren, mais tarde no processo, ele também trouxe de volta o engenheiro de longa data, Bruce Swedien. O que resultou da gravação de sessões, que se estenderam de 1989 a 1991, foi o álbum mais socialmente consciente dele e pessoalmente revelador até a data.
Talvez o acréscimo mais significativo para a nova equipe criativa, no entanto, não tenha sido feita até o último ano. Jackson continuava insatisfeito com muitas das faixas ritmo. Ele queria uma batida mais forte, para se sentir mais ousado. Com isso em mente, ele buscou no o novo inovador de Jack Swing, Jack, Teddy Rilley, de 23 anos de idade. Desde o lançamento de Bad, em 1987, R & B e hip-hop evoluíram em uma variedade de direções, a partir do rap provocativo do Public Enemy, à franqueza sexual de LL Cool J, para o New Jack Swing agressivo de Bobby Brown e Guy.
Jackson queria levar elementos de todas as últimas inovações e sons, e dobrar, torcer, e fundi-los com sua própria visão criativa. Enquanto Dangerous é muitas vezes caracterizado como New Jack Swing – por causa da presença de Riley, sem dúvida – apropriação do estilo por Jackson é clara. As batidas são frequentemente mais dinâmicas e limpas, os ritmos mais sincopados, o som mais visceral e industrial. Os sons encontrados são usados ​​como percussão em toda parte: buzinas, correntes deslizando, portões balançando, vidro quebrando, metal sendo torcido. Jackson também frequentemente implementa beatboxing, scatting, e estalo de dedos.

Escolha uma música como "In the Closet" e a compare com outras do final dos anos 80 / início dos anos 90, do New Jack Swing. As diferenças são impressionantes. Ouvir a forma como a introdução de piano elegante dá lugar a batida erótica, giratória. Ouça como a canção constrói e libera a tensão, constrói e libera a tensão, antes que o clímax exploda na marca de 04h30min. Ouça o ágil desempenho vocal, a partir da abafada e confessional narração, para os apertados acordes em falsete, até os apaixonados suspiros, suspiros e exclamações.

É uma das músicas mais sexualmente carregada de Jackson, mas ele ainda consegue uma certa sutileza e intriga, até mesmo o título brinca timidamente com as expectativas sobre a sexualidade. Diferentemente da maioria dos compositores R & B e pop, as “canções de amor" de Jackson quase sempre contém uma certa ambiguidade, tensão dramática e mistério. Veja, também, "Dangerous", que contém a letra: “deep in the darkness of passion’s insanity/ I felt taken by lust’s strange inhumanity” (profundo na escuridão da insanidade da paixão/ Eu me senti capturado pela estranha desumanidade da luxúria).



É a segunda metade do álbum Dangerous, no entanto, que realmente apresenta a gama artística de Jackson. Seguindo o sucesso declarativo, "Black or White", Jackson revela uma das músicas mais impressionantes em seu catálogo inteiro, a obra-prima assombrada, "Who Is It". Para aqueles que ainda acreditam no mito de que o trabalho de Jackson declinou após os anos 80, esta faixa por si só deveria dissipar a noção. Não só é habilmente trabalhada (rivalizando com "Billie Jean"), é Jackson em seu mais emocionalmente cru: "I can’t take it ‘cause I’m lonely” (Eu não suportar isso porque eu estou sozinho) "Give In To Me", continua o tom sombrio, quando Jackson libera a angustia reprimida, além dos cortes da guitarra de Slash.  É uma canção que estaria em casa ao lado do contraste tranquilo /alto som dinâmico de Nevermind ou das ásperas texturas metálicas de Baby Achtung, do U2.
O que vem a seguir? Um prelúdio retirado da Nona Sinfonia de Beethoven, naturalmente, seguido de duas músicas "Will You Be There" e "Keep the Faith" enraizadas no gospel negro. Jackson em seguida, fecha o álbum com uma suave expressão de transitoriedade da vida ("Gone Too Soon"), inspirado pela vítima de AIDS, Ryan White, antes de retornar ao ponto de partida para o industrial New Jack Swing da faixa-título.
Para alguns, este tipo de abordagem eclética e maximalista para um álbum era visto com desdém. Dangerous foi criticado por ser demasiado longo, exagerado, e sem foco. O que no mundo, os céticos perguntaram, uma canção como "Heal the World" fazia em um álbum com "Jam" e "Dangerous"? Certamente, isso caiu em contradição com o som sustentado e tema de um álbum como o Nevermind. Jackson, é claro, poderia facilmente ter seguido esta rota, adicionando mais algumas músicas para as setes trilhas ritmo que ele criou com Teddy Riley.
Porém, no final, foi uma escolha estética. Jackson valorizava a diversidade e contraste, tanto sonoramente quanto tematicamente. Ele adorou a ideia de surpreender o público com uma sequência de músicas incomum, ou uma mudança inesperada no humor. Se o tradicional R & B não poderia expressar uma certa emoção, ele encontrou um estilo que poderia (assim, a épico, biblicamente enraizada emoção de "Will You Be There" torna-se clássico e gospel). Álbuns, acreditava ele, eram viagens e como ele viria a explicar, em referência à série de concertos dele, This Is It, ele queria levar as pessoas a lugares que nunca tinham estado antes.

 No entanto, independentemente das preferências estilísticas, deve-se, pelo menos, reconhecer a audácia e o talento de um artista que foi capaz de tirar de tais fontes díspares e criar em tal variedade de gêneros.


Poderia Axl Rose fazer New Jack Swing? Could Kurt Cobain fazer hip hop? Poderia Chuck D fazer gospel? Mas Michael Jackson trabalhou tão confortavelmente com Slash quanto trabalhou com o Andrae Crouch Singers Choir ou Heavy D.
Qual, portanto, é o legado Dangerous, vinte anos depois? Foi um ponto de mudança artística para Jackson, alterando o foco dele para uma mais material consciência social, conceitos ambiciosos, e uma ampla paleta de sons e estilos.
É também a expressão culminante do som New Jack Swing, contribuindo para o R&B do final dos anos 80 / início dos anos 90 que álbuns como Nevermind e Ten fez pelo rock. Fusões estabeleceram o plano para os anos que viriam, enquanto a industrial sonoridade e batidas metálicas foram mais tarde popularizadas por artistas tão díspares como Nine Inch Nails e Lady Gaga. Em termos de cenário musical global, em 1991_que realmente foi um ano notável para a música – ele pode não ter sido tão culturalmente avassalador como Nevermind, mas está ao lado dele (e um punhado de outros registros) como um das primeiras realizações artísticas mais impressionantes da década.
No final, Nirvana e companhia podem ter matado o rock dos anos 80. Mas, se pop estava morto, o seu "rei" tinha com sucesso criando alternativas.



Fonte: http://www.popmatters.com/pm/feature/148850-michael-jackson-dangerous-and-the-reinvention-of-pop/

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A Influência Sem Paralelo de Michael Jackson

Michael Jackson: Influência Sem Paralelo


Escrito por Hampton Stevens
Traduzido por Daniela Ferreira para o blog The Man In The Music
Michael Jackson foi o artista mais influente do século 20. Isso pode parecer chocante aos ouvidos sofisticados. Jackson, afinal, era apenas uma estrela pop. E quanto aos grandes escritores do século, como Fitzgerald e Faulkner? E sobre artistas plásticos, como Picasso e Dali, ou os mestres do cinema, de Chaplin a Kubrick? Mesmo entre os músicos influentes, Michael realmente importa mais do que os Beatles? E sobre Louis Armstrong, que inventou o jazz, ou Frank Sinatra, que reinventoulo para as pessoas brancas? Ou Elvis Presley, que fez o mesmo com blues e gospel, criando o rock no processo? Michael Jackson é maior do que Elvis? De longe.
Primeiro, não há dúvida de que os músicos do século 20 teve muito mais imapacto cultural que qualquer outro tipo de artista. Não há tal coisa, por exemplo, como um pintor do século 20 que é mais famoso do que um artista como Sinatra. Não há produtores ou estrelas de cinema que teve influência mais cultural do que os Beatles, e não há escritores do século 20 que tocou mais vidas do que Elvis. Considere-se que milhares de seres humanos, de Bankok ao Brasil, ganham a vida fingindo ser Elvis Presley. Quando foi a última vez que viu uma boa impressão de Picasso? Mesmo Elvis, porém, é ofuscado pela carreira de Jackson.
Primeiro, com a possível exceção de Prince e Sammy Davis Jr., Michael Jackson simplesmente tinha talento mais cru como um performer do que qualquer de seus pares. Mas o Rei do Pop reina como artista do século, não apenas por causa de seu talento excepcional, mas porque ele foi capaz de empacotar o talento de uma forma totalmente nova. Em forma e conteúdo, Jackson simplesmente fez o que ninguém tinha feito antes.
Louis Armstrong, por exemplo, aprendia música como um artista ao vivo e adaptava a sua arte para os álbuns e rádio. Sinatra e Elvis também foram, basicamente, artistas de performances ao vivo, que gravaram discos, em última análise, expanidno a pessoa do palco para outras mídias, pela pura força de carisma. Os Beatles eram um híbrido, uma garde banda de apresentações ao vivo, uma vez, que se tornou popular pelo rádio e TV, forçados pela própria fama a se tornarem os primeiros artistas do rock em grandes estúdios.
Jackson, porém, foi algo totalmente diferente. Algo novo. Obviamente ele fez grandes discos, geralmente com a ajuda de Quincy Jones. A influência musical de Michael Jackson em artistas posteriores é simplesmente inevitável, de seus seguidores imediatos, como Madonna e Bobby Brown, para estrelas posteriores como Usher e Justin Timberlake.
Certamente, Jackson também pode eletrizar uma platéia ao vivo. Sua tela verdade, porém, era sempre a tela de vídeo. Acima de tudo, ele foi o primeiro grande entertainer televisual. De sua infância nos Jackson 5, a sua transformação em adulto no aniversário de 25 anos da Motown; Jackson viveu e morreu para a TV. Ele nasceu em 1958, parte da primeira geração de americanos que nunca conheceu um mundo sem TV. E Jackson  não apenas cresceu com TV. Ele cresceu nela. Estrelato infantil, a grande bênção e maldição de sua vida, deixou que ele internalizasse as convenções do meio e ver o seu potencial de forma que nenhum artista pôde antes.
O resultado, como tipificado pelos vídeos para "Thriller", "Billie Jean" e "Beat It", foi mais do que simplesmente grande arte. Era uma nova forma de arte. Jackson mudou as companias de videoclipes promocionais de baixos orçamentos o baixo orçamento, levando-as a fezer grandes sucessos promocionais de arte, um gênero totalmente novo que combina todas as formas de mídia de massa do século 20: o vídeo dclipe. Foi cinematográfico, mas não um filme. Havia elementos da performance ao vivo, mas não era nada como um concerto. Uma mistura perfeita de música e dança que não era brega como Broadway, foi na TV, mas totalmente diferentes de qualquer coisa que as pessoas já tinham visto em uma tela.
A sabedoria convecional, muitass vezes repetida, de que os vídeos de Jackson fizeram a MTV e assim "mudou a indústria da música" é apenas meia verdade. É mais como se a indústria da música tivesse inflado para abarcar o talento de Jackson e encolhido de novo sem ele. Vídeos não importavam antes de Michael, e eles deixaram de importar, no momento cultural quase preciso em que ele parou de produzir um grande trabalho. Seu último clipe relevante, "Black or White", foi essencialmente o swan song (ato final) do gênero. Liderada pelo Nirvana e Pearl Jam, a próxima onda de estrelas pop odiava fazer vídeos, ver o formato inteiro, eo canal onde eles iam ao ar, como ferramentas do rock corporativo.

O maior impacto do clipe não estava na música, mas no vídeo. Isto é, no cinema e na televisão. A geração que cresceu assistindo a vídeos dos anos 80 começou a fazer filmes e programas de TV nos anos 90, usanddo elementos estilísticos da uma vez ousada MTV, como cortes rápidos, vérité de estilo hand-helds, a narrativa não-linear e pesados ​​efeitos visuais e transformaram tudo isso  em convenções de TV e convenções de filmes  cinematográficos.
Se Jackson tivesse sido apenas um grande músico que também inventou o videoclipe, ele ainda não teria importado tanto. Madonna, seu único herdeiro digno, era quase tão talentosa em comunicar uma estética na tela. A estética que Jackson comunicou comunicado, no entanto, foi muito mais poderosa, libertadora e globalmente ressonante que a dela. Foi mais poderosa  que o que  Elvis e Sinatra comunicaram , também. Daí, toda essa “Maior Influência Artística”.
A música popular americana sempre desafiou estereótipos e quebrou barreiras. Ao longo do século, seja no Rock, Jazz, ou Hip-Hop, estilos misturados de artístas negros e brancos, implicitamente, e muitas vezes explicitamente, defendia a igualdade racial. Música popular sempre desafiou os papéis sexuais, também. Artistas Top 40 especialmente, de Little Richard e a proto-feminista Leslie Gore, de David Bowie, Madonna e Lady Gaga têm empurrado o progresso social, dobrando e quebrando regras de gênero.

Jackson foi claramente uma figura trágica, e seu trauma de infância bem documentado não ajudou. Mas o seu erro fatal, e ao mesmo tempo fonte de seu poder imenso, foi uma verdadeiramente revolucionária visão Romântica. Não muito romântico na forma opulenta como as empresas de cartões de felicidade e floriculturas usam a palavra, mas no seu sentido mais antigo, byroniano, de alguém que dedica toda a sua vida a perseguir um ideal criativo, desafiando a ordem social e a lei, mesmo natural. O ideal romântico de Michael Jackson, aprendido quando criança aos pés do fundador da Motown, Berry Gordy, foi uma visão inspirada na Era de Aquário inspirada, usando música pop para construir harmonia racial, sexual, geracional e religiosa. A torção dele, porém, sem precedentes.
Ele não apenas fez a arte promoventos caracteres pop igualitários, mas, literalmente, tentou encarná-lo. Quando essa visão tornou-se uma obsessão, um padrão showbiz de vício em cirurgia plástica tornou-se algo infinitamente mais ambicioso e infinitamente mais obscuro. Jackson conscientemente tentou se transformar em uma mistura indeterminada de tipos humanos, numa espécie de eterno multi-pessoa, misturando preto e branco, masculino e feminino adulto e criança. Ele foi, entretanto, não um multi-pessoa. Ele era apenas uma pessoa normal, ainda que extremamente talentoso, e o tempo faz de cada pessoa, não importa quão bem eles cantam. Décadas de atirar-se contra esta parede irrefutável, realmente o devastram, corpo, então a alma, e eventualmente o destruiu.
Em seu auge criativo, porém, quase parecia possível. Michael poderia ser absolutamente qualquer coisa que ele queria; Diana Ross, um dia, Peter Pan no próximo. Cada nota alta de tirar o fôlego, cada passo de dança impossível, cada traje louco, projetava a mesma mensagem. Não há mais barreiras de raça, classe social, sexo ou idade, ele disse à sua audiência. Você também pode ser e fazer o que quiser. Estamos limitados apenas pela nossa capacidade de sonhar. Um artista que pode fazer você acreditar que, sentir isso, ainda que só por um momento, vem uma vez na vida. Talvez. Se você tiver sorte.
Como os anos passam e a história sanitiza a memória dele, a lenda de Michael Jackson só vai crescer. Um dia, além de ser o artista mais influente do século 20, ele pode muito bem derrubar Elvis, tornando-se, também, o mais bem personificado. Jackson, afinal, morreu um ano atrás. Elvis se foi desde 1977. Mais duas ou três décadas e Michael poderia ter mais sósias desde Bankok ao Brasil. Vamos apenas esperar que eles não levem isso longe de mais.