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domingo, 13 de janeiro de 2013

M Poetica: A Arte da Conexão e Desafio de Michael Jackson







 



M Poetica

 

A Arte da Conexão e Desafio de Michael Jackson

 

Segunda Edição

Por Willa Stillwater

2013

Tradução de Daniela Ferreira para o blog The Man in the Music

 

 

Diga toda a verdade, mas diga-a de viés

Sucesso em Circuitos de mentiras

Muito brilhante para nosso débil Prazer

A soberba surpresa da Verdade

Como Iluminando as Crianças iluminadas

Com explanação gentil

A Verdade deve deslumbrar gradualmente

Ou todo homem é cego...

 

Emily Dickinson

 

Conteúdo

Capítulo Um: “Isto É Assustado para Você, Baby?”

Este capítulo trata de vídeos selecionados e mostra que, através da arte dele, Jackon estava engajado em uma conversa sem fim sobre o papel o artista, o relacionamento do artista com a audiência dele e a função do poder da arte.

 

Billie Jean

Dirty Diana

The Way You Make Me Fell

Beat It

Bad

Jam

Blood on the Dance Floor

Stranger in Moscow

Ghost

Scream

 

Capítulo Dois: “Eu Sou a Besta que Você Visualizou?”

 

Este capítulo foca nas percepções em torno das alegações de abuso sexual infantil, em 1993, assim como na complexa relação entre percepção e crença.

 

O Dentista

A Polícia

As Crianças

O Artista

A Mídia

 

Capítulo três: “Isto É Realismo para Você, Baby?”

 

Este capítulo examina o escândalo das cirurgias plásticas como uma reação às alegações de 1993 – uma reação que se destaca a medida que a crença forma a percepção.

 

Meio de Ver

Atos de Mistificação

A Tela em Branco

Ato Dois

A face de Um Artista

Bruxas e Monstros

 

Capítulo 4: “Como Se Sente?”

 

Este capítulo sugere um teórico quadro de trabalho para interpretar a obra de Jackson e examina as ideia dele sobre arte como uma agente de mudança social – principalmente a habilidade da arte em remodelar a forma com nós percebemos e reagimos a diferenças raciais e outros significados culturais

 

As Politicas de Sensações Físicas

Ben

O Cordeiro, a Cabra e o Rato

Thriller

Negro, Com Uma Face Branca

Inocente, Mas Não Puro

 

 

Capítulo Cinco: “Isto Poderia Ser Um Lugar Melhor”

 

Este capítulo foca no complicado relacionamento de Jackson com hip hop como outro exemplo das ideias dele sobre arte e mudanças sociais.

 

Beat It, Revisitada

Bad, Revisistada,

The Way You Make Me Feel, Revisitada

Jam, Revisistada

 

Capítulo Seis: “Renda-se a Mim”

 

Este capítulo toma uma abordagem mais sistemática em explicar as ideia de Jackson sobre arte e coloca essas ideias dentro de contexto histórico.

 

Arte Como Entretenimento

Arte Como Agente de mudanças Sociais

A Poder de Conexão da Empatia

O Perturbador Poder do Grotesco e Abjeto

A Arte das Ideias

A Arte da Celebridade

A Arte Como Trapaceira

 

Capítulo Sete: “Você É Apenas Outra Parte de Mim”

 

Este Capítulo olha para envolvente narrativas culturais e mostra como, através da arte dele, Jackson ajudou a reescrever algumas dessas narrativas que molda nossas vidas.

 

Earth Song

Smooth Criminal

Notas Bibliográficas

Índice de Discussões Adicionais do Dancing With the Elephant

Sobre a Autora

Capítulo 1

sábado, 12 de janeiro de 2013

Celebarndo Bad: Leave Me Alone


Celebrando Bad: Leave Me Alone
 
 
 

26 de setembro de 2013

Postado por Willa e Joie
Tradução de Daniela Ferreira para o blog The Man in the Music
Comentários em azul são da tradutora
 
 
 

Willa: Então, esta semana estamos encerrando a nossa celebração do mês de Bad, mas isso não significa que estamos deixando para trás. Eu imagino que vamos falar um pouco sobre Bad, Bad 25, e as faixas adicionais, e o DVD de concerto, e do documentário de Spike Lee também. Há um monte de coisas interessantes para discutir!

Mas esta semana estamos concluindo a nossa celebração com um olhar para Leave Me Alone, que é uma das críticas mais afiadas e mordazes que Michael Jackson faz à mídia de celebridades – tudo contido em um vídeo divertido e muito engraçado. E você sabe, Joie, uma das primeiras coisas que me chama a atenção são todas as imagens de confinamento que vemos no vídeo. Aldebaranredstar falou sobre o tema de aprisionamento em um comentário sobre Dirty Diana há algumas semanas, e nós definitivamente vemos isso aqui também. Tanto ele como Bubbles são retratados com uma bola e uma corrente presa aos tornozelos deles, e correntes nos pulsos. Vemos também uma figura liliputiana em uma estaca cordas para segurá-lo, e, mais tarde, descobrimos que um parque temático inteiro foi construído no corpo reclinado dele. Mais sutilmente, podemos vê-lo envolto em fotografias sensacionalistas, e uma nota de dólar.

Mas importante, ele subverte todos estes esforços para constranger e defini-lo. Essas imagens estáticas dele não são estáticas absolutamente – elas se movem e cantam, como os retratos em um filme de Harry Potter. Ele dança com a bola e correntes, por isso torna-se nada mais do que um palco sustentado em um ato Vaudeville. E, finalmente, ele se liberta da indústria casa de diversão que se construiu sobre ele e o corpo dele.
Joie: Willa, eu acho que é muito interessante que você tenha acabado de se referir ao parque de diversões que está restringindo-o como uma "indústria de casa de diversão", porque isso é uma metáfora realmente para a fama e os negócios de ser uma celebridade. E eu sempre pensei que o vídeo Leave Me Alone foi simplesmente brilhante, por causa dessa imagem no final, quando descobrimos que todas as cenas que acabamos de testemunhar são, em última análise, uma parte desse parque de diversões gigante – ou "casa de diversão" – que a mídia tem, presumivelmente, construído em torno de Michael Jackson. Isso foi uma ideia simplesmente genial e tão perfeita para o conceito de um vídeo para essa música em particular.

Willa: Eu concordo. Ele maravilhosamente capta de forma visual como toda uma indústria construiu-se sobre ele – e se você pensar sobre isso, isso é realmente verdade.

Joie: É verdade. Na verdade, eu acho que um argumento poderia ser feito de que o estado atual das coisas, com a mídia sentindo que tem direito a todos os aspectos da vida pessoal de uma estrela, começou com o tratamento de Michael Jackson.

Willa: Bem, eu não sei. Quer dizer, parece que houve pessoas como Hedda Hopper e Louella Parsons desde os primeiros dias da indústria do cinema – ou, pelo menos, a na adolescência dela – e eles poderiam tornar a vida muito miserável para celebridades. Você definitivamente não iria querer tê-los no seu rastro se você fosse um ator gay na década de 50. E, realmente, a imprensa sensacionalista tem sido parte da vida dos americanos desde antes de sermos uma nação. Na verdade, tem sido sugerido que a revolução americana não poderia ter acontecido se não tivesse sido os panfletários agitando as coisas. E alguns dos ataques políticos iniciais foram chocantes – histórias escandalosas de corrupção e libertinagem e filhos ilegítimos, sem base na realidade.

Joie: Bem, isso tudo pode ser verdade, mas Willa, eu acredito que o tratamento dos meios de comunicação a Michael Jackson bateu um All Time Low e pavimentou o caminho para os extremamente intrusivos paparazzis estilo valentões agressivos que todos amam tanto. E eu acho queno curta-metragem Leave Me Alone curta-metragem, Michael torna bastante claro como ele se sentia sobre o comportamento da mídia.

Willa: Eu vejo que você está dizendo, Joie – eu realmente vejo –, mas você sabe, isso é problemático. Quer dizer, quando ele estava criando esse vídeo, ele obviamente queria expressar os sentimentos dele sobre a imprensa sensacionalista e o que parecia ser o assunto de tanto escrutínio público e especulações. E se ele realmente odiava isso, você pensaria que ele a representaria de forma inequívocamente horrível – como sendo torturado pela Inquisição, ou grelhado durante as audiências de McCarthy, ou mordiscado até à morte por formigas, ou perseguidos por hienas selvagens, ou picado por um enxame de abelhas assassinas, ou algo angustiante assim.
Mas ele não faz. Ele descreve isso como um passeio por um parque de diversões, com espetáculos e uma atmosfera carnavalesca. E aqui está o kicker – Michael Jackson amava parques de diversões e sideshows e carnavais. Ele realmente admirava P.T. Barnum (há uma foto dele na capa do álbum Dangerous) e Barnum era especializado em manuserar o interesse público em esquisitices humanas e animais e "freak shows" –, precisamente o tipo de atrações sideshow que vemos todo Leave Me Alone.
E realmente, o humor desse vídeo não é de raiva ou ressentimento. Ele parece mais divertido do que com raiva, e incrédulo que as pessoas realmente acreditem nestas coisas malucas. Ele está sorrindo por grande parte do vídeo enquanto ele passeaia por todas essas exposições – de fato, ele sorri mais neste vídeo que qualquer outro vídeo que eu possa pensar. Em um ponto, ele realmente cai na gargalhada, o que nos dá uma pista para a pergunta que ele pede repetidamente nas letras: "Quem está rindo, meu bem?"
Aparentemente, a resposta correta é Michael Jackson. Os tabloides estão tentando transformá-lo em um objeto do ridículo, mas ele é quem está rindo.

Joie: Isso é verdade, Willa. Ele está sorrindo muito nesse vídeo, embora eu pense que ele realmente sorri mais no curta-metragem Speed ​​Demon.

Willa: Ah, você está certa! E, curiosamente, esse vídeo fala sobre celebridades também – sobre ser perseguido por fãs obsessivos.

Joie: Sim, é verdade, mas nós estamos saindo um pouco do tópico. Eu concordo com você que a crítica dele aos meios de comunicação nesse vídeo é muito sutilmente feita e ele máscara isso bem com toda a abordagem "casa de diversão". Mas eu acredito que o desdém dele para com a mídia está realmente escondido à vista de todos aqui. Você está certa sobre que ele amava parques de diversão, eles eram uma das coisas favoritas dele no mundo, e a admiração dele por PT Barnum é bem conhecida. Mas eu acho que é muito revelador que ele tenha se colocado como sujeito de todas as atrações e esquisistices do "Freak Show" no qual ele está passeando. E enquanto essas atrações Fun House são destinadas a zombar de alguns dos mais persistentes – e mais ridículo – rumores nos tablpides sobre a vida dele, a mensagem dele é muito clara, eu acho. No livro dele, Man in the Music, Joe Vogel nos diz:

“Durante anos, a imprensa – mainstream e tabloide igualmente – alimentaram-se de Michael Jackson como de nenhuma outra estrela pop na história. "Leave Me Alone" é a expressão de exasperação dele a uma mídia e público que crescem insaciáveis.”

E, de fato, em uma entrevista sobre a música em si, Michael disse o seguinte:
"Eu estou enviando uma mensagem simples aqui: Deixe-me em paz. A canção é sobre um relacionamento entre um rapaz e uma menina, mas o que eu realmente estou dizendo para as pessoas que estão me incomodando é: ‘Deixe-me em paz! ’”.

Eu não acho que você possa ser muito mais claro do que isso.

Willa: Isso é verdade, e eu acho que é significativo que um dos tabloides seja intitulado de O Intruso. Eu também acho que é muito interessante que na entrevista ele tenha explicitamente ligado as letras "sobre um relacionamento entre um rapaz e uma menina" com o relacionamento dele "com as pessoas que estão me incomodando", como jornalistas e os paparazzi. Esse é um padrão que vemos em muitas das canções dele e algo sobre o que nós já conversamos um pouco no passado, mas eu nunca tinha ouvido falar de Michael Jackson discutir essa conexão antes. Isso é muito interessante.

Mas Joie, eu também amo o que você disse sobre como "ele se coloca como sujeito de todas as atrações e esquisistisses de “freak show” que passia. Isso é um ponto tão importante, eu acho. Ele se posiciona como o "freak" no "show de horrores" e exagera tais proporções escandalosas, com uma das manchetes dos tablóides, gritando, "O 3º Olho de Jackson Começa a Moda Óculos Escuros" e outro, “Michael e Diana São a Mesma Pessoa!”.

Joie: Eu aposto que ele se divertiu chegando com essas manchetes!
 

Willa: Oh, eu aposto que ele se divertiu também! Mas a resposta dele a tudo isso é interessante. Ele não nega essas histórias – elas são muito ridículas para que ele se preocupe com elas – e ele certamente não tenta nos convencer que é normal. Em vez disso, ele celebra a diferença, como ele sempre fez. Então, parece-me que há uma dupla mensagem interessante aqui. Por um lado, ele não gosta de ser chamado de louco (o que traz à mente que o confronto entre o prefeito e o Maestro em Ghosts), mas ao mesmo tempo, ele parece estar dizendo que está tudo bem ser diferente e um tipo de celeridade esquisita.

Joie
: Sim, eu concordo com isso. E eu acho que é uma mensagem que ele tentou passar para nós, muitas vezes. Está em muitas das músicas e vídeos dele, se você pensar sobre isso.

Willa: Está realmente – desde "Ben", que, como se sabe, tem um lugar muito especial para mim. Mas tudo isso me faz lembrar de P.T. Barnum novamente. Há pessoas que, não por culpa própria, são tratadas como esquisitas – por causa da altura ou do peso ou a pigmentação ou algum outro atributo físico. É completamente injusto, e geralmente é considerado educado fingir que não há nenhuma diferença, enquanto secretamente se está sentindo que há. Mas Barnum não fez a coisa educada. Ele contratou pessoas que estavam nessa posição e as colocou em exposição, mas ele também as tratou como pessoas. Tom Thumb era a mais famosa "descoberta" dele, e os dois se tornaram amigos próximos e excursionaram pela Europa juntos – e se tornaram celebridades juntos.

Isso tudo é muito problemático, mas eu acho que é importante que Barnum tenha insistido na humanidade de cada pessoa, incluindo pessoas que foram muitas vezes tratadas como párias pelas próprias comunidades. Como ele disse em um discurso apaixonado para o Senado do estado de Connecticut, quando eles estavam debatendo os direitos dos escravos libertos após a Guerra Civil:

“A alma de um humano... não é para brincadeiras. Ela pode habitar o corpo de um chinês, um turco, um árabe ou um Hotentot – ainda é um espírito imortal.”
 
 
"Hotentote" é uma espécie de insulto inventado por brancos para designar certas tribos, incluindo o povo da personagem principal do filme Vénus Negra (realizado por Abdellatif Kechiche).
 
 
Eu vejo que a insistência sobre a humanidade de todas as pessoas, incluindo as pessoas injustamente rotuladas como aberrações, continuando em Michael Jackson – só que neste caso, a pessoa em exibição é ele mesmo. Ou melhor, ele está em uma posição dupla: ele é o objeto do espetáculo, mas ele também o testemunha e o comenta ao mesmo tempo.

Joie: Hmm. Eu vejo o que você está dizendo e eu concordo com você, Willa. Barnum insistiu na humanidade deles, e isso me faz pensar na velha entrevista Ebony / Jet que ocorreu logo após o lançamento do álbum Bad. O jornalista pergunta a Michael sobre o gosto dele por John Merrick, o Homem Elefante, e ele diz que a parte favorita do filme é onde Merrick grita: "Deixe-me em paz! Eu não sou um animal. Eu sou um ser humano!" O que eu amo sobre essa parte da entrevista é que, antes mesmo de o entrevistador poder dizeras palavras, Michael já citou a parte sobre qual ele estava falando. E que citação é! Não só é perfeita para essa discussão que estamos tendo, mas também poderia descrever o próprio Michael.
Willa: É realmente possível – e é tão interessante que começa com o título do vídeo – "Leave me Alone!" – E que Merrick esteja gritando isso. Isso é fascinante. Eu me pergunto se é daí que o título veio?

Joie: O título da música? Eu não sei, isso é uma pergunta interessante. E é fascinante, não é? Nessa entrevista, Michael diz ao entrevistador que ele se identifica com John Merrick: "Eu sinto uma proximidade com [ele]", diz ele. Você sabe, a mídia sempre tentou fazer disso algo estranho, mas na realidade, é uma coisa muito compassiva ter uma predileção por John Merrick.

Willa: Eu concordo.

Joie: Na verdade, muito antes do boato de Michael queria comprar os ossos do Homem Elefante, eu desenvolvi meu próprio gosto John Merrick. Eu não vejo como alguém poderia ver esse filme e não se gostar dele. Ou, no mínimo, ter um pouco de compaixão pelo homem. Ele era – como ele disse – um ser humano! E eu acho que foi tal movimento ousado e divertido para Michael destacar tal rumor particular curta-metragem Leave Me Alone à maneira como ele faz, dançando com os ossos do Homem Elefante. Eu acho que é hilário!

Willa: Ah, é maravilhoso! É como uma engraçada, estranha cena carnavalesca Vaudeville – quem iria imaginar uma coisa dessas? Mas também é importante, eu acho, que ele e os ossos do Homem Elefante estão dançando lado a lado. O que traz de volta o que você estava dizendo antes, Joie, sobre como ele se posiciona nesse vídeo como um dos espetáculos. Eu acho que é muito importante que ele e o Homem Elefante estejam, ambos, em exibição, dançando os mesmos movimentos em conjunto, por isso são claramente apresentados como iguais nessa cena. É como ele se ele tivesse criado uma representação visual do que ele disse ao entrevistador – da conexão que ele sente pelo Homem Elefante.


E importante: Merrick tentou fazer as pessoas entenderem o quão doloroso era estar nessa posição – sempre em exposição, sempre tratado como diferente –, gritando: "Deixe-me em paz! Eu não sou um animal. Eu sou um ser humano!", como você citou anteriormente. E eu acho que é exatamente o que Michael Jackson está nos dizendo nesse vídeo também. Ele está ocupando uma posição dupla – como espetáculo e como observador do espetáculo – e ele nos está incentivando, como uma audiência, a considerar essa situação a partir de ambas as perspectivas e considerar o que deve ser se sentir com ele.


 
Joie: É muito brilhante realmente. E você está certa. Quem poderia pensar em tal conceito, além de Michael Jackson? O vídeo foi dirigido por Jim Blashfield e ele realmente ganhou um Grammy em 1988 por Best Music Video Short Form. Ele também ganhou um MTV Video Music Award de Melhores Efeitos Especiais em um vídeo. E, como sempre, eu me pergunto o quanto do conceito foi do diretor e quanto era de Michael. Ele disse a um entrevistador da MTV, em 1999, que ele sempre foi muito envolvido no processo de concepção, e Joe Vogel nos diz em Man in the Music que Blashfield dirigiu "com a contribuição de Jackson".
 

Willa: Ah, eu acho que ele estava muito envolvido. Se ele tivesse um ou dois vídeos excepcionais para nome dele, então você poderia pensar que era apenas o trabalho do diretor. Mas quando você considera que ele fez um filme excepcional após o outro, com cerca de 30 diretores diferentes, e o único elemento comum era ele – bem, então, em algum ponto você tem que concluir que a verdadeira presença guiando atrás do trabalho foi Michael Jackson.
 
 
Alpha

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Nós Somos Para Sempre


 
Nós Somos Para Sempre

 

 

 

Por Joie e Willa, em 10/01/2013

Traduzido por Daniela Ferreira para o blog The Man in the Music

 

Joie: Então, Willa, eu tenho pensado muito ultimamente sobre todas as músicas de Michael Jackson que ainda estão "no cofre", por assim dizer. Você sabe, todos aquelas músicas inéditas que poderemos ou não chegar a ouvir, ou aqueles que vazaram ao longo dos anos e soam muito bem acabadas, mas, ainda não foram lançada em um álbum real (eu estou pensando especificamente em "Slave to the Rhythm" e "Blue Gangsta" aqui, mas existem outras). E eu me pergunto se você vislumbrar essas músicas lançadas em um futuro álbum póstumo.

Willa: Eu não sei. Espero que sim, embora eu possa entender como o Espólio pode se sentir um pouco cauteloso após o álbum Michael e toda a controvérsia que gerou. É uma questão complicada, como falamos na última primavera, com conhecimento, pessoas bem intencionadas apaixonadamente comprometidas com pontos de vista muito diferentes. E, realmente, há argumentos válidos levando-me em direções diferentes sobre isso.

Joie: Eu sei, eu também. Ambos os lados têm realmente maravilhosos argumentos válidos e é fácil de ver os méritos de ambos. E pensar sobre tudo isso me fez dar uma olhada no material que foi lançado desde que Michael se foi, três anos e meio atrás. Especificamente, eu estive olhando o álbum Michael e, você sabe, eu não posso culpar o Espólio por estar confuso ou cauteloso neste momento. A reação dos fãs a essse álbum foi tão dividida ao meio e tão cruel. De um lado, você tinha os fãs que realmente queriam esse álbum e estavam tão ansiosos para ouvir material novo e inédito em qualquer forma. Mas então, do outro lado você teve a facção muito grande de fãs que não querem veementemente que qualquer trabalho de Michael seja tocado ou "acabado" por outros produtores e só queriam que o material fosse liberado "como está".

Willa: E então há fãs conflitantes como eu, que estão de acordo com ambos os lados. Eu acho que é muito importante que outros artistas possam reinterpretar o trabalho dele - muito importante - mas eu também quero saber qual era a visão dele, e como a obra “inacaba” parecia.

Joie: É meio que como se eles estarão condenados se o fizerem e condenados se não o fizerem.

Willa: Mas por que não podemos ter os dois – novo material lançado "como está", ao lado de versões mais polidas, completados por outros?

Joie
: Eu não sei, por que não podemos ter os dois? Isso soa como um compromisso maravilhoso para mim e dá aos fãs - todos os fãs, de ambos os lados dessa questão -d exatamente o que eles querem. Mas nós estamos desviando um pouco aqui.
O que eu realmente queria falar é sobre o álbum Michael. Ou melhor, uma música específica desse álbum – "Best of Joy". Então, como você sabe, Willa, esae não é apenas a minha favorito das novas músicas que ouvimos desde a morte de Michael, ela rapidamente se tornou um das minhas mais músicas favoritas de sempre. Eu adoro essa música.

Willa: Eu sei - na verdade, eu mentalmente a renomeei de "Best of Joie" só porque você a ama muito...

Joie: É muito especial para mim por muitos motivos. Uma delas é o fato de que foi a última canção que Michael trabalhou em um estúdio antes de morrer. Eu considero esse conhecimento tão tocante e tão poderoso de alguma forma, porque, para mim, a letra dessa canção quase soa como se ele estivesse dizendo adeus.

Eu sou sua alegria
Sua melhor da alegria
Eu sou a luz do luar
Você é a primavera
Nosso amor é uma coisa sagrada
Você sabe que eu sempre vou te amar
Sou eternamente
Eu sou seu amigo
Por grosso e fino
Precisamos um dos outro
Nós nunca nos separaremos
Nosso amor é do coração
Nós nunca dizemos que eu não preciso de você
Nós somos para sempre


Por toda essa música, é como se ele estivesse nos lembrando de como é grande o seu amor por nós e o quanto significa para ele, e, então, com o refrão repetido de "eu sou sempre, estamos sempre", é como se ele estivesse assegurando que não importa o que aconteça, o amor dele por nós nunca morrerá. É como verso do velho poema de Dylan Thomas:

Embora os amantes estejam perdidos, o amor não irá
E a morte não terá nenhum domínio

 
Willa: Ah, eu adoro essa conexão com Dylan Thomas, Joie! E vemos a ideia de "morte não terá domínio" em uma série de canções e filmes de Michael Jackson - por exemplo, em "Heaven Can Wait", onde ele canta, "Se os anjos vieram para mim, eu digo não”.
Joie: Ah, eu não tinha pensado nisso antes, Willa, mas você está certa. Eu acho que é um tema que ele tem usado antes. Mas por alguma razão, pelo menos para mim"Best of Joy" realmente parece enfatizar esse tema. Como em "Heaven Can Wait", ele nos está contando uma história de dois amantes na qual o homem está pensando o que ele faria se a morte tentasse separá-los. Mas em "Best of Joy", o conto dele é mais pessoal de alguma forma. É uma mensagem que ele está tentando urgentemente passar, antes que seja tarde demais.


Eu sou seu amigo

Por grosso e fino

Precisamos um do outro...

Nosso amor é do coração...

Nós somos para sempre



É como se ele no estivesse incitando: "Não se esqueçam! Não se esqueçam o quanto eu os amo, não se esqueçam o quanto nós significava um para o outro. Lembre-se sempre!” Ou talvez eu apenas esteja indo longe demais nisso, porque eu estava sofrendo a primeira vez que o mundo ouviu essa música. É verdade, eu tenho uma ligação muito emocional a essa música. Eu ainda não a escutei sem acabar em lágrimas.

Willa: Ele é muito poderoso, e é interessante para mim que você vê-la não apenas como uma canção de amor, mas também como uma música para o público dele. Eu não tinha pensado nisso dessa forma.

Joie: Sério? Veja essa é outra razão que se destaca para mim. Porque eu realmente nunca pensei nisso como uma canção de amor no sentido tradicional absolutamente. Não em um tipo "romântico", eu quero dizer.

Willa: Ah, eu concordo. Quer dizer, eu posso ver essa música como um conto romântico de um amante para outro, mas sempre me pareceu muito mais que um romance também. Como já falamos antes, Michael Jackson gosta muito de mudar o ponto-de-vista nas músicas dele, então eu sempre gosto de perguntar: Quem é o "você" nesta canção - quem exatamente está sendo tratado? E quem é o "eu" nesta música? Quem está falando? Às vezes, parece ser Michael Jackson, mas às vezes é uma persona, ou outro personagem, ou alguém muito diferente do próprio Michael Jackson. Nós conversamos sobre isso com “Money" em um post no outono passado. Vemos várias perspectivas, frequentemente, no trabalho dele, onde ele adota o ponto de vista de outros personagens e fala com a voz deles.

Vejo isso em "Best of Joy", também, mas com uma torção. Para mim, Michael Jackson está nessa música, mas ele não é o "eu" - ele é o “você” - Em outras palavras, essa não é uma canção dele, mas para ele. Essa é uma canção de confiança e carinho a ele. E a voz cantando para ele é a própria música. A música era o "amigo dele / através de grossas e finas". Musica estava lá para ele quando todos o abandonaram, e Música o reviveu quando "nada iria animá-lo". A música era a "Best of Joy" dele:



Eu sou o único que disse que você é livre
Quando a vida parecia tão difícil de ser
E nada o animaria
Sou eternamente
Não fui eu que o carreguei em volta
Quando todas as paredes vieram abaixo?
Quando as coisas o machucariam?
Sou eternamente (eu sou eternamente)
Nós somos para sempre (nós somos para sempre)


A música é para sempre, a música estava sempre lá para ele, e música é o que o "carregou", "quando todas as paredes vieram abaixo".


Esse verso, em particular, é interessante porque lembra a batalha de Jericó. Você provavelmente conhece muito mais sobre isso que eu, Joie, mas a história de Jericó é sobre uma "batalha", que foi ganha sem qualquer luta. Em vez disso, foi a música que fez "as paredes ruir" - com exceção de um apartamento. Essa parte do muro, que era um apartamento, foi poupado. Assim, a música ganhou a batalha de Jericó sem uma batalha ser travada, e música preservou a família no apartamento "quando todas as paredes vieram abaixo".
Eu não sei exatamente o porquê, mas eu sempre vi "Best of Joy" como uma canção de Música para ele, uma canção de garantia de que a música estará sempre lá para ele. Acho que, talvez, seja porque essa música me faz lembrar de "Music and Me", tão bela canção, que ele cantou quando um menino de 15 anos de idade. É outra música que ele está cantando sobre uma amizade para sempre, mas essa amizade não é com outra pessoa. É com a música:

Estamos tão próximos quanto dois amigos podem estar
Houve outros
Mas nunca dois amantes
Assim como a música... a música e eu


Joie: Oh, meu Deus, Willa... Eu amo essa interpretação! E é engraçado para mim que você centrou em Michael em ser o "você" nessa canção, porque eu sempre senti isso também. E desde que me tornei sua amiga e li M Poetica, aprendi que há sempre muitas maneiras de interpretar uma canção. Qualquer música, desde que a interpretação possa ser suportada pelas letras, é válida. Então, essa música, para mim, tem muitas interpretações diferentes, e enquanto eu, principalmente, vejo-a como uma música de Michael para a audiência dele, eu também a vejo como uma música para ele, como você acaba de sugerir. Só que eu nunca pensei sobre música sendo o "eu" aqui, até que você acabou de dizer isso, e faz todo o sentido. Mas para mim, o "eu" nessa música foi sempre Deus.

Como todos sabemos, Michael sempre foi uma pessoa muito espiritual, muito religiosa e tinha uma longa e estreita relação com Deus. E quando eu penso sobre a música dessa forma, ela também faz muito sentido para mim. Esses mesmos versos que você apontou anteriormente têm um significado tão grande ao ver a música nesse contexto, bem como:


Eu sou o único que disse que você é livre
Quando a vida parecia tão difícil de ser
E nada o animaria
Sou eternamente
Não fui eu que lhe carreguei em volta
Quando todas as paredes vieram abaixo?
Quando as coisas o machucariam?
Sou eternamente (eu sou eternamente)
Nós somos para sempre (nós somos para sempre)




E você sabe, eu realmente acredito que essa interpretação é o que ressoa tão profundamente comigo e é uma grande parte da razão que eu acabo em lágrimas sempre que a ouço. Sim, essa música se sente como uma despedida para mim. Como se Michael estivesse dizendo que ele tem que sair agora, mas me lembrar de que ele sempre vai me amar. Mas também me faz pensar sobre Deus, e sobre o meu relacionamento com ele e como Ele sempre foi bom para mim. É uma música muito emocional para mim por ambas as razões.


Willa: Uau, Joie, essa uma interpretação realmente poderosa, e ela realmente abre as coisas, não é? Michael Jackson era uma pessoa muito espiritual, como você diz, de modo que a interpretação parece muito fiel a quem ele era e a visão dele do mundo. Mas colocar as duas interpretações lado a lado - que o "eu" é Deus e que "eu" é a Música - faz-me lembrar de algo mais sobre o que nós falamos um par de vezes: para ele, parecia haver uma ligação profunda entre a vida espiritual e a vida criativa dele. Ele via o talento e a criatividade dele como dons sagrados, pelos quais ele era tão grato. É como se ele sentisse uma confiança sagrada em usar os dons que tinham sido dados a ele com o melhor das habilidades dele.

Ele também freqeentemente falou sobre como ele realmente não escrevia as canções dele - não é assim que o processo criativo dele parecia para ele. Em vez disso, as canções eram como presentes de cima que cairam no colo dele, e o papel dele como um compositor era ser receptivo a elas. Na verdade, Gennie nos enviou um e-mail sobre essa ideia na semana passada: era um link para uma palestra TED por Elizabeth Gilbert, autora de Comer, Amar, Rezar, onde ela discute o processo criativo. O principal ponto de Gilbert é que a forma como tendem a conceituar a criatividade no mundo moderno como o trabalho de um gênio solitário pode ser psicologicamente prejudicial para os artistas. Então, ela pesquisou como outras culturas viam a criatividade, e ela acha que os gregos e os romanos tinham um modelo muito mais saudável. Como ela diz:

"Grécia Antiga e Roma Antiga - as pessoas não acontecem de acreditar que a criatividade veio de seres humanos naquela época. As pessoas acreditavam que a criatividade era este espírito divino atendente que veio para os seres humanos de uma fonte distante e desconhecida por motivos distantes e incognoscíveis."

Isso parece muito próximo à ideia de Michael Jackson de que a criatividade dele era algo que fluía através dele, e o papel dele como um artista não era criar obras tanto quantp era ser receptivo a esse fluxo e permitir que ele se expressasse através dele.
 

Aqui está o link Gennie nos enviou:



Joie: Eu adoro esse discrurso da Sra. Gilbert, é muito inspirador, eu acho. Algo em que cada artista ou escritor deve ouvir e pensar, em minha opinião, e obrigada a Gennie por enviá-lo para nós.

Mas eu também concordo plenamente com você aqui, Willa. Isso parece ser extremamente próximo ao que sabemos do processo criativo de Michael Jackson e como ele se sentia sobre isso. Quantas vezes ouvimos dizer que ele sentia como se ele não pudesse realmente ter o crédito pelas músicas dele, porque ele era simplesmente o veículo através do qual eles vieram?

Willa: Exatamente, e, aparentemente, isso é um sentimento partilhado por outros importantes artistas modernos, como John Lennon. Em Earth Song: Inside Michael Jackson's Magnum Opus, Joe Vogel diz que Michael Jackson postou uma citação de John Lennon, onde ele pudesse vê-la como um lembrete para si mesmo, enquanto trabalhava em "Earth Song":

 “Quando a verdadeira música vem a mim", dizia, "a música das esferas, a música que o entendimento surpasseth - que não tem nada a ver comigo, porque eu sou apenas o canal. A única alegria para mim, é que seja dada a mim, e transcrevê-la como um meio... Esses momentos são para o que eu vivo.”

Isso soa muito semelhante aos pensamentos de Elizabeth Gilbert sobre a criatividade como um "espírito divino atendente que veio para os seres humanos de uma fonte distante e desconhecida", e isso também me lembra de Dancing the Dream. Na verdade, eu acho que essa ideia é um dos temas centrais de Dancing the Dream. Como Michael Jackson escreve no prefácio:


Consciência se expressa através da criação. Este mundo em que vivemos é a dança do criador. Dançarinos vêm e vão num piscar de olhos, mas a dança vive. Em muitas ocasiões, quando eu estou dançando, eu me sinto tocado por algo sagrado. Nesses momentos, eu sinto meu espírito voar e tornar-se um com tudo o que existe. Eu me torno as estrelas e a lua. Eu me torno o amante e o amado. Eu me torno o vencedor e o vencido. Eu me torno o mestre e o escravo. Eu me torno o cantor e a canção. Eu me torno o conhecedor e o conhecido. Eu continuo a dançar e, então, é a eterna dança da criação. O criador e a criação fundem-se em uma plenitude de alegria.

Eu vejo essa ideia expressa em toda "Best of Joy", bem como nos versos de introdução que você já citada:

Eu sou sua alegria
Sua melhor da alegria
Eu sou a luz do luar
Você é a primavera
Nosso amor é uma coisa sagrada
Você sabe que eu sempre vou amar você
Sou eternamente

 
Quando a criatividade está fluindo através dele, ele se torna "as estrelas e a lua... o amante e o amado... O cantor e a música", pois ele se junta à "eterna dança da criação" e "se funde em uma plenitude de alegria" - a "Best of Joy" dele. 

Joie: Ah, isso é uma interpretação legal, Willa. Eu nunca teria feito a conexão entre "Best of Joy" e a dança antes. Muito interessante. E você sabe, eu estou realmente ansiosa descobrir o que nossos leitores pensam sobre "Best of Joy", e ouvir algumas das interpretações deles sobre ela. É uma canção muito especial, em minha opinião.

Willa: Ela realmente é. Para mim, as letras são como poesia.