Menu

Mostrando postagens com marcador M Poetica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador M Poetica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de março de 2013

M Poetica: A Arte de Desafio e Conexão de Michael Jackson - Ghosts




Ghosts

 

 

Ghosts, um curta-metragem de 38 minutos baseado em uma história de Jackson e Stephen King, apresenta o mais completo exame de Jackson da função da arte e do papel do artista. Ele começa com um tropel da vila, carregando tochas, invadindo a mansão de um artista – um contador de história de fantasma – que vive sozinho na periferia da cidade.
Isso tem sido descrito como a resposta de Jackson ao escândalo de abuso sexual infantil, com o prefeito da cidade (e líder do tropel) representando o Promotor Distrital, Tom Sneddon, que liderou as investigações de 1993 contra Jackson e serviu como promotor chefe durante o julgamento de 2005.
No entanto, Ghosts é, também, um interessante exame de nossa complicada relação com arte e artistas.  Nós queremos que a arte mexa conosco, emocionalmente, mas não muito. Arte que realmente nos balança na nossa fundação é “assustadora”, e nós nos ressentimos disse.
Da mesma forma, nós amamos artistas porque eles têm a habilidade de fazer coisas maravilhosas que nos movimentam e nos entretêm.  Mas ao mesmo tempo nós desconfiamos deles e os tratamos como “aberrações”, precisamente porque eles têm o poder de engajar nossas emoções tão profundamente, e porque eles veem tão inadvertidamente diferente.
No filme, o prefeito lidera os moradores da vila em um esforço de dirigir o artista para fora da cidade. (Interessantemente, Jackson interpreta tanto o artista quanto o prefeito durante o filme). A declarada razão para banir o artista é proteger as crianças da vila. Ele é acusado de assustá-las com histórias de fantasma, mesmo eles vindo em defesa dele e dizendo que gostam das histórias dele: eles sentem medo, mas de divertem.
Porém, as palavras do prefeito implica que ele é também motivado por uma desconfiança do artista, porque ele é muito diferente. Como ele disse várias vezes, “Ele é um esquisito. Não há lugar nesta cidade para esquisitões”. “Nós temos uma agradável cidade normal, pessoas normais, crianças normais. Nós não precisamos de aberrações como você contando histórias de fantasmas.” “Você é esquisito, você é estranho e eu não gosto de você. Você tem assustado estas crianças, vivendo aqui em cima, sozinho.” E, “Volte para o circo, sua aberração”.
Como em bad, o personagem de Jackson se encontra sozinho e sob ataque por uma gangue dos próprios vizinhos dele, e, como em Bad, ele responde chamando uma imaginária gangue de pares, uma trupe de dançarinos, para ajuda-lo a confrontar a ameaça – embora desta vez haja uma tropa de espíritos macabros que se juntam a ele na dança. Eles até têm o mesmo maneirismo e começam a mesma chamada e resposta que ele está cantando no fim de Bad: “Diga-me que você está errado”. Ele está falando para o prefeito exatamente como ele falou com o líder da gangue em Bad, desde que, ambos, de algumas formas, são líderes de gangue – um apenas mais oficial que o outro.
Ele, sem seguida, dança e canta com a trupe de fantasma, aparentemente em esperança que o poder da arte e música criará uma conexão emocional e atmosfera de respeito com entre ele e os moradores da vila, exatamente como fez com os membros da gangue em Bad. E faz, pelo menos com as crianças da vila e a maioria dos adultos. Eles ficaram em transe por causa da dança, e começaram a apreciar a estranha beleza criada pelo elenco de esquisitos dançarinos. No entanto, o prefeito continuou imutável. Enquanto o líder da gangue em Bad ficou abalado o suficiente pela dança para pedir uma trégua, apertando a mão do artista e garantindo o espaço dele na vizinhança, o prefeito em Ghost, não.
A música termina como um assombrosamente belo coro enquanto os fantasmas voam para baixo, vindo do teto, criando uma escultura viva. Os moradores da vila focaram tontos, mas o prefeito se recusou a acreditar na estranha beleza da performance, e o artista lhe deu um profundo olhar. Esse foi um dos mais pungentes momentos de todo o trabalho de Jackson. O artista está obviamente ferido pelas palavras do prefeito, e ele está furioso com ele por lhe invadir a casa e liderar os moradores da vila contra ele. (Como ele canta durante a dança: “Você está buscando somente a mim./Você está me enojando.”). Mas apesar da mágoa e raiva dele, o artista continua se estendendo até o prefeito, encorajando-o a descobrir a beleza e o poder da arte. Porém, o prefeito ativamente resiste ao encanto da experiência,  ou simplesmente não a compreende. De qualquer forma, ele não pode apreciar as “assustadoras” músicas e dança que ele está testemunhando. Ele não está, portanto, abalado pelo que ele viu e não tem nenhuma apreciação pelo artista que criou isso.
O artista responde se transformando em um esqueleto dançarino e puxando o prefeito para a pista de dança. Quando isso também não funciona, ele dá um passo à frente: ele se torna um espírito e, literalmente, entra no corpo do prefeito, forçando-o a dança e a fazer parte da experiência artística. Em vídeos anteriores, Jackson frequentemente usou empatia para entrar nas mentes dos outros e entende-los melhor. Dessa vez, no entanto, é uma troca bidirecional: ele também quer que o prefeito o entenda, o artista, assim, ele literalmente se derrama dentro do prefeito e o força a dançar. Se o prefeito experimentar a alegria da dança, por si mesmo, talvez, ele compreenderá a perspectiva do artista. Talvez, ele estará mais disposto a reconhecer a humanidade em outros, mesmo “esquisitos” e “aberrações” e artistas. Talvez, ele até venha a apreciar o valor da arte em si e perceber por que histórias de fantasmas são tão importantes, para crianças bem como para adultos.
Assim Jackson, no papel parelho dele como o Prefeito, conduz uma das mais incomuns danças da carreira dele: como um homem forçado a dançar contra a vontade dele. Ele gira, faz moonwalk, agarra a virilha dele – todos os movimentos clássicos de Jackson, mas os membros do prefeito empurram enquanto ele resiste à compulsão do próprio corpo dele para dançar. Mas isso não funciona também. A dança não é transformativa para o Prefeito. Enquanto muitas das pessoas da cidade ficam envolvidas pelo espírito do momento e começam a dançar e completamente experimentar a alegria, para o Prefeito isso é mais como uma forma de tormento. Ele odeia isso, e resiste à dança o tempo todo, até que ele finalmente grita: “Pare!”.
O espírito imediatamente o liberta da dança, mas segura um espelho diante do rosto dele. Isso é um lugar comum para dizer que arte é como um espelho, forçando-nos a nos ver de uma forma diferente. Em Ghosts, essa ideia é apresentada literalmente.  O braço do artista sai de dentro do corpo do Prefeito e segura um espelho diante do rosto dele, que está em metamorfose sob a influência do artista dento dele, para revelar ao Prefeito a própria esquisitice interior. O Prefeito, que tem repetidamente chamado o artista de aberração, é forçado a ver o que está sendo revelado na própria face e perguntar a se mesmo; “Quem é assustador agora? Quem é a aberração agora?”.
O artista, em seguida, deixa o corpo do Prefeito, suspira, e diz: “Então, vocês ainda querem que eu vá?”. Em outras palavras: a experiência funcionou? A exposição do Prefeito ao poder do artista – por ouvir a assustadora música e por dançar, ele mesmo, por ver a face dele no espelho e testemunhar a própria aberração interior – mudou a cabeça dele? As o artista já sabe a resposta. Ele esteve dentro da cabeça e do corpo do Prefeito e sabe que ele é resistente à dança. Quando o Prefeito replica: “Sim! Sim!”, ele ainda quer que o artista vá embora, o artista não está surpreso. E assim o artista parte – não caminhando no chão, mas destruindo-se.
Mas, é claro, um artista nunca morre realmente, enquanto a obra dele perpetua, e essa concepção é retratada literalmente em Ghosts, também. Tão logo o artista morre, ele renasce como uma obra de arte: uma enorme estátua viva com uma face de pedra, grande o bastante para encher soleira. (Depois de tudo, Jackson deixa para trás um enorme corpo de trabalho.) Quando o filme venta em direção a conclusão dele, nós descobrimos que a obra do artista é ainda mais poderosa que o próprio artista. O vídeo, destarte, termina com o Prefeito banido, o artista restaurado, e algumas crianças seguindo o caminho delas de se tornar artistas, elas próprias.
É um caprichado final legal, mas isso não parece assim, em muitos aspectos. A atmosfera do filme é nervosa, e não se aquieta durante, nem mesmo na conclusão. O artista Jackson retratado não é um entertainer reconfortante, um contador de reconfortantes contos de fadas. Em vez disso, ele é um poderoso artista – um Maestro, como ele é listado nos créditos. Ele está no controle, é imprevisível e possui habilidades sobrenaturais. Os habitantes da vila estão, compreensivelmente, desconfiados dele, mesmo no fim, embora eles riam nervosamente e respondam quando ele comanda. Ele é um amestro das emoções dele, assim como da arte dele, e ambos o respeitam e desconfiam dele por isso.
A mensagem global de Ghosts é que, como histórias de fantasma, arte significativa é tanto divertida quanto “assustadora”: é poderosa, perturbadora, ameaçadora. Ela nos inquieta, e nos força a confrontar verdades desconfortáveis. Ela segura um espelho diante de nossos rostos (literalmente, no caso do Prefeito), e nos força a olhar para nós mesmo de forma diferente.  O artista cria uma experiência para nós com um propósito em mente. Nosso trabalho com audiência é estarmos abertos a essa experiência. Como o artista pergunta durante o filme, em diferentes pontos ao longo do caminho: “Eu assustei você?” ou “Você já está assustado?”. Nós temos nos permitimos ficar completamente envolvidos pela experiência que o artista preparou para nós? Essa é a diferença entre as crianças (que prontamente admitem que elas gostam de ser assustadas, mas mesmo assim são tocadas e alteradas pela experiência) e o Prefeito (que absolutamente resiste à experiência artística até ser, finalmente, banido).

 

 

 

 

quarta-feira, 20 de março de 2013

M Poetica: A Arte de Conexão e Desafio de MJ : Stranger in Moscow






Stranger in Moscow

 

Esta é a maldita paisagem que Jackson habita em Stranger in Moscow, do álbum de 1995 dele, HIStory. E, novamente, ele faz uma pergunta ética, embora dessa vez seja uma persona singular: o que o artista deveria fazer, quando o público se volta contra ele, e a fonte de inspiração dele – ou seja, o relacionamento dele com crianças, a e energia criativa da infância – se tornou suspeita?
Como em Billie Jean, ele caminha consigo, enquanto pondera sobre o que fazer; com o que está em torno dele, mais uma vez, refletindo a jornada psicológica dele. A “veloz e repentina queda da graça” o tem deixado “sozinho e frio por dentro/ Como um estranho em Moscow”. Mas mesmo nesse estado angustiante, ele continua sintonizado com as pessoas em volta dele: o homem só em um apartamento, uma mulher em uma cafeteria, um mendigo, um negociante, um adolescente vendo outras crianças jogando bola. Ele entende que eles estão sós e tristes e que têm os próprios tormentos. Ele é apenas uma das milhares de pessoas que sofrem, e a solução não é fácil. Alguém atira uma moeda para o mendigo, exatamente como Jackson fez com o bêbado em Billie Jean, mas agora, nós estamos olhando para a transação do ponto de vista do mendigo, vendo a moeda cair em direção a ele/ nós. Mas dessa vez, ele não se transforma; ele é apenas um mendigo com uma moeda. Dinheiro não pode consertar isso.
Começa a chover, basicamente um símbolo universal para tempos ruins, e as letras confirmam isso: “Dias ensolarados parecem distantes... De novo e de novo e de novo isso vem./ Queria que a chuva apenas me deixasse estar.” Os adultos se encurvam, blindando-se contra a chuva e se sentindo ainda mais tristes e isolados. De repente, nós escutamos um grito excitado, e, então, um pequeno grupo de crianças vem espalhando água do aguaceiro. Como as empobrecidas, mas alegres crianças em Jam, elas aceitam os tempos difíceis e estão alegres de qualquer forma.
A energia criativa da infância ainda existe, e ainda tem a capacidade de inspirar. Através delas, o significado da chuva, em si, é transformado de dificuldades para um tipo de batismo, uma fonte de renovação. Uma a um, os adultos, estende uma mão para a chuva e começa a se aventurar.
No fim do vídeo, Jackson está na chuva também, completamente encharcado, ele atira a cabeça para trás e o cabelo molhado forma arcos sobre ele. Daí, ele fica de pé com os braços estendidos, a chuva caindo. É um notável gesto, desde que essa era uma pose característica para ele, quando ele estava em concerto – uma que ele tipicamente adotava durante os aplausos de uma audiência, como se ele estivesse tentando reunir tudo isso, como um enorme buquê de flores, sem deixar que nenhuma delas caísse. No entanto, aqui ele não está sendo banhado em aplausos, mas em condenações, e os braços dele caem com o peso delas. Mas ele decide aceitar esses tempos difíceis, exatamente como ele uma vez aceitou os aplausos, e, embora ele não esteja feliz, talvez como as crianças que estão correndo, ele irá encontrar isso dentro dele mesmo, para ter momentos de alegria na chuva também.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

M Poetica : A Arte de Conexão e Desafio de Michael Jackson: Blood on the Dance Floor


Blood on the Dance Floor

 

É claro, Jackson estava errado quando ele cantava: “Você não pode me ferir”. Todos têm fraquezas. Em 1993, um ano depois do lançamento de Jam, Jackson foi acusado de abusar sexualmente de um menino e os resultados foram devastadores para todos os desenvolvidos. Blood on the Dance Floor, do álbum, de 1997, de mesmo nome, retrata um caótico mundo sombrio. Por toda a vida e trabalho, Jackson incorporou arte, e, especialmente, dança, tanto socialmente quanto pessoalmente transformativo. Mas agora há “sangue na pista de dança” e a dança em si se tornou contaminada, meramente mais uma forma de sedução e traição.

Jackon senta em uma cadeira em uma boate, irritado e desorientado. Críticos musicais o castigaram por sentar a maior parte do vídeo, mas esse é precisamente o ponto. E quando ele vai para a pista de dança, ele apresenta uma dança muito diferente do que nós já o tínhamos visto dançar antes. Ele não é o líder de uma gangue de dançarinos, definitivamente alegres no meio de um ambiente sem vida. Em vez disso, ele é outro cansado da vida cara. E ele não está dançando para transformar o mundo dele ou ganhar renovação, mas para se perder, esquecer. Como ele canta: “Para escapar do mundo eu tenho que desfrutar desta simples dança”.

Mas Jackson não é meramente um dançarino nesse vídeo; ele é também o narrador de uma história de violência e revanche. Uma mulher, Susie, é seduzida no clube e abandonada. Ela, então, planejou para matar o amante desiludido dela, na pista de dança, com uma faca. De muitas formas, esse vídeo é uma continuação do ciclo Billie Jean/ Dirty Diana, mas naqueles vídeos Jackson trabalhou para entender essas personagens. Aqui, ele não. Susie é simplesmente tão diferente Ele pode se simpatizar com uma mãe solteira ou adotar o ponto de vista de uma groupies, mas ele aprece não precisar entrar na cabeça de uma assassina.

A envolvente personagem Billie Jean / Dirty Diana/ Susie tinham, finalmente, se tornado um monstro, apesar dos esforços de Jackson para humaniza-la. (Ela também se tornou masculina, ela crava a faca “sete polegadas dentro”.) Mas como Billie Jean e Diana, ela não é apenas uma mulher. Ela também representa audiência de Jackson – uma audiência que não está satisfeita com as performances públicas dele, mas que acesso à vida privada dele, da mesma forma. Billie Jean dança com o narrador, depois, tenta retirá-lo da pista de dança, alegando que ele é o pai do bebe dela. Dirty Diana ama o artista que ela vê dançando no palco, depois, tenta tirá-lo do palco, também, entrando no carro dele e convidando-o para ir para casa com ela. E Susie foi seduzida por um homem que ela conheceu na pista de dança, e, quando ele não quer nada mais que isso, ela o apunhala na pista de dança.

Interessantemente, a letra de Blood on the Dance Floor move para frente e para trás o “você” do sedutor e o “eu” do narrador. O sedutor e o narrador têm histórias paralelas, e Susie está lá fora para pegar os dois. Isso sublinha o que Jackson, mais uma vez, está contando a história dúbia de uma mulher com o amante dela, assim como o artista com a audiência dele. O amante de Susie a seduziu na pista de dança, exatamente como Jackson nos seduziu, a audiência dele, no palco. Nós nos apaixonamos pelo Michael Jackson que nós vimos cantando e dançando no palco. Mas como Billie Jean, Diana e Susie, nós queríamos reclamar a pessoa por trás do artista também, a pessoa que existia fora da pista de dança, e fora do palco. E quando não pudemos pegar isso – quando a aparência em transformação dele e as perturbadoras entrevistas nos confundem, e ele, simplesmente, não seria quem nós queríamos que ele fosse – nós nos voltamos contra ele com toda a ira de um amante desdenhado e o atacamos.

É importante notar que o Michael Jackson “piadas” e a crucificação tabloide “Wacko Jacko” começaram muito antes das acusações de abuso sexual. Jackson lançou Leave Me Alone, a resposta dele ao bombardeio dos tabloides, em 1987 – seis anos antes das acusações de 1993, e 18 anos antes do julgamento de 2005. Em uma entrevista, em 1987, Robert Robertson do The Band, falou sobre este “estranho fenômeno americano, no qual nós pegamos estes heróis e nós os construímos e o expulsamos do paraíso. Nós continuamos a falar do assassinato de John Lenon, mas nós atacamos artistas populares de uma maneira mais sutil, da mesma forma: com palavras e piadas cruéis e um tipo único de desprezo que reservamos apenas para estrelas que, por qualquer razão, não mais nos encanta”.

Kacosn estava bem consciente desse fenômeno e falou sobre isso na entrevista de 1984 no auge da fama dele: “Streisand uma vez disse... ‘Eu superei isso, em 20/20’, ela disse que quando ele chegou, ela era nova e fresca e todo mundo a amou. Eles a elevaram e então... eles a derrubaram... Você sabe, ela é humana. Ela mão pode aguentar isso”.

Nós fizemos a mesma coisa com John Travolta, Houve um tempo, após o colapso do disco, quando Travolta era tão miseravelmente impopular que isso era como uma doença contagiosa capaz de infecta todo mundo que ousasse defende-lo: admitir que você gostava do trabalho de Travolta ou apreciava o talento dele era revelar que você mesmo era, terminantemente, chato.

Nós nos voltamos contra Elvis Presley também. Nós tendemos a esquecer disso por causa da renascente popularidade dele depois que ele morreu, mas há uma razão porque ele passou os últimos anos da carreira dele tocando em boates bregas em Las Vegas. Piadas e paródias sobre Elvis eram um grampo para de rotinas de comédias e passatempo nos programas de rádio nos anos setenta, embora olhando para trás com nostalgia, nós, convenientemente ignoremos o quão difuso o sentimento anti-Elvis estava de volta, então, ou o quão viciosamente ele era atacado – pela alegada paranoia dele e excesso, as armas dele, o peso dele, os sanduiches de nana com manteiga de amendoim dele, os terninhos dele e gola alta, até mesmo o distintivo estilo vocálico dele.

Os americanos se voltaram contra um dos heróis de Jackson, Charlie Chaplin, também.  Embora um cidadão bretão, Chaplin se tornou um dos atores mais amados da América, e ajudou os americanos a superar dias guerras e a Grande Depressão. No entanto, ele teve uma tempestuosa vida amorosa e uma suposta ascendência judaica (o que ele se negou a confirmar ou negar, dizendo que qualquer uma das declarações poderia ser usada para apoiar antissemitismo), ele foi criticado pelos esforços políticos, antes e durante a II Guerra Mundial. Em Chaplin: Uma Vida, o biografo Stephen Wissman alega que isso resultou em esforços engendrados para desacreditá-lo:

A reação contra Chaplin reuniu ímpeto no final de 1942. Westbook Pegler, um jornalista conservador..., deu o pontapé inicial na campanha com duas mordazes invectivas. Caracterizando as atividades de Chaplin em apoio ás nossas alianças militares com os soviéticos como pro-comunistas antiamericanas, ele recomendou deportação. E com ainda mais veemência, Pegler também sugeriu que os três divórcios anteriores do ator eram provas claras do desprezo dele pela pátria “pelos padrões americanos de relacionamento de casamento, família, e lar”.

A última acusação provou ser uma que pegou mais facilmente... Chaplin estava bem no caminho dele de ser publicamente marcado como um “leproso moral”.

O que é, talvez, mais mordaz sobre esse estágio da vida de Chaplin era a acurada consciência dele de que a audiência dele poderia se voltar contra ele.

Os pais de Chaplin eram, ambos, artistas talentosos, que terminaram a carreira deles em desprezível pobreza, e Wissman escreve sobre “o medo fixo” de Chaplin de que, como os pais dele antes dele, ele também estava a ser desprezado e esquecido pelo público, uma vez apaixonado, dele.

Os americanos suavizaram as condenações moralistas sobre ele por volta do fim da vida dele, e, quando ele foi premiado com o Oscar Honorífico em 1972 aos 82 anos, ele recebeu a mais longa ovação de pé de acordo com um premiado do Oscar. Alistair Cooke notou: “ele é agora – como diz a canção – ‘fácil de amar’, absolutamente seguro de adorar.” É claro, tudo foi esquecido quando ele morreu e os americanos voltaram a escarniá-lo mais – um padrão que temos repetido com inúmeras estrelas, desde então, incluindo Elvis Presley e Michael Jackson.

Nós nos voltamos contra um chocante número de artistas, incluindo performers tão diversos quanto Liza Minelli, Berry Gibb do Bee Gees e Sammy Davis Jr. Significativamente, Jackson foi publicamente apoiado por todos os três, antes que eles caíssem da graça do público. Ele era um amigo de longa data de Liza Minelli e a conduziu no casamento dela; ele era amigo próximo de Barry Gibb e padrinho do filho dele, Michael; e ele abertamente admirava Sammy Davis Jr., e escreveu um lindo tributo para a celebração do 60º aniversário dele, cantando:

 

Você esteve lá, e graças a você

Agora há uma porta por onde todos nós entramos

Sim, eu estou aqui porque você esteve lá

 

Jacksons e recusou a deixar a opinião do público influenciar a afeição dele por esses artistas ou oscilar o julgamento deles sobre o talento ou contribuições deles. Quando Eminem realizou um vídeo ridicularizando Jackson em 2005, um momento quando a opinião do público estava amplamente contra ele, Jackson replicou: “Eu tenho sido um artista na maior patê da minha vida, fazendo o que eu faço, e eu nunca ataquei um colega artista”.  Na verdade, ele sentia que artistas deveriam se unir e ajudar uns aos outros a lidar com a tempestade de uma inconstante e, às vezes, cruel audiência.

Mesmo como um jovem artista, Jackson foi muito consciente dos perigos que artistas e entretainer enfrentam. Um repórter gravou esta troca durante uma entrevista nos bastidores de um concerto em 1982:

Michael está questionando um dançarino se ele sabe sobre as recentes crises de um de um caído superstar. Michael quer saber qual é o problema. O dançarino fez mímica para a resposta dele, passando um dedo sobre o nariz dele. Michael balançou cabeça e traduziu para o amigo dele: “Drogas. Cocaína”.

... “Eu sempre quis saber o que faz bons performers desmoronarem. Eu sempre tentei descobrir. Porque eu simplesmente não posso acreditar que é a mesma coisa que os pega de novo e de novo.”

Nas músicas dele, Jackson aborda o lado mais sombrio da vida de um artista, incluindo isolação, vício ou, mais frequentemente, o espectro de um público imprevisível e potencialmente ameaçador. Mesmo a veloz “Wanna be Startin’ Somethin’” tem, notoriamente, letras sombrias – “Você é apenas um buffet. Você é um vegetal./Eles comem você. Você é um vegetal” – e nos diz: “Você faz Meu Bem chorar”.  Ele retorna a essa imagem em “Monster”, do álbum póstumo dele, Michael, cantando: “Você dá a eles tudo de si. / Eles lhe assistem cair./ E eles comem sua alma como um vegetal.”

Quando ele produziu Blood on the Dance Floor, os piores medos de Jackson se tornaram, horrivelmente, realidade. As acusações de abuso sexual infantil contra ele dominaram a mídia por meses e, como Chaplin antes dele, Jackson “estava bem no caminho dele de ser publicamente rotulado de um ‘leproso moral’”. A imprensa e o público estavam, agora, atacando-o, tão fervorosamente quanto, uma vez, o idolatraram e, dentro do espaço de um ano, ele foi de ser um dos mais amados homens do mundo a objeto de desprezo e mesmo ódio. Ele escreveu músicas temendo um público ameaçador por mias de uma década. Ironicamente, no entanto, uma vez que essa mudança no humor do público verdadeiramente aconteceu, isso não era a preocupação principal. Enquanto ele está desconfiado desta criatura furiosa que se virou contra ele. Ele está cada vez mais horrorizado pela devastação espiritual da pista de dança

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

M Poetica: A Arte de Conexão e Desafio de Michael Jackson






Jam


 
 
Jam, do álbum de 1991 de Jackson, Dangerous, estende essa ideia  do poder transformativo da arte para qualquer empreendimento que realmente capture sua paixão.  Você pode Jam com uma trombeta ou uma pula corda, você pode jam em uma arena de basketball ou na rua, você pode jam como dançarinos ou como professor – qualquer coisas quem envolva você e o encha de deleite. Como Beat It e Bad, o videogame é localizado em um áspero ambiente urbano e reverbera tom sombrio, mas como eles, ele também é definitivamente exuberante e alegre. Na verdade, há uma sobrejacente visão deste completo ciclo de vídeos: a exuberância da criatividade crescendo dentro de ambientes sombrios.
Jam mostra clipe após clipe de crianças completamente absortas na alegria de fazer o que elas fazem – um garoto saltando em um estofado, um jovem dançarino de break imergido na dança dele, crianças correndo, garotas pulando corda, garotos jogando basketball, uma banda de jovens músicos pegando os instrumentos deles – embora isso seja intercalado com imagens de pessoas em desespero. É a dissonâncias entre essas duas que dirige o vídeo e dá a ele peso emocional. Nós também vemos clipes de Jackson e Michael Jordan, praticando, praticando e praticando enquanto eles refinam o ofício deles. É preciso muito trabalho duro par se tornar um dançarino profissional e um jogador de basketball. O truque é combinar habilidades técnicas do profissional com a alegria e criatividade de uma criança brincando.
Gradualmente, o clipe se desenvolve para Michael Jordan e Jackson, juntos, na quadra de basketball e na pista de dança. Ambos têm a confiança que vem de estar no topo do jogo deles e esse segmento é pura diversão de ser ver.  Primeiro, ele entram na quadra, e, enquanto Jackson é razoavelmente alto, ele não é, nem de perto, alto para a NBA. Jordan é uma torre perde dele. Jackson não pode se aproximar para bloquear os disparos dele – ele é como uma criancinha jogando com um adulto – mas ele se esforça: pulando, lutando, mergulhando atrás da bola. Ainda, não há contexto nenhum. Em um ponto, Jordan vai arremessar depois de quicar a bola – e Jackson olha duas vezes – ele não tem ideia de para onde a bola foi. Mas o ponto não é ganhar, é compartilhar: dar tudo de você, lutar com tudo que você tem, perde-se na alegria de fazer isso.
Depois, eles se movem para a pista de dança, e nós começamos a apreciar justamente quão rápidos e fluidos os movimentos  de Jackson são, quando elee está de volta no próprio domínio. Agora, ele é o profissional, e Jordan é o amador,  e nós temos a chance de ver Jackson compartilhando como um professor. Ele está claramente intrigado com Jordan, por ver o que aquele poderoso corpo pode fazer. E outtakes no fim do vídeo, Jackson é como um adolescente em torno de um Masserati. Você tem a sensação de que ele estão morrendo para ter a mente dele dentro desse magnífico corpo de alguma forma e leva-lo para dar uma volta, ver se ele pode, verdadeiramente fazê-lo dançar. Jordan tem trabalhado esse corpo duramente para ser uma força na quadra de basketball, mas Jackson pode de alguma forma fazê-lo se mover da forma que ele imagina na cabeça dele? Ele encoraja, ele demonstra, ele explica, tentando descobrir a palavra mágica para realizar as ideias dele. Ele deita no chão e posiciona os pés de Jordan; ele se levanta nas pontas dos pés e posiciona os dedos dele. Jordan se submete aos esforços de Jackson com um Zeus benevolente, rindo, enquanto Jackson se agita em volta, tratando tornar as ideias dele visíveis.
A atmosfera global em Jam é uma de vitalidade, embora isso esteja dentro do, agora, familiar moldura de uma paisagem urbana negra. Mas as crianças que vemos no vídeo não são aquelas sendo admoestadas para compartilhar – elas já estão compartilhando. Na verdade, eles são apresentados como um modelo para o resto de nós, o que é um completo reverso das outras canções neste ciclo. Em Beat It, Bad, e algumas extensões de The Way You Make Me Feel, o protagonista usa a energia criativa dele para transformar um rude ambiente social em torna-lo mais habitável. Especialmente, ele usa a criatividade dele para ganha o respeito dos vizinhos,
Não fale comigo,
Não grite e berre.
O problema, de acordo com Jam, é uma das exaustões emocionais, de ser desgastado por um sistema social que dissipa nossa energia em tarefas insignificantes e nos deixa cansados e distratados, sem disposição para ajudar outras ou pensar além de nossa próxima tarefa. Nós precisamos “fazer música juntos” – nos engajar em algum tipo de estase criativo – qualquer forma que pode ter – para nos levantar e nos nutrir, emocionalmente e espiritualmente.
Jackson sugere que essa exaustão tem conduzido a um estágio de confusão espiritual. Porque nós não estamos nos permitindo expressar nossa criatividade inata, nós perdemos contato com contanto com nosso ser interior, com que nós somos, e, assim, nós vagamos sem rumo, procurando por respostas. Pois ele diz: “Ela ora a Deus, a Buda/ Então, ela canta uma música de Talmud. / Confusão contradiz o eu.” Nós precisamos compartilhar para voltar a nos conectar com nós mesmos, redescobrir quem nós somos, e, assim, encontrar as respostas que estamos buscando. Uma vez que fazemos isso, nós podemos descobrir que as respostas para as nossas perguntas são muitos mais simples que pensamos. Quando Jackson pergunta: “Nós sabemos o que é certo ou errado?/ eu apenas queria que você me reconhecesse no templo.” Em vez de vagar de templo em templo – do cristianismo ao budismo ao judaísmo – tentando encontrar a resposta certa, nós precisamos para um momento e reconhecer a humanidade das pessoas dentro de cada templo. Se importar com as pessoas é que é importante, não doutrina.
Assim, como outros vídeos no ciclo, Jam fala, mais uma vez, sobre o poder transformativo da arte, mas dessa vez Jackson foca menos  no resultado final – no poder do artista reconhecido – e mais no ato de criatividade em si, no rejuvenescimento spiritual que ocorre dentro de cada um de nós, quando nos imergimos completamente que nos dá alegria. E esse ato de júbilo pode tomar qualquer forma que desejarmos. Nesse sentido, nós precisamos ser como crianças, como o menininho pulando na cadeira, não porque ele vê isso como um exercício espiritual, mas porque é divertido o faz feliz.
Nutrindo-nos dessa forma nos tornearemos mais fortes, nos dará resolução interior – como Jackson diz: “Você não pode me ferir. Eu encontrei paz dentro de mim mesmo” – e nos permite abordar os problemas que nós, como família humana, compartilhamos. Não é acidente que o vídeo começa e termina com um menino jogando com uma bola de basket pintada para parecer o planeta Terra. Para Jackson, a chave para resolver os problemas do planeta que ameaça nosso mundo é cada um de nós reconectar com a exuberância da infância e destrancar a criatividade e paixão dentro de nós mesmos.
Nota da tradutora: Jam significa fazer música junto de forma informal, mas no texto, assim como na música, a palavra é empregada no sentido de compartilhar, trocar habilidades, ensinar e aprender uns com os outros.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

M Poetica: A Arte de Conexão e Desafio de Michael Jackson


Bad



 

Bad continua a exploração dessas ideias por Jackson, exatamente como Dirty Dina carrega para diante as ideias levantadas em Billie Jean. O vídeo de bad é econômico e franco, como Jackson simplesmente cantando e dançando em uma estação de metrô com uma trupe de outros dançarinos. (Não que alguém reclame disso. Assistir a este longo, ágil corpo de dançarino se mover é puro prazer.) Mas o vídeo é moldado dentre de um curta-metragem de 16 minutos de mesmo nome dirigido por Martin Scorcese. O filme é baseado em uma história real de um brilhante jovem homem do interior da cidade que recebe uma bolsa de estudos para uma escola preparativa. Ele vai bem na escola, mas quando ele vem para casa para as férias de verão, alguns dos amigos dele se tornam irritados pelo quanto ele mudou. Ele os apazigua por ajuda-los em um roubo, e ele é morto. ( O filme altera o fim.)

Jackson desempenha os dois personagens tato no filme quanto no vídeo, com a porção do vídeo mostrando a imaginada resposta do personagem dele quando ele é pressionado pelos amigos. Ele deveria atrasar um velho, enquanto os amigos dele se aproximam, mas ele tem uma mudança de coração no último minuto e impede o ataque., os amigos dele se voltam contra ele e é nesse assustador momento que o segmento do vídeo começa.

De repente, o protagonista, se sentindo muito ameaçado e sozinho, imagina a si mesmo como o líder da própria gangue, mas essa é um tipo diferente de gangue – uma gangue de artistas, de cantores e dançarinos. E, enquanto eles parecem violentos, eles têm um tipo muito diferente de caráter: um de possibilidade. Ele canta: “Eles dizem que o céu é o limite/ E para mim isso é realmente verdade” e, mais tarde, “Nós podemos mudar o mundo amanhã./ Ele pode ser um lugar melhor.” Os amigos dele, no entanto, não estão indo a lugar algum. Pois ele diz a eles: “Você está errando./ Você se dará mal em breve.” O protagonista também não tem medo de dizer a eles que eles estão errados.

Como com Billie Jean, Dirty Diana, beat it, o protagonista de Bad se simpatiza com os adversários dele e entende muito bem a difícil situação que eles estão – além de tudo, ele vem do mesmo bairro e vivei a mesma vida que eles. Mas enquanto tosos os outros vídeos terminam se resolução, Bad não. Em beat it Jackson canta “Não importa quem está certo ou errado”: o importante é parar a briga. Porém, ele revisa isso em Bad. Importa se você está certo ou errado Na longa chamada e resposta no final do vídeo, o protagonista diz aos amigos dele que se eles não sabem a diferença entre o que é certo e errado, eles precisam descobrir isso.

Pergunte ao seu irmão

Pergunte a sua mãe

Pergunte a sua irmã

Pergunte a mim

Porque você está agindo errado
 

Assim, enquanto ele concorda que eles estão em um ambiente extremamente violento com limitadas opções, eles ainda têm opções. Eles não têm que atacar velhos e uns aos outros. Há coisas que eles podem fazer para tornar a vida e o bairro deles melhor e, para Jackson, isso começa com a criatividade da expressão artística, em vez da destruição infligida pelas gangues.






quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

M Poetica: A Arte de Conexão e Desafio de Michael Jackson


Beat It

 
 

Pelo fim de The Way You Make me Feel, Jackson absolutamente se recusa a usar mulheres como uma estratégia para impressionar outros homens. Mas essa é uma solução para uma questão que Jackson explora em uma dos vídeos mais populares dele: como pode uma sensível jovem homem crescer em um ambiente conflituoso proteger a is mesmo e obter alguma autonomia? Repetidamente, Jackson implica que um jovem homem nessa situação tem que ser forte o bastante para ser respeitado e não ser alvo de abuso, mas não tão rígido que ele machuca outros ou causar danos psicológicos a si mesmo.

Beat It, do álbum Thriller, é o primeiro vídeo de Jackson a abordar esse tema e isso começa com duas gangues rivais se reunindo para uma briga. O protagonista está deitado na cama dele em um triste e sem impessoal quarto, pensando no que fazer.  Ele é uma figura interessante: quando ele deixa o quarto dele e sai para o mundo, ele se move com confiança, mas ele está em uma posição vulnerável e ele sabe disso. Ele habita um escuro e perigoso mundo, e ele tem que ser cuidadoso.

Você tem que mostrar a eles,

Que você realmente não tem medo,

Você está jogando com sua vida,

Isto não é nenhuma Verdade ou Desejo.

Eles chutarão você então, eles baterão em você,

Depois, eles dirão a você que isso é justo,

Então, caia fora.

Mas você que ser durão.

 

O que um promissor jovem homem deveria fazer nessa situação? Ele precisa ser “durão”, significando ser respeitado pelos outros caras, se ele quiser sobreviver. Mas como ele pode fazer isso sem se perder, perder a sensibilidade, que o torna especial.

As respostas de Jackson jazem no poder transformativo da arte. Se um jovem homem nesse ambiente tem a coragem e criatividade para se conectar com aqueles em volta dele – através da música, ou dança, ou outras expressões artísticas – Jackson alega que ele será respeitado, e ele será capaz para esculpir  o espaço que ele precisa para ser ele mesmo, esse é a mudança no caminho pelo protagonista em Beat It, e ele usa uma camiseta com um teclado e notas musicais na frente para enfatizar  o ponto. Ele é um jovem artista, e um poderoso. Ele gradualmente trabalha o caminho dela ela rua em direção às gangues, e, uma vez, há capacidade deparar a abriga por envolver todo mundo na dança. Importantemente, a autoridade dele sobre as gangues vem do puro poder da música dele e da compartilhada alegria da dança.

Jackson reforça essa ideia de arte como transformativa por gradualmente transformar o significado das palavras “beat it” durante o curso da música. Na primeira estrofe, “beat it” significa caia fora: “Eles disseram a ele, ‘Nunca venha por aqui./ Não queremos ver sua cara... Então, caia fora. ’” Mia tarde, “beat” implica violência – “eles vão bater em você” – e isso ajuda a construir o fundamental senso de ameaça e medo que é tão palpável do vídeo. Mas “beat” também evoca o ritmo da música e essa é a mudança da batida de brutalidade á batida da música que está no coração do vídeo. É música que, definitivamente, interrompe a briga entre as gangues.

Finalmente, para “beat it’ significar  ser vitorioso, vencer,  e esse tem se tornado o significado das palavras pelo o repetitivo refrão no fim da música. Importantemente,  não é o tipo de vitória que deixa um lado se sentindo irado e ansioso por retaliação – como Jackson diz: “Ninguém quer ser  derrotado.” Isso iria simplesmente perpetuar o ciclo de violência. Em vez disso é um vitória da arte dele, da visão criativa dele: a música dele tem se tornado a voz dominante na rua, substituindo o grito destrutivos das gangues.





terça-feira, 29 de janeiro de 2013

M Poetica: A Arte de Conexão e Desafion de Michael Jackson - The Way You Make Me Feel



The Way You Make Me Feel

 

 

É claro, o mesmo vale para os homens também, e Jackson explora isso em The Way You Make Me Feel, um dos vídeos mais interessantes, complexos e mal interpretados deles. Especialmente, Jackson usa esse vídeo para olhar para o jeito como homens competem entre si por uma mulher, e, então, usa o sucesso deles com uma mulher para ganhar status com  os outros homens. (Em uma rotina de comédia em 1993, Eddie Murphy implicou que esse fenômeno funcionava muito bem para o próprio Jackson. Pois Murphy diz, com considerável admiração: “Michael Jackson... não é o camarada mais masculino do mundo. Mas esse é o gancho de Michael: a sensibilidade dele. Mulheres estão dizendo: 'Michael é tão sensível. ’” E isso é verdade, nós sabemos.)

O vídeo abre na rua de um bairro extremamente rude, com aglomerações de homens perturbando mulheres (e homens fracos e de menor status) quando elas tentam passar. Um velho, algo como um autodenominado líder, derruba outro homem dizendo: “Você não sabe sobre mulheres. Você não tem esse tipo de conhecimento.” Uma bela mulher vem descendo a rua e os homens a observam e comentam, mostrando-a uns aos outros, Daí, Jackson, como um esperançoso pretendente entra no caminho dela. Os homens estão todos de pé à distância, observando, e o homem mais velho zomba-o: “O que eles está fazendo? Eu pesei ter dito a ele para ir para casa... Veja, ela vai ignorá-lo.” E ela ignora, enquanto o homem mais velho ri.

De repente, enquanto ela se afasta, Jackson grita, exigindo atenção. Ela não apenas o desapontou, ela o tornou alvo do ridículo por ignorá-lo. Ele tem que provar algo: para ela, para eles, para si mesmo.

Todos na rua, incluindo ela, observam enquanto ele começa cantar sobre como ela é bonita e faz alguns dos movimentos de dança dele, mas ela não fica impressionada. Ele está irado e pronto para provar algo, exatamente como todos os outros caras na rua e ela se afastam. Ele a persegue e ela tenta sair de perto dele, mas não consegue encontrar uma saída. Isso parece claustrofóbico: ele está pressionando muito, sendo muito agressivo e ela não gosta disso. Ela apenas quer se afastar dele.

Ele a segue enquanto ela passa por um homem velho que tinha sido amigo dele no início do vídeo, e, de repente, ele recorda o conselho do homem mais velho:

Eu tenho observado você. Você tem tentado agir como eles, os garotos, e eles não são nada. Por que você não é apenas você mesmo? Sabe, descer dentro e tirar o “você” para fora.
 

O protagonista começa a iluminar e ser mais brincalhão, deixando a personalidade dele brilhar. Ela passa por dentro de um carro estacionado e ele mergulha dentro atrás, com um chute das pernas no estilo Charlie Chaplin. (Como o próprio Jackson, Chaplin foi um destes raros performers que se sobressaiu tanto como entretainer quanto como artista). Ela ri e, pela primeira vez, começa a interagir com ele. Ela se junta ás amigas dela e, agora, ela pode se sentir segura e se divertir. Os amigos dele se juntam a ele e ele mostra a ela mais alguns dos movimentos de dança dele, mas ele está rindo e eles são quase uma paródia. Venha, ele está dizendo, cortejar é um jogo. Vamos brincar com isso. E ela brinca, vadiando com ele e as amigas dela, até mesmo experimentando o papel de perseguidora, ela mesma, pois ela o atrai para si e, depois, o afasta.

A atmosfera continua suave, enquanto eles começam a se conhecer, então, de repente, isso muda mais uma vez. Isso se torna sério, passional, um romance completo, e Jackson canta sem parar: “Não e da conta de ninguém, além de meu e de Meu Bebê.” Não é mais sobre conseguir o respeito dos outros caras. Isso é privado. Ironicamente, no entanto, esse é o momento quando ele se conecta mais profundamente com os amigos dele, mas não é mais a superficial exibição para os outros homens na rua. Em vez disso, ele está atravessando uma intensa experiência e os amigos dele entendem isso, eles sabem como é esse anseio e eles se conectam através deste entendimento compartilhado. A dança deles é sensual, quase primal. Importantemente ela os está observando, eles não a estão observando.

Depois da dança, ele desaparece. Agora, ele está mantendo os amigos dele e ela separados: ele não quer uma audiência quando ele está com ela. Nós ficamos com o ponto de vista dela, quando, mais uma vez, ela procura pela rua, mas dessa vez, em vez de procurar por uma saída, ela está procurando por ele. Apenas quando todos tinham ido, ele aparece.  O final é tranquilo e pessoal.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

M Poetica: A Arte de Desafio e Conexão de Michael Jackson: Dirty Diana


 

Dirty Diana


 

Jackson continua a explorar essas ideias em “Dirty Diana” do álbum de 1987 dele, Bad, nessa música tardia, Meu Bem está em casa, esperando por ele, enquanto ele sai à noite para se apresentar no palco. Desta fez, a outra mulher no triangulo é Diana, uma groupies que trama apara pegá-lo e outros músicos. O que faz de “Dirty Diana” uma música Michael Jackson tão distintiva, no entanto, é o complexo de emoções. Na longa estrofe do meio, ele muda a perspectiva de condenar a opinião do público dela – “Ela gosta dos garotos da banda [Ela é] fã de todo músico depois que as cortinas descem” – para ver a situação mais do ponto de vista dele. Na verdade, no fim dessa estrofe, ele primeiramente fala na voz dela – “Eu quero ir tão longe/ Eu serei seu tudo se você fizer de mim uma estrela” – como se ele tentasse entrar na mente dela e entender o que a motiva.

Este foco na perspectiva de Diana e o que a guia a agir como ela age é prenunciado em formas interessantes por um incidente quando Jackson tinha 14 anos de idade. Ele parou uma jovem garota, Rhonda, no caminho dela de encontrar um dos irmãos dele, como ela mais tarde disse ao biografo de Jackson, Randy Taraborrelli. Em um artigo para o Daily Mail, Tarborrelli recriou a conversa deles:

“Não vá”... Michael implorou a ela.

Rhonda perguntou por que não. “Meus irmãos não tratam as garotas muito bem”, ele respondeu. “Não vá.”

Rhonda ignorou o conselho dele e foi conduzida para fora, menos de uma hora mais tarde, se sentindo absolutamente usada.

Ela estava descendo a rua quando uma limusine branca Rolls Royce apareceu. Michael saiu e perguntou se ela tinha feito sexo com o irmão dele. “Sim”, ela respondeu e começou a chorar.

“Ele fez você fazer isso?”, ele perguntou. “Não”, ela disse. “Eu quis.” “Você quis?”, disse um atônito Michael. “Mas por que você iria querer?”

Essa é um pergunta interessante: por que uma jovem mulher se colocaria em uma posição de ser ferida e humilhada, especialmente quando ele a atinha avisado de que isso aconteceria. O que exatamente ela estava pensando? O que a motivou?

Quando Jackson e os irmãos dele estavam começando, o pai deles os levou para se apresentar em qualquer lugar que ele pôde e não era incomum para eles ser o ato de abertura em boates que apresentavam strippers e travestis. Em uma entrevista em 1977, um jovem Jackson descreveu um estático Jackson ainda mais jovem assistindo a um desses atos: “Eu tinha por volta de seis, e ela estava em um desses strip-teasers e ela tirou a lingeries dela e um homem viria e eles começariam a fazer: ah, cara, ela é tão demais”. Portanto, desde uma tenra idade, Jackson teve um complexo ponto de vantagem a partir do qual ver sexualidade humana – como arte, ilusão, poder e competição, comércio e negociação, bem como desejo. Groupies e fãs obsessivas logo se tornar uma parte sem fim da vida de Jackson também, complicando essa visão dele ainda mais.

Em “Dirty Diana”, Jackson descreve groupies e a humilhação em que elas se colocavam em termos absolutos. Como Diana diz: “Faça o que você quiser... eu serei a aberração que você pode insultar”. Mas, então, ele olha para as dinâmicas a partir do ponto de vista dela, procurando responder a uma pergunta que ele fez quando um menino de 14 anos de idade, tentando proteger uma groupies de ter os sentimentos dela feridos: por quê? Por que ela faz isso? A resposta de Jackson é que, ironicamente, ela vê isso como uma forma de conseguir respeito, juntamente com refletida fama e um escape para os problemas de todo dia: “Ela espera... por aqueles que têm prestígio/ Que prometem fortuna e fama, uma vida que é tão livre de problemas”. E ela quer ser “uma estrela” ela mesma, ou, pelo menos, capturar um pouco de poeira de estrela do artista.

Importantemente, a resposta que Jackson sugere em “Dirty Dina” é muita humana. Muitos de nós queremos respeito e apreciaríamos uma vida sem problemas se tal coisa fosse possível, e o próprio Jackson poderia, certamente, se identificar com esse desejo de ser uma estrela. Nós podemos nos sentir desconfortáveis com Diana e quer diferenciá-la de nós, mas Jackson rejeita isso. Ele não nos permite simplesmente dispensá-la como uma demente perseguidora ou uma enlouquecida viciada em sexo. Na verdade, se nós aceitarmos os motivos que Jackson atribui a ela – um anseio por respeito, conforto, segurança e fama – nós não podemos negar que ela é uma de nós.

Jackson, dessa forma, trabalha para humanizar Diana, mas ironicamente isso a torna mais perigosa para ele, desde que isso diminuiu a distancia emocional entre eles. Se você pode se convencer de que alguém é um monstro, algo não humano, é mais fácil ignorá-lo, ou simplesmente usá-lo e ir embora. Isso é mais difícil quando você começa olhar para eles com empatia e entendimento.

Assim como com Billie Jean, o protagonista encontra-se emocionalmente atraído por Diana – poie ele diz “Ela me amarrou no coração dela” – e ele contempla realizando as fantasias dela. Diana pede a el para vir para o lugar dela e ele considera isso. Ele imagina chamar Meu Bebê no telefone  e dizer a ela para não se preocupar, que ele vai se atrasar e que deixe a porta destrancada. Mas exatamente como Billie Jean machucou Meu Bebê, mostrando a ela a foto do filho “cujos olhos pareciam com os meus”, Diana machuca Meu Bebê por dizer no telefone “Ele não voltará porque ele está dormindo comigo”.

O vídeo enfatiza que essa parte da narrativa é toda imaginada, uma história que o protagonista canta no palco, como parte da performance dele. Mas quando o vídeo termina, Jackson, o protagonista/performer deixa o palco, abre a porta do carro dele e encontra Diana esperando lá dentro. De repente, as fantasiosas imaginações dele se tornaram uma questão que ele tem que responder agora mesmo. O que ele deveria fazer? Como ele deveria responder a essa mulher no carro dele. O que é a coisa certa a fazer. A coisa compassiva a fazer, quando tantas pessoas querem desesperadamente chegar a você segurar?

Isso era uma pergunta crucial para Jackson. Em uma entrevista em 1980, três anos antes do lançamento de Billie Jean, a mãe de Jackson falou sobre os problemas do filho dela com a fama dele e a audiência dele.

Michael está quieto agora. Quando ele era mais jovem, ele não era quieto assim. Mas eu não sei, talvez o palco tenha feito isso a ele, porque onde quer que ele vá, todo mundo vêm para ver Michael Jackson, você sabe,  esperando olhar para ele, ver como ele está, e ele diz que se sente como um animal em uma jaula.

Talvez o maior presente de Jackson como um artista – mais do que as letras, a dança e a voz dele – fosse a habilidade dele em enfatizar e se conectar emocionalmente com uma audiência. Talvez a trágica fraqueza dele fosse a luta por interagir com e lidar com essa audiência quando ele estava fora do palco.

Jackson se refere a esse conflito implicitamente em Billie Jean e Dirty Diana. Em ambas, Meu Bebê pode ser interpretada como representando a vida privada dele – ela conhece e se preocupa com a pessoa que ele é fora do palco. Em contraste, Billie Jean e Diana podem ser vistas como representando a audiência dele. Elas estão atraídas pela dança desse a fama dele, o dinheiro dele – a ele como uma figura pública –, mas elas não o conhecem como pessoa.

 E, assim, Jackson se encontra em uma posição difícil com impulsos conflituosos. Ele é atraído e grato à audiência dele, e ele precisa deles: ele é envolvido pela energia deles enquanto ele performa, eles são a razão por que ele performa. Porém, ao mesmo tempo, eles ameaçam invadir e destruir a vida privada dele, exatamente como Billie Jean e Diana tentaram afastar Meu Bebê. Significativamente, ambos os vídeos terminam com o protagonista indeciso, incerto sobre o que fazer, como negociar essa complicada relação entre o público e o privado.

Jackson também cria uma surpreendente sensível esboço da interação com entre poder e desejo em Billie Jean e Dirty Diana. Um menos mediano pensador pode desenhar as duas pequenas personagens simplesmente como ávidas mulheres lá fora para enganar um homem famoso, mas Jackson as humanizam e sugere que elas estão tão presas quanto o protagonista, se não mais. Ele é livre para ir embora, se ele quiser, mas Billie Jean tem um bebê e poucos recursos, enquanto Diana está presa em um ciclo de humilhações. Além disso, um compositor menos simpático poderia declarar que elas merecem o destino delas – que é justiça poética de que elas se tornam presas enquanto tentam prender outros –, mas Jackson rejeita também, Ele vive no mesmo mundo complicado que elas, e ele entende que desejo é raramente puro, raramente livre de pensamentos de poder, controle e “prestígio”.