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sábado, 27 de outubro de 2012

Capítulo 7 - Invincible : "Unbreakable"




 
AS MÚSICAS

 

1.                UNBREAKABLE

(Escrita e composta por Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, LaShawn Daniels, Nara Payne e Robert Smith, produzida por Michael Jackson e Rodney Jerkins. Gravada por Stuart Brawley. Edição digital por Stuart Brawley e Paul Foley. Mixada por Bruce Swedien, Rodney Jerkins e Stuart Brawley. Vocal líder: Michael Jackson. Vocais backgrounds adicionais: Brandy. Rap performando por The Notorious B.I.G. Todos os instrumentos musicais tocados por Michael Jackson e Rodney Jerkins)
 

“Unbreakable” introduz o som do Michael Jackson do novo milênio. Como nas incursões sonoras Techno-industriais dele (“Dangerous”, “Scream”), a faixa começa com um prelúdio de sons de máquinas, quase como se a música estivesse descobrindo como se criar sozinha. Tematicamente, ela correlata perfeitamente com a identidade híbrida apresentada na capa do álbum: a atitude criativa é consumida pela combinação de biologia e tecnologia, orgânico e digital, humano e máquina.
Jackson permitiu que esta abertura tensa fosse construída com o que soa como um motor em marcha lenta, um grunhido de animal, uma vibração se aproximando, antes de a música explodir em um inesquecível gancho conduzido pelo piano. O efeito é impressionante. Para um artista que esteve à margem por seis anos, isso era uma grande declaração de abertura. “A música é, sem dúvida, o destaque do álbum”, escreveu o crítico musical Nikki Tranter em uma avalição de 2001. Jackson considerava a faixa uma das favoritas dele no álbum e pressionou para que ela fosse o primeiro single e curta-metragem. (“You Rock My World” foi, por fim, considerada mais apropriada para as rádios, pela Sony).
A decisão de dispensar a música como single de abertura foi, talvez, devido à franqueza dela. Enquanto a maior parte de Invincible lida com “amor e relacionamentos”, “Unbreakable” é uma corajosa declaração de desafio. “Enquanto vocês me enterram debaixo da terra, todos vocês sentem dor”, Jackson provoca em um verso. “Eu estou firme rindo, enquanto emergindo.”
De algumas maneiras, a música é, também, uma mensagem para ele mesmo, uma convocação de confidência e força em face às adversidades. Como ele explicou para Anthony DeCurtis em uma entrevista simulchat: “Eu fui ao inferno e voltei. Eu tenho, para ser honesto, e ainda sou capaz de fazer o que eu faço e nada pode me deter. Ninguém pode me deter, não importa o quê. Eu paro quando eu estiver pronto para parar. Você sabe e, uhn, eu estou apenas dizendo [em “Unbreakable”], você sabe, eu continuarei seguindo em frente não importa o quê.”
O recorrente gancho de piano-baixo transmite bem essa determinação e perseverança. Durando mais que seis minutos, “Unbreakable” pulsa uma persistente batida que quase empurra através dos alto-falantes, enquanto os vocais staccatos de Jackson ressoam nas letras. “Unbreakable é tão impressionante”, escreveu Robert Hilburn, “este habilidoso estéreo retalhista poderia usar isso para demonstrar as maravilhas do último sistema de som deles”.
Por volta da marca 3:50, The Notorious B.I.G faz uma aparição póstuma, oferecendo um suave solo de rap, antes de Jackson fechar a música com clássica forma improvisada. A música envia uma mensagem clara: Michael Jackson está de volta. Como uma avaliação colocou: “Ele não vai deixar a coroa pop dele para trás sem uma briga.”

Capítulo 7 - Invincible: " Heartbreaker"




12                HEARTBREAKER

(Escrita e composta por Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, LaShawn Daniels, Mischke e Norman Greg. Produzida por Michael Jackon e Rodney Jerkins. Programação musical por Michael Jackson e Rodney Jerkins. Gravada por Bruce Swedien e Stuart Brawley e Fabian Marasciullo. Rap gravado por Bob Brawn. Mixada por Bruce Swedien, Rodeny Jerkins e Stuart Brawley. Vocal guia: Michael Jackson. Rap performando por Fats. Vocais backgorunds: Michael Jackson, Mischke, LaShawn Daniels e Nora Payne)
 

Com as batidas e sons dela, que ricocheteiam amplamente, “Heartbreaker” soa como o trabalho de um cientista louco no estúdio. Rober Hilburn, do Los Angeles Times, descreveu-a como uma “maravilha sonora”, que leva o artista para dentro de “desafiador território novo”. Mesmo Jon Pareles do, New Your Times, notoriamente crítico de Jackson, reconhecia a “percussão genial” dele em faixa rítmicas como “Heartbreaker”: “[Ele] começa o canto dele com grunhidos, suspiros e gritos... contra uma faixa rítmica de barulhos eletrônicos que trepidam e crepitam como alegres buzinas de caminhão em uma rodovia”.

Como com os álbuns anteriores, essa inovação sonora foi ativamente empurrada por Jackson. “Um monte de sons no álbum não são sons de teclado”, ele explicou, “[eles] são, você sabe, basicamente, programados dentro de máquinas. Nós saímos e fazemos nosso próprio som. Nós damos tapas em coisas, nós batemos em coisas, portanto, ninguém pode duplicar o que fizemos. Nós as fizemos com nossas próprias mãos, nós descobrimos coisa e nós criamos coisas. E isso é a cosia mais importante, para ser pioneiro. Ser um inovador”.

“Heartbreaker” é um claro exemplo dessa inovação, mixando techno, pop, hip-hop e funk (ela, também, apresenta o renomado beatboxing de Jackson) para alcançar algo que os “ouvidos não têm escutado”. NME a descreveu como “um groove ativo, percussivo, com um refrão compulsivo repetitivo, mas um clássico altivo [Jackson] de meados dos anos oitenta”.

Liricamente, “Heartbreaker” continua uma bem estabelecida alegria de Jackson. É uma música de sedução e amor rejeitado. “Ela fala os versos que podem controlar minha mente”, ele canta. É uma obsessão temática que começou como “Heartbrek Hotel” e continua em faixas como “Billie Jean”, “Dirty Dina” e “Dangerous”. Para Jackson há uma perpétua desconfiança, até mesmo medo, de certo tipo de mulher (ou, pelo menos, o que ela representa). Há, também, é claro, a persistente tentação e fascinação.

Jackson se sai melhor construindo tensão e pintando uma história em anteriores faixas de sedução. As realizações de “Heartbreaker” residem, principalmente, na inventividade sonora dela. “Eu encontro beleza extraordinária em músicas [tão] rápidas”, escreveu Frank Cogan, do Village Voice. “Ele e Rodney Jerkins... puxa em fuzzes e buzinas e zumbidos – agudeza do techno – ressonâncias truncadas, pequenas notas de baixo, grasnido... Eu não sei se é uma beleza com a qual irei me importar. A beleza em álbuns anteriores de Michael Jackson me encontrou. Mas algumas vezes, isso leva tempo: eu levei meses em Bad antes de eu, de repente, sentir isso, quando ele canta: ‘Ele entrou no apartamento dela/Ele deixou duas manchas de sangue no carpete’ –, mas uma vez que eu senti, muito do álbum pareceu hábil, perspicaz e triste.”

 

Nota da tradutora:

Fuzzes, ou fuzz, são pedais usados na produção de sons.
 

Capítulo 7 - Invincible : "Invincible"

3.                INIVINCIBLE
 
(Escrita e composta por Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, LaShawn Daniels e Norman Gregg. Produzido por Michael Jackson e Rodney Jerkins. Gravado por Bruce Swedien e Stuart Brawwley. Edição digital por Sttuart Brawley. Rap gravado por Bob Brown. Mixada por Bruce Swedien, Rodney Jerkins e Stuart Brawley. Música programada por Michael Jackson e Rodney Jerkins. Vocais guia: Michel Jackson. Vocais background: Michael Jackson. Rap performando por Fats)
 
 
Quando a faixa título rola por aí (a terceira colaboração Jackson-Jerkins), alguns ouvintes podem sentir um pouco de exagero pelo ataque da batida sonora. Anteriores gravações de Jackson, tipicamente, usou esse espaço para abrandar uma balada ou encaixe meio-tempo (“Stranger in Moscow”, “Baby Be Mine”). Porém, Jackon ofereceu uma faixa de batida mais forte, antes de mergulhar em variações de R&B/soul nas quatro músicas seguintes.
 
“Invincible” é uma clara tentativa de Jackson em ser atual e relevante na cena de R&B do novo milênio. Há elementos de Timbaland, Usher, Jay-Z e R. Kelly (os quais todos, é claro, inspiraram Jackson com o próprio som). Uma acelerada hip-hop/soul híbrida, a faixa se move para uma batida lenta, áspera, metálica, enquanto Jackson implora pelo amor de uma garota. Na avaliação de 2001, Rolling Stones descreveu a música como “ligeiro e durável minimalismo R&B”.
 
O rapper Fats – que também foi apresentado em “Heartbreaker” – fez reaparição, freestyling na pesada batida de fundo da música. Jackson, da mesma forma, simultaneamente, lamenta um rompimento e seduz com promessas. “O canto dele é petulante, desafiador e forte”, escreveu Robert Hilburn. Mas também há uma geminada emoção para a música, enquanto ele anseia por um amor que ele parece saber que sempre vai iludi-lo.
 
“Invincible” conclui a câmera aberta do álbum, uma amostra de antigo, moderno, faixa R&B sonoramente experimental, que ganhou o louvor e respeito de críticos e colegas, da mesma forma.



Capítulo 7 - Invincible : "Break of Down"




 
 

4.            BREAK OF DAWN
 

(Escrita e composta por Dr. Freeze e Michael Jackson. Produzida por Michael Jackon e Dr. Freeze. Vocal guia: Michael Jackson. Vocais backgrounds: Michael Jackson e Dr. Freeze. Todos os instrumentos da música: Michael Jackson, Dr. Freeze, Rodney Jerkins e Teddy Riley. Gravada por Mike Ging, Brad Gilderman, Humberto Gatica, Dexter Simmons e George Mayers. Programação de bateria: Michael Jackson e Brad Buxer. Edição digital: Harvey Mason Jr. e Stuart Brawley. Mixada por Humberto Gratica, Teddy Riley e George Mayers)

  

Depois da moagem veloz das primeiras três faixas, “Break of Dawn” é uma suave e sedutora libertação. “Raramente, desde Thriller, o artista tem exalado tanto calor”, escreveu o crítico Sal Cinquemani. “As harmonias sutis e arranjos simples... não apenas relembram aquela época, mas astutamente a atualiza.” Na verdade, talvez, a faixa seja mais semelhante à “Liberian Girl” de Bad. O ambiente sonoro dela, produção primorosa e letra romântica são intencionados a capturar o caminho pelo qual o amor e a imaginação podem nos levar. Embora Jackson, no passado, sempre associasse sexo a segredo (“In The Closet”) ou culpa (“Dirty Diana”), aqui, ele abraça a intimidade sexual sem reservas ou medo. É tão natural e belo quanto o canto de pássaro que, discretamente, aparece pela faixa.
 
Na verdade, toda a música é uma celebração Keats dos sentidos. O casal, literalmente, está em um mundo que eles mesmos criaram. É físico (“Segure minha mão/ Sinta meu suor”), mas também é metafísico. Ele pede a ela que use a imaginação para experimentar coisas que ela “nunca conheceu”. Há muitas viagens metafóricas e escapatórias metafóricas. A ideia é que eles estão se afastando de restrições sociais para algo mais natural, conectado, puro e belo.

Jackson coescreveu e coproduziu a música com Dr. Freeze (que também trabalhou com Michael em excelentes faixas que não foram incluídas em álbuns, como “A Place With No Name” e “Blue Gangsta”). O ritmo fluido, atmosfera exótica e vocais apaixonados fazem de “Break of Dawn”, uma favorita no álbum para muitos fãs.

 

 

Capítulo 7 - Invincible: "Heaven Can't Wait"



 
5.                HEAVEN CAN WAIT

(Escrita e composta por Michael Jackson, Teddy Riley, Andreao Heard, Nate Smith, Teron Beal. E. Laues, e K. Quiller. Produzida por Michael Jackson e Teddy Riley. Coproduzida por Andreao Heard e Nate Smith. Gravada por Teddy Riley, Bruce Swedien e George Mayers. Edição digital: Teddy Riley e Geroge Mayers. Mixada por Teddy Riley, Bruce Swedien e George Mayers. Arranjada e orquestrada por Jeremy Lobbock. Vocal guia: Michael Jackson. Vocais backgrounds: Michael Jackson. Vocais backgrounds adicionais: Dr. Freeze e “Que”)
 

A primeira das quatro colaborações para Invincible com o produtor de Dangerous, Teddy Riley, “Heaven Can Wait” é cada pedacinho tão suave quanto “Break of Dawn”, mas explora uma emoção diferente. Com as firmes e texturizadas harmonias e clássico sentimento R&B, ela soa como uma atualizada variação dos Bee Gees. Muitos críticos elogiaram a música como uma das melhores ofertas do álbum. Embora as faixas ritmos de Invincible apresentem um minimalismo mecânico, o sentimento aqui é caloroso e rico. A súplica passional de Jackson elabora uma batida balbuciante nos veros, antes de se dissolver como ar no refrão. Mark Anthony Neal a descreveu como “uma das melhores performances vocálicas de Jackson, desde ‘The Lady in My Life’ de Thriller”. É uma música que, sem dúvida, tinha potencial para ser um grande hit R&B, tivesse a Sony lançando-a como single.

Jackson foi apresentado a uma demo anterior da faixa pelo produtor Teddy Riley. “Quando eu fiz esta música com ele”, recorda Riley, “ele segurou o coração dele e ele disse: ‘Teddy, isto é meu? ’ Eu disse: ‘É sua se você a quiser, Michael’. Ele meio que: ‘ Eu quero, vamos fazê-la! ’ Ele estava tão excitado... Ele disse: ‘Eu quero esta música. Eu preciso desta música na minha vida’”. Jackson, subsequentemente, refinou a estrutura, som e letra.

A música é sobre o desejo de escapar da morte. O cantor tem, finalmente, encontrado amor e alegria, mas teme, agora, que lhe sejam tomados. “Diga aos anjos não”, ele canta, “Eu não quero deixar minha amada sozinha”. Esse medo é, de algum modo, perfeitamente consistente com o trabalho anterior de Jackson. Mas enquanto faixas anteriores demonstravam isolamento (“deixe-me em paz”, “Billie Jean não é meu amor”), Jackson, agora, fala para um coletivo “nós”. “Apenas nos deixe em paz” (interessantemente, porém, na engasgada final, ele retorna ao “deixe-me em paz”). A emoção dolorosa transmitida nesses versos finais é genuína. O medo não é tanto pela morte em si, é mais pela separação e retorno à solidão. A faixa é uma súplica por tempo, amar e ser amado, sem interferência ou intrusão. 
 





Capítulo 7 - Invincible: " You Rock My World"




  

6.     YOU ROCK MY WOLRD

 

(Escrita e composta por Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, La Shawn Daniels e Nora Payne. Produzida por Michael Jackon e Rodney Jerkins. Gravada por Brad Gilderman, Rodney Jerkins, Jean-Marie Horvat, Dexter Simmons e Stuart Brawley, Edição digital por Harvey Mason Jr. e Stuart Brawley. Mixada por Bruce Swedien e Rodney Jerkins. Vocal guia: Michael Jackson. Vocais backgrounds: Michael Jackson. Introdução: Michael Jackson e Chris Tucker. Todos os instrumentos tocados por Michael Jackson e Rodney Jerkins)

 

“You Rock My World” foi o ultimo hit Top Ten da Billboard de Jackson, chegando ao 10º lugar nos Estados Unidos (a música se saiu melhor no exterior, onde alcançou o 1º lugar na França e o 2º no Reino Unido). Alguns críticos e fãs sentiram que Jackon estava simplesmente repetindo fórmulas e descreveu-a como “segura” e “não original”. Outros, no entanto, viam-na como um retorno à forma. “[Ela é] a menos forçada dele, o mais contínuo simgle [em eras]”, escreveu David Browne, da Entertainment Weekly. “Uma rede simples, tensa, de resoluta batida dançante e cordas.”
 

O corte do álbum começa com uma leve troca humorística (e um pouco desajeitada) com o comediante Chris Tucker, que, mais uma vez, parece como uma tentativa de ser atual (por alguma razão é difícil imaginar Michael Jackson dizendo “Ela é um estouro”, sobre uma garota). Uma vez que as linhas de baixo se estabelecem, porém, ele desliza para dentro da música tão naturalmente quanto entra em uma luva de lantejoulas. Dalí, é um Michael Jackson vintage: uma batida pulsante, cordas exuberantes e uma performance vocálica que, como a Rolling Stone observou, “lembra o trabalho do cantor com Quincy Jones, pela forma como finamente esculturou e exuberantemente expressou faixas rítmicas e vibrantes harmonias vocálicas”.

               
Isso, na verdade, foi o que o coescritor, e coprodutor, Rodney Jerkins estava fazendo na música. “É como a volta de Michael à melodia”, ele explicou. “Isso faz você dançar. É uma música que faz você se sentir bem.”
 

Na verdade, a música energizada, contagiante, se mantem bem com outros similares clássico de dança de Jackson (“The Way You Make Me Feel”, “Remember the Time”, “P.Y.T”). “Jackson canta com mais sutileza funk do que ele tem em eras”, escreveu Jon Dolan, “Gelificando perfeitamente com cordas, harmonias exuberantes e um groove suntuoso.”


 

Capítulo 7 - Invincible: " Butterflies "



 
7.                BUTTERFLIES
 

(Escrita e composta por Andre Harris e Marsha Ambrosius. Produzida por Michael Jackson e Andre Harris. Gravada por Andre Harris e Bruce Swedien. Engenheiro assistente: Vidal Davis. Mixada por Bruce Swedien. Vocal guia: Michale Jackson. Vocais backgrounds: Michael Jackson e Marsha Ambrosius. Instrumentos de sopro: Norman Jeff Bradshaw e Matt Cappy. Todos os instrumentos por Andre Harris)

 

Para muitos fãs e críticos, a emotiva “Butterflies” é uma das gemas escondidas do fim da carreira de Michael Jackson. Como “Heaven Can Wait”, ela relembra as pessoas o que fez da voz de Jackson tal revelação, em primeiro lugar, ainda mais beneficiada pela maturidade e sofisticação. Embora a Sony nunca tenha lançado “Butterflies”, oficialmente, como um single, ela, rapidamente, se tornou um hit underground, particularmente em áreas urbanas como New York City. Devido à resposta entusiástica, muitas pessoas simplesmente não puderam entender por que ela não foi promovida como o novo som de Michael Jackson. “Ela teria abrido as mentes das pessoas”, o crítico musical Steven Ivory disse à NPR. “Butterflies” ainda conseguiu alcançar o 3º lugar na Billboard Hot 100 e 2º no Hot R&B/Hip-Hop Singles, levada pela força do ar. 

A música foi apresentada a Jackson pelo amigo, e executivo de gravação, John McClain. Jackson gostou do que ele ouviu na faixa de Floetry, uma jovem dupla neo-jazz/soul da Inglaterra. Marsha Ambrosious recorda-se de receber uma mensagem do Rei do Pop em 2000: “Esta voz realmente iluminada saiu da secretária eletrônica: ‘Eu estou realmente interessado nesta coisa que veio do Um Toque de Jazz. A coisa Floetry é realmente legal. Aqui é Michael Jackson! ’”. 

Depois de receber várias potenciais demos, Jackson escolheu “Butterflies”. Poucos meses depois, Ambrosious e Natalie Stewart estavam no estúdio trabalhando com ele na música. “Foi incrível”, recorda Ambrosious da experiência, “porque ele continuamente perguntava, ‘Marsh, qual é a próxima harmonia? Garotas, este som está certo? ’ Ele era muito aberto.” 

“Não é tão exagerado sugerir que ‘Butterflies’ é uma das mais significantes gravações R&B de Jackson em muito tempo”, argumentou o crítico musical Mark Anthony Neal. “Jackson abre a música com um murmúrio que parece um murmúrio tenor feminino, mas a música decola no segundo verso, quando ele força o alcance dele para um sussurrado falsete cadenciado que, poderosamente, captura a vulnerabilidade que a letra da música tenta transmitir.” 

“Butterflies” se tornou um dos mais conceituados últimos trabalhos de Jackson e continua a ser “descoberta” por amantes da música, que a perderam na primeira circulação.


 


Capítulo 7 - Invincible : " Speechless "



8.                SPEECHLESS
(Escrita e composta por Michael Jackson. Produzida por Michael Jackson. Edição digital por Brad Buxer e Stuart Brawley. Gravada por Bruce Swedien, Brad Buxer, e Stuart Brawley. Mixada por Bruce Swedien. Arranjada por Michael Jackson. Vocal líder: Michael Jackson e Jeremy Lubbock. Coro Andraé Crouch e o Andraé Crouch Singers Choir. Teclado: Brad Buxer. Viola/ Contractor: Novi Novoq. Viola: Thomas Tally. Violinos: Peter Kent, Gina Kronstadt, Robin Lentz, Kirstin Fife e John Wittenberg)
 
 
As baladas de Invincible foram, geralmente, consideradas hits ou esquecidas pelos críticos. Tão sentimental quanto poderia ser, “Speechless” é um hit. Escrita, composta e arranjada por Jackson, a música é uma linda balada estilo Broadway, que coloca a característica habilidade vocálica de Jackson totalmente à mostra. NME descreveu-a como a “primeira canção realmente altiva do álbum”. Ela é, certamente, uma das mais puras expressões de alegria dele. Como as músicas gospels dele, o clímax alcança um tipo de transcendência espiritual, que é incomum na maioria das músicas pop.
A faixa começa acappella, transmitindo uma vulnerabilidade e intimidade que relembra “She’s Out of My Life”, antes de, gradualmente, construir uma sublime crescendo. Uma orquestra ascendente – coarrendada por Jackson, Brad Buxer e Jeremy Lobbock – é simples, mas de tirar o fôlego, no clímax. “Ele queria que ela fosse este tipo de êxtase”, disse Buxer. “Ele disse: ‘Eu quero que você toque estes arpejos. ’ Eu pensei que seria muito agitado, muito adocicado. Quando as modulações começam a vir, você escuta todos esses arpejos acontecendo no teclado. Não é sequenciado; é tudo tocado. Isso é o que ele queria.”
Jackson escreveu a música enquanto estava na Alemanha. Ele recorda de estar brincando com crianças quando a inspiração para a música veio. “Havia estas duas doces criancinhas, uma menina e um menino, e eles são tão inocentes”, ele disse em uma entrevista em 2001. “Elas são a quintessência forma da inocência e apenas por estar na presença delas eu me senti completamente sem palavras, porque eu senti que estava olhando na face de Deus, sempre que eu os via. Elas me inspiraram a escrever ‘Speechless’”. Uma vez que Jackson tinha a música na cabeça dele, ele imediatamente chamou Brad Buxer. “Ele cantou todas as partes no telefone. Às 06h30min ela estava pronta.”
O resultado foi uma canção de amor sobre um sentimento puro, incondicional, o tipo de amor seguro, sobre o qual ele nunca cantou realmente antes (talvez porque ele nunca tivesse experimentado isso completamente, até ele ter filhos). “Quando eu estou com você”, ele canta, “Eu estou na luz/ Onde não posso ser encontrado/ Eu sinto como se estivesse/ No lugar chamado Hallowed Ground.”



 

Capítulo 7- Invincible : " 2000 Watts "





9.                2000 WATS 

(Escrita e composta por Michael Jackson, Teddy Riley, Tyrese Gibson e J. Henson. Produzida por Michael Jackson e Teddy Riley. Gravada por Teddy Riley e Geroge Mayers. Edição digital: Teddy Riley e George Mayers. Adicional programação de teclado: Michael Jackson e Brad Buxer. Mixada por Bruce Swedien, Teddy Riley e George Mayers. Vocal guia: Michael Jackson. Vocais backgrounds: Michael Jackson. Adicionais vocais backgrounds: Teddy Riley)
 

Muitos ouvintes dificilmente reconheceram Jackson em “2000 Watts”, uma ode ao som (e som tecnológico), que apresenta o cantor em uma profunda voz barítono, incaracterística. Tem havido muito debate, na verdade, sobre se é a “voz natural” de Jackson ou se ela foi digitalmente alterada de alguma forma. De acordo com Teddy Riley e o engenheiro Stuart Brawley, no entanto, isso é, de fato, a voz verdadeira dele. Seguindo o alto tenor/falsete exultante de “Speechless”, ela fornece um afiado contraste, apresentando o alcance e versatilidade de Jackson (vocalicamente e estilisticamente).

“2000 Watts” foi escrita por Riley e o cantor R&B Tyrese Gibson para o último álbum de mesmo título; Jackson, porém, se apaixonou pela demo da música, e Gibson, alegremente, cedeu-a. Verdade para o título dela, “2000 Watts” testa a força do sistema de alto-falantes. “Forte, que martela, e como um cântico”, observe New Music Express, “ela é um definitivo ponto alto. Com mínima produção industrial, é uma áspera, equivalente a ‘They Don’t Care About Us’ em HIStory. O sentimento tribal sublinha que este álbum é realmente bom ritmicamente”. 

Na verdade, muitos apontaram a música como uma das mais instantaneamente acessíveis e energéticas faixas de dança do álbum. “Jackson se conecta maravilhosamente a ‘2000 watts’”, escreveu o crítico musical Robert Hilburn, chamando-a uma “celebração do poder terapêutico da dance music, que deveria ser um hino de boate”. Um olhar superficial na letra também revela o tom sexual dela. Por “2000 Watts” erotizar o som e maquinaria de uma mídia, mostra o quão estimulante fazer música pode ser.

 


 



 


Capítulo 7 - Invincible : "You Are My Life'




10.         YOU ARE MY LIFE
 
(Escrita e composta por Michael Jackson, Babyface, Carol Bayer Sager e John McClain. Produzida por Michael Jackson e Babyface. Engenharia por Paul Bautin. Mixada por John Grass. Cordas arranjadas por Mayers. Engenharia por Tommy Vicari. Vocal guia: Michael Jackson. Vocais backgrounds: Michael Jackson e Babyface. Guitarra-baixo: Babyface. Coro: Jason Edmond, Nathon Walton, Tobia Ivery e Lunne Fidmont-Lindsey) 

 
“You Are My Life” foi uma inclusão de último minuto em Invincible, substituindo a veloz “Shout”, apenas cinco semanas antes de o álbum ser lançado. “Os compositores primeiro tocaram-na para Michael na terça-feira”, escreveu o biografo J. Randy Taraborrelli. “Ele adorou – mudou a letra de ‘Você É Meu Mundo’ para ‘Você É Minha Vida’ e, depois, gravou a na manhã seguinte.” 
A música, sem dúvida, tem significância pessoal para Jackson, cujos dois filhos tinham trazido significado diferente para a vida dele. Na verdade, de muitas formas, ela é uma das mais honestas expressões musicais sobre o que os filhos significavam para ele.
“Uma vez, completamente sozinho”, ele canta,

 
Eu estava perdido em um mundo de estranhos
Ninguém para confiar
Solitário, eu estava só
Você... de repente apareceu
Isso estava nebuloso antes, mas agora é tão claro
Você levou embora o medo
E você me trouxe de volta à vida 

Mais tarde, na música, ele mais que descreveu a transformação/salvação que eles inspiraram:
 
Agora, eu acordo todos os dias
Com um sorriso em meu rosto
Não mais lágrimas, não mais dor
Porque você me ama
Você me ajudou a entender
 
Que amor é a resposta para tudo que eu sou
E eu sou um homem melhor
Desde que você em ensinou, por compartilhar a sua vida
 
“You Are My Life” foi um trabalho colaborativo de alguns talentosos compositores – Babyface, Carole Bayer Sager, John McClain e Jackson. Muitos críticos, no entanto, sentiram que ela é a mais fraca das baladas, citando o ritmo letárgico dela e refrão cheio de clichês. Rolling Stone chamou-a de suave produção de Los Angeles, com um “terrível off Babyface”. 
Mas “You Are My Life” é uma música que tem sido reavaliada um pouco mais compassivamente desde a morte de Jackson. J. Randy Taraborrelli chamou-a de balada “luminosa... proeminente”. O que começa como uma lenta lamentação de guitarra dedilhada, gradualmente constrói um ímpeto e se desenvolve em uma sublime celebração da vida. Jackon torce a música por toda a excelência dela na segunda metade. “Você me deu esperança, quando eu estava perdido”, ele chora. “Você abriu meus olhos, quando eu não podia ver que/O amor sempre esteve aqui esperando por mim.”